CBF tira promessa do papel e dá primeiro passo para aproximar Seleção da torcida brasileira
Plano da entidade prevê amistosos no país e busca fortalecer relação da equipe com os torcedores para além das Eliminatórias
A CBF começou a dar os primeiros passos para aumentar a presença da seleção brasileira em solo nacional. Segundo o “Estadão”, a entidade já consulta federações e avalia estádios que possam receber amistosos na Data Fifa de novembro, entre os dias 9 e 17.
O movimento vai ao encontro de uma promessa feita pelo presidente Samir Xaud, que afirmou que pretendia levar a equipe para jogar “mais no Brasil do que fora” após a Copa do Mundo, em uma tentativa de fortalecer a conexão entre Seleção e torcida.
A iniciativa representa uma mudança em relação ao que se viu nos últimos anos, quando a Canarinho passou a atuar com frequência fora do país — muitas vezes por questões comerciais. Com isso, o contato do time com o torcedor brasileiro ficou praticamente restrito às Eliminatórias, reduzindo as oportunidades de diferentes regiões receberem a Seleção de perto. A intenção da atual gestão é justamente ampliar essa presença e aproximar novamente a equipe do público nacional.
Promessa da CBF começa a sair do discurso
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Ainda em maio, durante participação no FutPro Expo 2026, realizado em Fortaleza, Samir Xaud antecipou que pretendia mudar a política da CBF em relação aos amistosos da seleção brasileira.
— Depois dessa Copa, vamos trazer a seleção para jogar mais no Brasil do que fora, pois o povo brasileiro merece, e a gente quer resgatar essa conexão com os torcedores, é um compromisso meu.
Dois meses depois, a movimentação indica que esse plano começou a sair do discurso. Como citado, a CBF já teria consultado algumas federações sobre a possibilidade de receber partidas da Seleção na Data Fifa de novembro. Entre os desejos da entidade está o de levar o time com mais frequência ao Nordeste, região que historicamente recebe menos compromissos da equipe nacional em comparação com outros centros do país.
O projeto, porém, não se resume à escolha das sedes. Ao ampliar o número de amistosos em território brasileiro, a CBF também busca recuperar uma proximidade que se perdeu ao longo dos últimos ciclos. Enquanto a marca da Seleção se fortaleceu internacionalmente com partidas disputadas em diferentes mercados, muitos torcedores passaram anos sem a oportunidade de acompanhar o time de perto.
Um exemplo dessa mudança de direção ocorreu antes da atual Copa do Mundo. No dia 31 de maio, o Brasil se despediu do país com uma vitória por 6 a 2 sobre o Panamá, no Maracanã, antes do embarque para os Estados Unidos. Agora, a intenção é que esse tipo de compromisso em solo brasileiro deixe de ser uma exceção e passe a fazer parte do calendário da equipe de Carlo Ancelotti.
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Calendário indefinido influencia planejamento para a seleção brasileira
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Apesar da intenção de realizar mais partidas no Brasil, alguns obstáculos ainda precisam ser superados. Um deles envolve justamente os adversários. Carlo Ancelotti pretende utilizar o início do novo ciclo da Canarinho para enfrentar equipes de alto nível, capazes de oferecer testes competitivos pensando na Copa do Mundo de 2030. Convencer essas seleções a viajarem ao Brasil será um dos desafios da CBF nas negociações.
Antes da janela de novembro, a equipe ainda terá compromissos entre setembro e outubro em uma Data Fifa com formato excepcional. Serão 16 dias destinados a treinamentos e jogos, permitindo a realização de até quatro amistosos — dois a mais do que normalmente acontece.
Embora a CBF ainda não tenha oficializado os confrontos, a Federação Australiana já anunciou dois amistosos contra o Brasil, marcados para os dias 25 e 29 de setembro, nas cidades de Townsville e Brisbane. Também existe a possibilidade de uma terceira partida durante esse período, desta vez em algum país da Ásia, mas o adversário e o local ainda não foram definidos.
O planejamento da entidade também depende das definições sobre as Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2030. Com Argentina, Paraguai e Uruguai já garantidos no Mundial por receberem partidas da celebração do centenário da competição, a Conmebol ainda discute qual será o modelo classificatório para as demais seleções do continente, entre elas o Brasil.
Uma das propostas em estudo prevê um formato semelhante ao da Liga das Nações da Uefa, com troféu e premiação em dinheiro. Além de preservar o interesse esportivo e comercial do torneio, a ideia é garantir que todas as seleções disputem o mesmo número de partidas como mandantes, evitando perdas financeiras para as federações.