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Como Kauã Elias furou fila e virou solução no ataque do Fluminense

Jovem vai do sub-17 à titularidade no Tricolor em menos de oito meses e ajuda Flu a pontuar no Brasileirão

Enquanto o Fluminense era campeão da Libertadores, há oito meses, Kauã Elias estava no sub-17. Agora, o jovem de 18 anos furou a fila e virou solução no ataque. Seus três gols no Campeonato Brasileiro renderam sete dos 11 pontos conquistados sob o comando de Mano Menezes.

A temporada começou com incertezas para Kauã. Já com status de joia em Xerém após um brilhante 2022 e a titularidade da seleção brasileira no Mundial sub-17 no ano passado, o jovem e seu estafe tiveram longas conversas por renovação com o Flu.

Dali em diante, o jovem ainda teve problemas de indisciplina com Fernando Diniz antes de se tornar a salvação para a falta de gols do Tricolor agora com Mano. Contra o Red Bull Bragantino, Kauã Elias assumiu a titularidade e marcou seu terceiro gol em quatro jogos para dar a vitória ao Flu.

A Trivela explica como foi o caminho de Kauã Elias das divisões de base do clube, em Xerém, até comandar o ataque do Fluminense no Campeonato Brasileiro.

Kauã Elias vai de pouco espaço a maior joia de Xerém

Em novembro do ano passado, a Trivela já contara a história de Kauã Elias. O jovem chegou a Xerém como um meia, queria jogar de camisa 10 e acabou virando centroavante. Até 2022, entretanto, tinha pouca esperança e espaço no clube.

Tudo mudou em uma excursão para a Europa, naquele ano. Em 16 jogos em Itália, Suíça, Holanda e Inglaterra, Kauã marcou 16 gols. A média de uma bola na rede por partida chamou a atenção, e o jovem passou a receber maior atenção do Fluminense e de clubes estrangeiros.

Kauã Elias comemora gol diante da Inglaterra na última rodada da Copa do Mundo Sub-17. Foto: Icon Sport
Kauã Elias comemora gol diante da Inglaterra na última rodada da Copa do Mundo Sub-17. Foto: Icon Sport

Em outubro, quando já havia estreado pelo time profissional do Tricolor na Libertadores, Kauã Elias apareceu na famosa lista “Next Generation” do jornal inglês The Guardian. Ele era uma das 60 maiores promessas do futebol mundial. E se tornou a maior joia de Xerém.

No Brasil, tinha a companhia de Endrick, Vitor Reis e Luis Guilherme, do Palmeiras. Estêvão, também do Alviverde, não figurou no levantamento.

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Renovação é assinada, e Kauã é integrado aos profissionais

A renovação com Kauã Elias se arrastou por meses. As negociações entre Fluminense e seu empresário, André Cury, esbarravam em pedidos que o clube considerava altos. Os embates foram grandes, e o Tricolor contou com a família do jogador de 18 anos para conseguir assinar contrato.

Uma proposta do Vasco foi trazida ao jogador pelo então diretor-executivo Alexandre Mattos, cuja relação com Cury é bastante próxima. O projeto apresentado envolvia todos os clubes da 777 Partners, uma valorização salarial e a integração imediata aos profissionais.

 

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A Trivela apurou que, para tentar solucionar a questão, o Flu recebeu o avô José Elias e a mãe Juliana no CT Carlos Castilho para uma reunião com o diretor de planejamento Fred. O dirigente passou sua experiência como jogador aos familiares de Kauã, que também cuidam de sua carreira.

E alertou para problemas no início da carreira. A família de Kauã Elias saiu do CT convencida de que deveria ignorar certos pedidos. Na semana seguinte, em nova reunião com a presença de familiares, empresários e dirigentes, o acordo foi selado.

Kauã Elias renovou com o Fluminense até 2029 e tem multa rescisória de 70 milhões de euros - Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC
Kauã Elias renovou com o Fluminense até 2029 e tem multa rescisória de 70 milhões de euros – Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

O Fluminense cedeu uma porcentagem maior do que costuma de direito de exclusividade de venda a André Cury e outro percentual à família do jogador. Ficou com 80% e renovou com sua joia até 2029. A multa rescisória é de € 70 milhões. Kauã subiu aos profissionais com Fernando Diniz, que acreditava muito em seu potencial.

Poucas chances e indisciplina atrapalham Kauã Elias

A Trivela apurou que Kauã Elias era o preferido de Fernando Diniz para ser a nova revelação a ter espaço no Fluminense. Por isso, o jovem de 18 anos e Isaac, já pinçado pelo antigo treinador, passariam a receber chances… até que a situação no Campeonato Brasileiro ficou insustentável.

Antes disso, o atacante se envolveu em um caso grave de indisciplina. Desse jeito, junto a Arthur, Alexsander e John Kennedy, Kauã foi afastado em abril e perdeu uma viagem de dois jogos contra Cerro Porteño e Corinthians.

Foi o primeiro deslize do jogador desde que chegou ao clube. Mas a punição foi a mesma dos outros, reincidentes, para que servisse de exemplo.

O castigo à joia surtiu efeito de acordo com apuração da Trivela. De lá para cá, Kauã Elias não só não voltou a cometer indisciplinas como passou a se esforçar ainda mais nos treinos. Entre todos, foi o primeiro a pedir desculpas e se retratar ao elenco pelo deslize. Tanto que, assim, nem voltou à Xerém para jogar com o sub-20.

Mano rejuvenesce Fluminense e dá chances a Kauã Elias

Assim que chegou, Mano Menezes avisou: a idade não seria um fator nem para os mais velhos, nem para os mais jovens. O Fluminense estava na lanterna, e quem ajudou a tirar o clube de lá foi Xerém.

— A gente respeita muito o campo e o campo mostra que eles merecem essa oportunidade — resumiu Mano Menezes.

O que o campo dizia, além do potencial de Kauã Elias, era o declínio das principais opções na posição. Em 2023, Diniz precisou dar um jeito de escalar John Kennedy e Germán Cano juntos. Nesta temporada, por outro lado, a queda de rendimento dos dois fez o Fluminense olhar para o mercado. Mas a solução estava em casa.

— E sobre a base (…) coloca a rapaziada para jogar, que vamos vai para cima e vai fazer o que precisa fazer. Independentemente se vai acertar ou errar. Às vezes a torcida julga, mas é o papel deles. A gente agradece também porque vieram em peso aí para podermos apoiar — afirmou Kauã Elias após gol sobre o Criciúma.

Cano perdeu jogos por suspensão e lesão, enquanto JK perdeu espaço pela má forma física e péssima fase técnica. A vaga, então, caiu no colo de Kauã, e o camisa 19 tratou de aproveitar. São três gols em quatro jogos, excelente aproveitamento nas finalizações e uma titularidade mais do que merecida.

Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

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