Como foi o início do projeto da CBF para integrar clubes e seleções femininas de base
Projeto concluiu a primeira fase em outubro e terá nova fase em 2026
A CBF encerrou o ano com a primeira experiência de um novo projeto voltado para o futebol feminino. Anunciado em outubro de 2025, o planejamento tem como objetivo integrar clubes e seleções femininas de base.
Durante a primeira experiência, a Confederação Brasileira convidou a diretora de futebol da Ferroviária, Nuty Silveira, para compor a gestão da seleção feminina Sub-20 durante os amistosos com o México na Data Fifa de outubro.
Nesse período, a dirigente das Guerreiras Grenás acompanhou diariamente o processo da parte logística, de administração e de planejamento da modalidade na esfera da equipe nacional.
Em entrevista à Trivela, Nuty compartilhou as experiências adquiridas no período e como o processo de integração com a seleção pode influenciar no desenvolvimento da modalidade nos clubes.
— É bem diferente de um clube em que você faz uma logística para uma competição de poucos dias. É muito diferente quando você está lá [com a seleção]. A gente sai de uma esfera de clube para uma esfera muito maior, mas tem coisas que a gente pode trazer para a nossa realidade e aplicar no nosso contexto — afirma.
Um dos pioneiros no investimento do futebol feminino no Brasil, a Ferroviária também se tornou referência no desenvolvimento das categorias de base e anunciou em 2024 a reestruturação do CT do Pinheirinho, que será dedicado exclusivamente às Guerreiras.
— Acho que vai ser muito importante para outros clubes terem essa vivência e principalmente esse elo [com a CBF]. Falando da Ferroviária, há muitos anos a gente vem formando jogadoras que estão chegando na seleção das nossas categorias de base até a principal– explica.

A aproximação com a entidade máxima do futebol brasileiro foi um ponto ressaltado por Nuty no período em que esteve no projeto. A diretora da Ferroviária destacou a importância da oportunidade para outros clubes, e que traz uma valorização para as equipes que investem nas categorias de base.
— Essa aproximação também dá uma retaguarda bacana para o clube. Essa experiência é extremamente importante para a gente trazer [o que aprendemos] e formar melhor nossas jogadoras para o contexto brasileiro e mundial, acho que esse é o nosso grande objetivo — pontua.
Para além da experiência interna, a dirigente da Ferroviária reforçou uma outra conquista: a de ações de visibilidade para o futebol feminino, com a expansão da transmissões de jogos das categorias de base.
— Uma das coisas que nós vínhamos falando com o CBF era a questão da transmissão dos jogos das categorias de base no YouTube, que já tinha com a Federação Paulista. Na CBF, os campeonatos sub-17 e sub-20 não tinham, mas vai passar a ter a partir do ano que vem. Isso faz com que os clubes apareçam mais e possam ver mais atletas — reforça.

— Acho que para o papel de federação e de CBF, vai ser extremamente importante. Eles têm que disseminar a competição, têm que fomentar, têm que fazer festivais, têm que transmitir essas partidas — declara.
Para 2026, o clube já traçou os planos para o futebol feminino, que terá pela frente uma temporada de novidades para a modalidade com a ampliação das competições nacionais. Em meio ao processo, Nuty reforçou que o investimento será na melhora das categorias de base.
— Fizemos uma reunião para falar do planejamento de 2026, traçando as metas do que a gente quer, pensando no que a gente vai investir e melhorar, principalmente na categoria de formação porque eu quero ter a melhor categoria de base do Brasil, no sentido de desenvolver melhor as minhas atletas para que elas cheguem preparadas na categoria principal — projeta.
Os próximos passos da CBF para o projeto
Com a primeira etapa do projeto concluída, a CBF já planeja os próximos passos, que seguirá fortalecendo a relação com os clubes, especialmente em meio às competições internacionais.
— Para o próximo ano, a ideia é seguir desenvolvendo essa conexão com os clubes. Em 2026 temos uma missão muito grande, que são dois sul-americanos e dois mundiais, e isso a gente não consegue sem trazer os clubes para perto de nós — declarou o Gerente das Seleções Femininas de Base, Gabriel Mastrodomenico.
O dirigente informou que em 2026, a confederação tem como objetivo cumprir um cronograma de visitas em polos de formações de atletas, buscando diferentes regiões para acompanhar as atividades das categorias de base.
— Ano que vem a gente vai ter uma agenda de visitas aos principais formadores e a outros polos de formação do Brasil, que ainda não conseguimos ter hoje no nosso radar do jeito que gostaríamos. Então teremos mais visitas técnicas para as categorias sub-17 e 20, sempre acompanhando treinos e jogos — afirma.

A ideia é que o programa tenha um rodízio de participação dos gestores, que será previamente alinhada com os clubes diante dos compromissos da seleção e das próprias equipes.
— Devemos ter, sim, outros gestores convidados, mas isso obviamente é alinhado a cada convocação, porque também envolve uma questão das diretorias, pois não é fácil para um clube abrir mão do seu gestor por 10 dias, então também tomamos muito cuidado com esses convites — explica.
Para Gabriel, o processo de aproximação entre CBF e clubes vai além das jogadoras, e também busca o acompanhamento da comissão técnica e gestores.
— Essa troca acontece além da área de gestão, mas também na parte técnica e de saúde e performance. Mesmo com os desafios de agendas e calendários, vamos tentando construir essa relação dia a dia da melhor forma possível.



