Tim Vickery: Copa do Mundo deixa recados importantes a Brasil e vizinhos da América do Sul
Colunista da Trivela avalia saldo dos países sul-americanos no Mundial 2026
Pela primeira vez, uma seleção sul-americana não levou uma Copa do Mundo jogada na América do Norte — e vejo o torneio que acabou no domingo preocupante para a Conmebol. A Argentina foi amplamente dominada na final e a tendência é para um período de vacas magras nos anos depois de Lionel Messi, como aconteceu depois de Maradona e com o Brasil depois de Pelé.
E falar o que da seleção brasileira? Nesses jogos de mata-mata, as margens são bem pequenas. Sem uma substituição equivocada, a seleção brasileira poderia ter superado a Noruega e ido longe no torneio. Mas, como falou Carlo Ancelotti antes da Copa, se o avô dele tivesse rodas, seria um carro.
O “se” não joga. E mais uma vez, o Brasil caiu diante de uma seleção europeia da segunda prateleira. A Canarinho sempre vai ter a sua força — a população é grande demais e a tradição imponente demais para outra coisa. Mas já não gera o mesmo medo de antes.
As lições da Copa do Mundo para as seleções da América do Sul
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E os outros países do continente? As últimas décadas têm sido boas para as seleções sul-americanas menores. A explicação é fácil. O formato maratona das Eliminatórias, iniciado em 1996, tem sido muito positivo. Permite o tipo de calendário que os europeus levam com naturalidade — jogos competitivos regulares, com renda garantida, e a possibilidade de manter um time juntos, contratar melhores técnicos e investir na base.
Antes de 1996, o Equador só venceu cinco partidas na história das Eliminatórias. Agora classifica para a Copa com ambições de ir longe. Além do Equador, desde 1996 houve a melhor Copa na história de Colômbia e Paraguai, a melhor na história do Chile com exceção de 1962, que sediou, e a volta do Uruguai como força em potencial.
A evidência desta última Copa é que acabou essa fase de crescimento relativo dos sul-americanos.
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É verdade que a Europa tem vários dos piores times na Copa. Mas também tem quase todos os melhores. A comparação com as seleções europeias de 1994, a última Copa nos Estados Unidos, é impressionante. Trinta dois anos atrás não havia ninguém da Europa com a coleção de talentos de Espanha, França, Inglaterra e talvez até da Bélgica. A primeira semifinal da Copa foi uma aula:a França com o seu ataque poderoso e a Espanha com o seu controle da bola — parecia um jogo entre dois aspetos da velha escola brasileira.
A Europa ocidental aprendeu como desenvolver talentos, e isso está puxando um crescimento também das seleções africanas. E neste cenário a América do Sul está tentando fazer frente com garra, com um espírito de luta que vem da importância da seleção e da Copa do Mundo na formação de identidades nacionais. É futebol como guerra, os jogadores dispostos a tudo para expulsar os invasores vestindo uma camisa de uma cor diferente.
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Foi neste espírito que o Equador e depois o Paraguai conseguiram vencer a Alemanha, e foi também neste espírito, junto com lances geniais de Lionel Messi, que levou a Argentina para a grande decisão do domingo. Mas não é suficiente — e pega mal quando perde, que é justamente quando sai todo tipo de exagero e conduta anti-desportiva.
Queremos raça? Precisamos de mais. Que tal uma ideia futebolística, incorporada como parte de um processo nacional? Afinal de contas, deu certo para a Espanha.
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