Quem é a brasileira de 16 anos disputada por clubes europeus e faculdades americanas?
Atleta já recebeu convocações de seleções da Alemanha e Israel
Noemi Scheinkman trilha a sua caminhada para realizar o sonho de se tornar um dos grandes talentos da nova geração do futebol brasileiro. Aos 16 anos, a meia-atacante acumula convocações não apenas pela seleção brasileira, mas por Alemanha e Israel.
Nascida no país europeu e filha de brasileiros, a atleta vive uma nova fase. Noemi retornou para o Brasil, onde foi convidada para um período de treinamento na equipe sub-20 do Flamengo.
A experiência e boa atuação chamaram a atenção de clubes na Inglaterra, Portugal, Espanha, Holanda e Alemanha, que desejam receber a jogadora para períodos de treinos e partidas na Europa.
— Jogar no Flamengo foi um sonho realizado. A intensidade, a paixão e a cultura do futebol no Brasil me fizeram crescer em todos os aspectos. A possibilidade de atuar na Europa me empolga muito — é onde se joga um dos melhores estilos do mundo, e quero me desafiar nesse nível — contou a jovem.
Mas para além do continente, Noemi Scheinkman também foi convidada por sete universidades dos Estados Unidos. O planejamento também se alinha com o desejo de cursar engenharia, sem deixar de competir em alto nível.
A atleta vai disputar a Elite Club National League (ECNL), principal liga do futebol de base feminino dos EUA. O objetivo é que a meia mantenha o ritmo e a forma física, enquanto estuda.
Apesar das importantes conquistas, ainda há espaço para novos sonhos e metas, que incluem vestir a camisa da seleção brasileira. Noemi opta por defender a amarelinha em momento oportuno. Com o crescimento do futebol feminino no País, foram aplicados incentivos — ainda que tardios — ao desenvolvimento das categorias de base na modalidade.
A primeira competição de base feminina foi o Brasileirão sub-18, criado pela CBF em 2019. O calendário atualmente inclui a nível nacional Liga de Desenvolvimento sub-16 e sub-14 e o Brasileiro nas categorias sub-17 e sub-20. Além disso, as divisões juvenis da Seleção disputam torneios como o Mundial, o Sul-Americano e a Liga Evolução da Conmebol.
A meio-campista já passou pela equipe sub-15 brasileira após a convocação da técnica Simone Jatobá e quer voltar às listas para trilhar caminho semelhante ao de estrelas como Ary Borges e Angelina, que defenderam a seleção brasileira na base, se destacaram e agora estão no plantel principal.
— Vestir a camisa do Brasil é uma das maiores honras da minha vida. Estou trabalhando todos os dias para ter essa oportunidade novamente — diz Noemi.
Ao levar em consideração a reestruturação na Seleção, o objetivo pode se concretizar nos próximos anos.
As mudanças implementadas focam em renovar o elenco profissional. Às vésperas da Copa América 2025, que deu ao Brasil seu nono título do torneio, a CBF reforçou a intenção de ampliar o grupo para 30 jogadoras e assim expandir as formas de trabalho da comissão técnica e conceder mais oportunidades a promessas
Quinze novas figuras apareceram na convocação de Arthur Elias em relação à edição anterior do torneio, e o plantel registrou média de idade de 26 anos. Mesmo com tantas novidades, a veterana Marta continuou a ser uma das protagonistas e só fez aumentar o apreço de Noemi pela Seleção.
Inspiração em Marta e ‘estilo brasileiro’ moldam trajetória de Noemi
É inegável o poder de Marta Vieira da Silva nas diferentes gerações de meninas e mulheres que sonham com o futebol. Com Noemi não é diferente.
— No futebol feminino e óbvio que é a Marta (sua inspiração). Eu tenho uma camisa da Seleção assinada por ela. O que eu mais gosto na Marta é o que ela representa o Brasil, e o fato dela levar o nome do futebol brasileiro para o mundo todo — conta.

Isso se torna ainda mais significativo ao considerar que Noemi passou a maior parte da carreira no exterior. Se mudou para os Estados Unidos aos 8 anos, onde iniciou no futsal até migrar para o futebol de campo.
Filha de Leonardo Scheinkman, que trabalhou como assessor de Dante e Rafinha na época em que eles jogavam no Bayern de Munique, viu o esporte fazer parte da sua formação.
Um intercâmbio em 2023 abriu novas fronteiras para a jogadora. Com destino a Israel, a atleta ingressou no Maccabi Petach-Tikva, onde se destacou somando 14 gols e distribuiu 23 assistências.
Os resultados foram correspondidos com a convocação para a seleção alemã e, mesmo sem cidadania israelense, a jogadora também foi chamada para treinamentos com as seleções sub-15, sub-16 e sub-17 do país.

Com a influência do futebol alemão e norte-americano, a meia-atacante também busca conciliar as técnicas aprendidas com o estilo brasileiro. A experiência em Israel, segundo a atleta, trouxe pontos positivos para desenvolver as características Canarinhas, já que por lá é possível atuar com criatividade e posse de bola.
Mesmo com tantos lugares conhecidos no exterior e experiências vivenciadas, nenhum despertou em Noemi o mesmo encanto que o Brasil. Segura do potencial, até mesmo a oportunidade de treinar com o grupo foi considerada pela própria atleta como ‘uma experiência única e gratificante, que marca o início de uma jornada emocionante’.
— Iniciar os treinamentos com a Seleção, pela primeira vez, é uma sensação incrível e emocionante. É uma oportunidade de representar o seu país em competições internacionais, o que é um sonho. É um momento de grande orgulho e responsabilidade, onde se busca dar o melhor de si para alcançar os objetivos da equipe e contribuir para o sucesso coletivo. Essa é uma experiência única e gratificante, que marca o início de uma jornada emocionante, onde pretendo mostrar meu futebol para que a comissão tecnica possa avaliá-lo da melhor maneira possível —

Para além da seleção, há também uma admiração por Érika, uma das jogadoras emblemáticas do Corinthians e ex-seleção brasileira. A inspiração na zagueira vem da sua persistência, após a jogadora voltar a atuar depois de recuperar da segunda grave lesão no joelho em três anos.
Figuras emblemáticas e inspiradoras servem para Noemi como guia em uma trajetória que pode rumar para um futuro repleto de novas oportunidades, em uma nova geração que pode alcançar feitos inéditos.



