Marta é farol em geração que valoriza seu legado e constrói o futuro da Seleção
Rainha do futebol guia nova geração rumo ao fortalecimento do futebol feminino no Brasil
Ter no elenco alguém em quem confiar nos momentos mais desafiadores é um privilégio para qualquer técnico e equipe no esporte coletivo, seja em seleção ou clube. Mas poder contar com a maior jogadora de todos os tempos em plena atividade é uma honra para poucos. Marta Vieira da Silva se enquadra nos dois exemplos.
É redundante falar que os incontáveis títulos da Rainha do Futebol não são à toa. E, mesmo sem precisar provar mais nada na carreira, Marta foi além de decisiva em mais uma partida pela seleção brasileira, na conquista do nono título da Copa América.
A atacante tem sido fundamental na transição de uma nova geração que traz motivos para sonhar com conquistas inéditas e vem se solidificando como equipe, mas que, por vezes, procura pela figura da seis vezes eleita melhor do mundo como farol e liderança quando precisava de uma referência.

Foi talismã de Arthur Elias ao entrar no fim do segundo tempo e marcar dois gols que levaram a seleção brasileira à disputa de pênaltis, e segue sendo a maior inspiração para uma geração de jogadoras (independente da nacionalidade) que valoriza o legado de quem pavimentou o caminho.
E, nesse processo, Marta continua sendo Marta, no sentido mais puro da palavra. Distribuindo assistências, com maior liberdade ofensiva (estilo de jogo característico do técnico), marcando gols — como tem feito desde os amistosos em 2024 e na Copa América –, conquistando títulos e com a competitividade e paixão que a moveu durante toda a carreira.
Mas também reflete o seu lado humano, que nunca deixou de ser esquecido, ao também precisar de apoio nas mais novas nos roteiros impostos pelo futebol. Emocionada, relembrou o apoio recebido por parte das companheiras de equipe após perder o pênalti depois de uma partida iluminada.
— Eu estava ali pedindo a Deus que não que não me castigasse tanto, porque entrar no jogo como estava, ser agraciada com o gol de empate, depois mais um gol… A gente acabou dando um vacilo nos últimos minutos e elas empataram. Eu voltei depois da cobrança de pênalti muito abalada, mas elas não me deixaram abalar sempre acreditando, sempre confiando que a gente iria conseguir, sempre confiando que a Lorena ia pegar os pênaltis. O nosso objetivo maior, sem dúvida, é ver o futebol brasileiro e sul-americano brilhando cada vez mais — contou a jogadora ao “Sportv”.

A Copa América, inclusive, se despede da atacante a coroando com o título e o troféu de melhor jogadora. Marcando uma trajetória que teve início com destaque aos 22 anos na competição continental e que se encerra aos 39 anos ainda maior.
Aliás, se despede com um legado ainda mais valioso: lutando por melhorias e valorização da própria Conmebol para o futebol feminino, quando a seleção brasileira expôs o descaso da confederação à preparação das jogadoras.
Agora, depois de tanta história escrita dentro e fora das quatro linhas, a atacante divide com novas jogadoras a responsabilidade de carregar a braçadeira de capitã, liderar jogos e continuar pavimentando o futuro da modalidade, que tem logo à frente a disputa da Copa do Mundo de 2027, no Brasil.

— Eu contribuí até onde eu pude e eu acho que as meninas estão prontas. Elas vão lá e vão ganhar a Copa e eu vou curtir como se eu estivesse jogando também, caso eu não esteja, porque isso foi a minha vida. Sempre fui pautada em estar aqui na Seleção e eu sempre deixei bem claro que, em qualquer circunstância, se me ligarem, se me chamarem, eu vou estar sempre à disposição da Seleção para contribuir.
Mas apesar de tudo, falar de Marta é falar de eternidade, porque o legado que fica vai muito além do futebol, atravessa gerações, nações e o próprio tempo segue mostrando ainda mais a grandeza da alagoana de Dois Riachos.
E apesar de estar vivendo o presente e o futuro seguir em aberto, ainda é possível sonhar com a presença da rainha na Copa do Mundo no Brasil, mas sempre lembrando de valorizar cada momento da brasileira em campo.
Temporada de sucesso pode colocar Marta na corrida pela Bola de Ouro?
Desde a recente criação da Bola de Ouro voltada para o futebol feminino, em 2018, Marta não entrou na lista das elegíveis para a disputa do prêmio. Mas, a última temporada da brasileira pode colocar a rainha do futebol entre as cotadas para conquistar o troféu dado pela revista “France Football”.
Entre conquistas coletivas e individuais, Marta acumula prêmios.
Pelo Orlando Pride, clube em que a jogadora atua desde 2017, a camisa 10 foi um dos destaques na conquista do título da National Women Soccer League (NWSL), marcando o gol que levou o time à final, em 2024. A equipe também levou o NWSL Shield, troféu oferecido pela liga ao time de melhor campanha durante a temporada regular.
Em 2025, conquista a Copa América, é eleita a melhor jogadora da final do torneio e melhor jogadora da competição. Como destacou o perfil “Mundo Pelota”, dedicado ao futebol feminino, Marta acumula cinco gols em cinco partidas de eliminação direta, em jogos disputados entre clube e seleção.
A “France Football” anunciará as indicadas ao prêmio nesta quinta-feira (7), mas a campanha por Marta já foi iniciada nas redes sociais.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
O futuro da seleção brasileira
Os últimos anos da seleção brasileira feminina passaram pela reformulação do elenco, comissão técnica, eliminações precoces, medalhas e títulos inéditos. Em meio às mudanças, há um discurso emblemático proferido por Marta, que profetizou os próximos passos da Canarinha.
— Valorize. A gente pede tanto, pede apoio, mas a gente também precisa valorizar. Acho que é esse o primordial, ter que chorar no começo para sorrir no fim. Quando digo isso é querer mais, treinar mais, estar pronta para jogar 90 e mais 30 minutos e mais quantos minutos forem necessários. É isso que peço para as meninas. Não vai ter uma Formiga para sempre, não vai ter uma Marta para sempre, não vai ter uma Cristiane. O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Então pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim.
Desde então, existe uma nova seleção brasileira, formada por jovens talentos com novas contribuições e amadurecimento, já que parte do elenco disputou as Copas de 2019 e 2023. Nesse meio tempo, testes foram feitos, outras lideranças chegaram para dividir a responsabilidade com Marta, e novos talentos buscando se firmar.
A braçadeira, inclusive, reveza entre Angelina e Kerolin, além da própria camisa 10. Mas para além da postura, há também um desenvolvimento individual, além da tão pedida ação mais ofensiva em campo, característica do treinador Arthur Elias.

No gol, as atuações de Lorena durante as Olimpíadas de Paris, amistosos e, especialmente, nas disputas de pênaltis, trouxeram confiança para o elenco no setor defensivo, que também pode contar com Tarciane e Yasmin. O meio-campo traz consigo a maturidade e liderança de Angelina, fortalecendo os desarmes e trabalhando as jogadas para o ataque.
E, claro, o ataque que conta com o brilho das veteranas Kerolin — artilheira do Brasil durante os amistosos –, o retorno crucial de Gio Garbelini e o trunfo de Arthur Elias: a chegada de Dudinha, Johnson e Amanda Gutierrez.
Para a Copa do Mundo de 2027 e as Olimpíadas de 2028, ainda há um caminho a percorrer, com possíveis mudanças, ausências e chegadas, além do desenvolvimento do próprio time. Mas o histórico recente pode nos guiar com os resultados.
Mas é importante lembrar que, se hoje podemos sonhar com a nova geração buscando títulos inéditos pelo Brasil, é porque tivemos jogadoras que pavimentaram o caminho da seleção: Sissi, Pretinha, Formiga, Cristiane, Marta e tantas outras que defenderam a modalidade.



