Futebol feminino

Por que veto da liga a contrato de campeã olímpica ameaça o futebol feminino nos EUA

Liga dos Estados Unidos, uma das mais fortes do mundo na modalidade, passa a ganhar concorrência forte da Europa

Um dos atuais nomes importantes do futebol feminino, a jogadora Trinity Rodman vive uma fase de indefinição sobre a permanência da National Women’s Soccer League (NWSL). O Washignton Spirit, Rodman e a Liga tentam chegar a um acordo sobre os termos do novo contrato. Contudo, algumas restrições impedem a jogadora de renová-lo.

Como a grande maioria das ligas esportivas americanas, a NWSL possui um teto salarial. De acordo com o “The Athletic”, a folha salarial de uma equipe na competição não pode ultrapassar 3,5 milhões de dólares (cerca de R$ 18 milhões) em 2026. Esse valor aumenta gradualmente e deve chegar em 5,1 milhões de dólares até 2030.

De acordo com o “The Athletic”, o Spirit teria oferecido a Rodman um contrato de quatro anos que, com mais de 1 milhão de dólares por ano (cerca de R$ 5 milhões), seria o mais lucrativo da história da liga. No entanto, a NWSL vetou o acordo na semana passada, por acreditar que violava as regras do teto salarial.

Ainda segundo o jornal, o contrato proposto previa o pagamento do salário da jogadora de 23 anos a partir de 2027, quando um novo acordo de direitos de mídia da NWSL entraria em vigor. 

A proposta se alinharia com o novo momento da liga, que tem registrando recordes de audiência em 2025, fazendo com que o Spirit argumentasse que a receita poderia permitir que o teto salarial subisse além das projeções atuais a partir de 2027, tornando a oferta do clube compatível com a legislação.

O “The Athletic” informou que o a NWSL acredita que esse plano se baseia em suposições e pode impedir que o Spirit tenha um elenco completo. Em resposta à liga, a associação de jogadoras entrou com uma queixa, alegando que os direitos de Rodman como agente livre foram prejudicados.

Trinity Rodman, em atuação pelo Washington Spirit (Foto: Imago)
Trinity Rodman, em atuação pelo Washington Spirit (Foto: Imago)

— Se eles podem interferir nos direitos de Trinity Rodman como agente livre, podem interferir nos de qualquer pessoa. Não vamos tolerar isso — afirmou Meghann Burke, diretora executiva da associação de jogadoras da liga norte-americana, ao “The Athletic”.

Impasse pode gerar interesse de outras ligas por Rodman

O jornal inglês comunicou que, na última quinta-feira, um grupo de membros do Congresso dos EUA, responsáveis ​​por garantir o cumprimento das leis trabalhistas do país, enviou uma carta aberta à comissária da NWSL, Jessica Berman, solicitando que a representante encontre uma solução.

Para a atacante, caso o impasse não seja resolvido, ela terá mercados importantes à espera. Isso porque, diferentemente de ligas como a NBA, a NFL ou a NHL, a NWSL enfrenta forte concorrência internacional.

Entre elas (e especialmente elas), as ligas europeias, que além da alta qualidade e de influência mundial e com clubes históricos, possuem regras de gastos menos rigorosas.

A NWSL não tem, no momento, uma forma definida de pagar a ela o valor justo de mercado — afirmou o agente de Rodman, Mike Senkowski, à CBS na semana passada.

A oportunidade de jogar no exterior também poderá se alinhar com um desejo antigo da jogadora, que já declarou à “ESPN” ter pensado em jogar em outras ligas e que era questão de tempo.

Arsenal x Chelsea na Womens Super League (Foto: Imago)
Arsenal x Chelsea na Womens Super League (Foto: Imago)

Ainda segundo o jornal inglês, Trinity já teria recebido várias ofertas de clubes europeus que superam o que um time da NWSL poderia pagar. De fato, o momento vivido pelas competições europeias tem elevado as disputas de mercado por jogadoras, ampliado com o crescimento da modalidade em nível mundial.

A Superliga Feminina da Inglaterra, a divisão mais rica e competitiva da Europa, aparece como um dos principais cenários. O impasse sobre o teto salarial, inclusive, já tem refletido em transferências importantes.

O interesse não surpreende, uma vez que Trinity foi campeã olímpica com os EUA nos Jogos de Paris 2024 e já foi até indicada à Bola de Ouro, em 2022, quando tinha apenas 20 anos.

Naomi Girma e Alyssa Thompson, ambas jogadoras da seleção dos Estados Unidos (assim como Trinity) deixaram a NWSL para jogar no Chelsea, atualmente o time feminino de futebol mais valioso do mundo.

Vale ressaltar que uma possível saída de Rodman não se deve à falta de dinheiro para bancar a jogadora, já que o Spirit pertence a Michele Kang, bilionária com importante atuação no futebol feminino e cujo portfólio também inclui o Lyon e o London City Lionesses.

Como argumentou o “The Athletic”, o teto salarial voltado para o esporte nos Estados Unidos é vulnerável à concorrência de outros países e, mesmo com a mudança proposta, que permitiria às equipes usar fundos adicionais para pagar jogadoras que atendam a requisitos esportivos e comerciais, não seria suficiente para “brigar” iberdade financeira concedida aos clubes estrangeiros.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo