A mudança que a Conmebol planeja para a Libertadores feminina após crescimento da categoria
Modalidade se expandiu na América do Sul ao longo dos últimos anos, mas ainda sofre com falta de calendário e interesse no cenário local
Às vésperas da primeira edição da Copa dos Campeões Feminina (semelhante ao antigo modelo de Mundial de Clubes), a Conmebol celebra nesta segunda-feira (26) as evoluções que a modalidade teve na América do Sul ao longo dos últimos dez anos.
Entre 2015 e 2025, período em que Alejandro Domínguez está à frente na presidência da Conmebol, o investimento da entidade no futebol feminino cresceu 198%. Além disso, programas criados ao longo dos últimos anos permitiram que mais de 20 mil novas meninas tenham oportunidades de praticar o esporte desde as categorias de base.
Levantamento da Conmebol também apontou que, anualmente, cerca de mil treinadoras se formam nos programas de especialização promovidos pela entidade. Entretanto, apesar deste número, a Fifa revelou, no início de 2025, que apenas 22% dos clubes das principais ligas femininas ao redor do mundo são comandadas por mulheres.
Na onda do crescimento do futebol feminino, a entidade que organiza o futebol sul-americano já divulgou a ideia de mudar o regulamento da sua principal competição da categoria: a Libertadores.

Diferentemente do masculino, no feminino o torneio não é disputado ao longo do ano, mas sim em apenas duas semanas, com sede fixa, ao final da temporada — o que já foi alvo de muitas críticas. Atualmente, conta com 16 clubes, divididos em quatro grupos.
Organizado desde 2009, o torneio foi sediado até 2014 exclusivamente no Brasil. De 2015 em diante, o país recebeu a competição apenas em 2018, em Manaus, e dividiu essa responsabilidade com Argentina, Uruguai, Paraguai, Equador e Colômbia, que também foram sedes ao longo dos anos.
Entretanto, a tendência é que, a partir de 2027, o torneio tenha seu formato reformulado. Para esta temporada, em função dos acordos comerciais e de transmissão já firmados, será mantido o modelo de disputa.
Diversos modelos estão sendo estudados pela Conmebol. Existe a possibilidade de expandir o número de equipes participantes, assim como ampliar a disputa para além de apenas um país sede — semelhante ao que ocorre com a Libertadores do futebol masculino.
Em 2025, quando o Corinthians conquistou seu sexto título continental, o torneio foi disputado nos Estádios Florencio Sola e Nuevo Francisco Urbano, na província de Buenos Aires.
Expansão do formato almeja disputa do Mundial de Clubes
Apesar dos números de expansão do futebol feminino, o continente ainda sofre com problemas relacionados à falta de apoio com a modalidade. Ao reformular a Libertadores, a Conmebol almeja ampliar o calendário de disputas para além das duas semanas em que o torneio é disputado.

Além disso, a falta de público nos países sede também é visto como um problema para a entidade. Os jogos são disputados, em sua maioria, em estádios distantes dos principais polos de atração — como ocorreu na Argentina, na última temporada. A sede do torneio deste ano ainda não foi definida.
A mudança da Conmebol também prepara os clubes para a disputa do Super Mundial de Clubes (Copa do Mundo de Clubes Feminina), que terá sua primeira edição em 2028. Diferentemente da Copa dos Campeões Feminina, que terá o Corinthians como único representante sul-americano em Londres, esse torneio será semelhante àquele organizado pela Fifa, em 2025, nos Estados Unidos, entre as equipes de futebol masculino.



