Diniz mantém filosofia em entrevista de fé e descontração antes de estreia do Fluminense no Mundial
O Fluminense enfrenta o Al Ahly, nesta segunda (18), às 15h (de Brasília), no estádio King Abdullah, em Jeddah, na Arábia Saudita
O Fluminense de Fernando Diniz chegou ao Mundial de Clubes ao seu estilo único no futebol brasileiro. Na Arábia Saudita, o treinador trocou a lógica pela fé em coletiva descontraída, onde brincou com o idioma árabe, contestou críticas pela idade dos jogadores do Tricolor e projetou o confronto com o Al Ahly, nesta segunda (18), às 15h (de Brasília), no estádio King Abdullah, a Joia da Coroa, em Jeddah.
Mas antes de tudo, o treinador, conhecido por suas coletivas e ideias — não só futebolísticas — que fogem do senso comum, exaltou o sonho de chegar onde chegou. Para ele, o momento atual foi vivido todos os dias desde que retornou às Laranjeiras.
— Disputar o Mundial de Clubes para nós foi [um sonho] todos os dias, desde que eu cheguei ao Fluminense. Era um sonho que a gente nutria — contou Fernando Diniz.
E Diniz acredita que se tal sonho foi realizado, isso se deve a muito trabalho. Ressaltando que a junção de dedicação e fé aproximou o Fluminense das maiores conquistas de sua história.
— Não foi algo que aconteceu na casualidade, foi muito trabalho. Não é porque você trabalha muito que você vai ganhar, mas trabalhar muito e sonhar todos os dias que é possível te aproxima das conquistas e foi o que nos trouxe até aqui. Continuamos trabalhando muito, sem parar e sonhando também. Vamos procurar fazer o nosso melhor na semifinal, vamos colher um resultado e diante disso vamos nos preparar para o segundo jogo — apontou o treinador.
O primeiro reconhecimento do gramado do King Abdullah com o Kenaldinho pic.twitter.com/4o8Qv0IEAS
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) December 17, 2023
Fluminense desgastado?
O Fluminense chega para a semifinal do Mundial de Clubes FIFA após uma longa e desgastante temporada, de 70 jogos disputados entre três competições. Apesar de se tratar de uma época difícil, Fernando Diniz crê que o fato do grupo tricolor estar onde sempre sonhou irá superar qualquer cansaço.
— O time chegou aqui preparado para fazer uma boa competição. É um sonho muito grande. O desgaste natural que temos da temporada é suprimido pela vontade de estar aqui. A gente vem de um feito histórico que foi a Libertadores — argumentou.
Time experiente
Perguntado se a média de idade mais alta do time do Fluminense pode prejudicar a equipe, Fernando Diniz discordou categoricamente, afirmando que a temporada mostrou que se trata de um time totalmente preparado para os desafios que encontra pela frente.
— Falando da pergunta do colega, sobre o Fluminense ser um time mais velho e que pode ter dificuldade para correr. As pessoas podem enxergar isso dessa forma. Eu vejo um time de jogadores extremamente talentosos, que nos ensinam todos os dias os caminhos para sermos campeões, até porque todos são multicampeões: Keno, Marcelo, Felipe Melo, Ganso, Fábio, David Braz, Cano, entre outros. São pessoas extremamente sérias e comprometidas com o trabalho. É uma alegria muito grande para mim trabalhar com eles, pode acreditar e eles acreditam cada vez mais que podem competir tendo um pouco mais de idade — discordou Diniz.
Ele ainda citou a importância desses atletas no dia a dia com jogadores mais jovens e classificou os veteranos do elenco como “um bem enorme para o Fluminense”. O treinador ainda demonstrou humildade ao afirmar que os homens mais experientes acrescentam também a ele.
— Foi um ano em que não dá para afirmar que a idade foi um problema e que eles não correram. Pelo contrário. Nós nos aproveitamos muito da imensa categoria e do profissionalismo desses jogadores, da generosidade que têm com todos no Fluminense, dos ensinamentos que passam para os mais jovens, crescimento que conseguiram promover em mim como treinador, quanto para o André e Nino que são jovens. Esses jogadores fazem um bem enorme para o Fluminense e conseguem jogar muito bem — completou o treinador.
Diniz ainda disse imaginar que se o Fluminense for derrotado no Mundial, isso será relacionado com o fator idade dos jogadores, o que considerou como uma das “respostas fáceis” incentivadas pelo resultado. Mas garantiu que o time chega em boas condições para a disputa.
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Discrepância financeira
Fernando Diniz comentou, ainda, sobre o abismo financeiro que separa o futebol europeu do brasileiro. Ele ressaltou que o Fluminense está longe das maiores folhas até mesmo dos times do Brasileirão e que as cobranças acabam sendo desproporcionais, pois quando a bola rola, todos esperam confrontos equilibrados, sem considerar a discrepância na realidade financeira dos clubes.
— Os times sul-americanos não ganharem desde 2012 passa pelo poder financeiro. Eles levam os melhores para o continente. Isso acontecendo por muito tempo acaba gerando um desnível. O que explica é o desnível financeiro. Não acredito que seja porque evoluiu demais. Em seleções seriam outros aspectos, mas as seleções também acabam se beneficiando. Mas quando você faz isso por 20 ou 30 anos, os países acabam evoluindo por estarem jogando com os melhores e contra os melhores — argumentou Fernando Diniz.
— Eu celebrei muito as conquistas que a gente teve. O foco central é nos jogadores, promover a melhora em todos eles, para que eles tenham uma vida digna por meio do futebol. Para mim é um prazer muito grande. O Fluminense, no Campeonato Brasileiro, deve ser a 11ª folha (salarial). As condições econômicas favorecem muito. Um poder econômico muito abaixo dos seus rivais. Quando a gente vai jogar a gente compara como se tudo fosse igual, e não é igual. Para mim esse trabalho tem muito significado e muito sentido. A gente conseguiu superar e transcender as expectativas, e muito — completou o treinador.




