Futebol feminino

Como o Gotham FC, adversário do Corinthians, triunfa na NWSL com brilho brasileiro

Lateral Bruninha destaca força mental do grupo de Amorós para se sagrar bicampeão nos EUA e projeta jogo difícil contra as Brabas na Copa das Campeãs

Vencer uma das ligas mais competitivas do mundo é um desafio que não depende só de um time estrelado, harmonia ou vontade, e a lateral-direita Bruninha sabe bem disso.

Futebol é competência e também um pouco de sorte — diz ela à Trivela.

A jogadora de 23 anos do Gotham FC e da seleção brasileira fala com exclusividade ao site sobre as nuances da conquista do bicampeonato da National Women’s Soccer League (NWSL) Championship, os playoffs da liga de futebol feminino dos Estados Unidos, e projeta o confronto contra o Corinthians no dia 28 de janeiro, às 9h30 (horário de Brasília) na Copa das Campeãs.

O caminho rumo ao título nos EUA teve reviravoltas, destaque à força mental e superação dignos dos roteiros fictícios de “Batman” que serviram de inspiração ao nome do clube de Nova York — e deixa alerta às Brabas.

‘Sensação incrível’: Bruninha é destaque em título do Gotham FC na NWSL

Bruninha em ação pelo Gotham FC na NWSL
Bruninha em ação pelo Gotham FC na NWSL (Foto: Imago)

O personagem Bruce Wayne nos quadrinhos e cinema reforça a ideia de dominar medos e não desistir, independentemente de quantas dificuldades apareçam. Os conceitos também foram incorporados no Gotham.

A trajetória foi de superação. A gente passou por muitos obstáculos coletivos, individuais. Tivemos desafios individuais para superar, as barreiras tanto psicológicas quanto de lesões — ressalta Bruninha.

Além da camisa 3, Gabi Portilho e Geyse, emprestada pelo Manchester United, foram as brasileiras no elenco durante 2025.

— São características de versatilidade brasileira que, às vezes, a gente sente falta. Ajudou muito quando elas chegaram — comenta a jogadora.

Toda ajuda foi bem-vinda ao técnico Juan Carlos Amorós. O Gotham ficou perto de não se classificar aos playoffs da liga.

As oito melhores campanhas avançam, e o time nova-iorquino conquistou a última vaga com apenas um ponto de diferença para o 9º colocado North Carolina Courage (36 a 35).

Mas as dificuldades não pararam. Ainda seria preciso vencer a melhor equipe da temporada regular, Kansas City Current, para continuar a sonhar. Foi um jogo duro, decidido na prorrogação, e terminou em 2 a 1 para as Morcegas.

Em seguida, as adversárias foram Marta e companhia, do Orlando Pride. O cenário parecia indicar mais uma prorrogação, mas Jaedyn Shaw balançou as redes aos 52 minutos do segundo tempo e ajudou a colocar o Gotham na decisão pelo placar de 1 a 0.

A final foi contra o Washington Spirit, equipe que ficou na vice-liderança da tabela geral da NWSL. Dessa vez, a estrela de Bruninha brilhou ainda mais.

A brasileira deu a assistência para Rose Lavelle balançar as redes e contribuiu diretamente no 1 a 0 que sagrou o clube campeão. “Deu tudo certo”, celebra a lateral, aliviada.

— A gente sabia que tinha qualidade, se jogássemos juntas, de chegar muito longe na competição. Porém, a gente sabe como é o campeonato, muito competitivo. A gente manteve os pés no chão e foi avançando. Em alguns momentos, não tão bem, e em outros, melhores. A força coletiva fez com que a gente avançasse. É uma sensação incrível.

A conquista de 2025 — a segunda em três anos — rendeu ao time o prestígio de receber a chave da cidade de Nova York das mãos do prefeito Eric Adams em grande festa nas ruas.

Jogadoras e comissão técnica do Gotham FC recebem as chaves da cidade de Nova York
Jogadoras e comissão técnica do Gotham FC recebem as chaves da cidade de Nova York após bicampeonato (Foto: Imago)

Além disso, a trajetória foi bem similar à do troféu anterior, de 2023, o que reforça os conceitos intrínsecos no clube.

Ex-Santos, Internacional e Chapecoense, Bruninha desembarcou em Nova York no final da temporada 2022 e encontrou uma equipe baqueada por terminar a competição em último lugar na tabela. “Estava em um momento bem caótico”, relembra. “Entramos em 2023 sem muita expectativa”.

No entanto, abdicar da disputa pela taça não era uma opção. A brasileira destaca que o elenco tinha muita vontade de vencer e avançar o quanto fosse possível no torneio.

O Gotham ficou em 6º lugar, última posição que garantia vaga nos playoffs na época. Venceu North Carolina Courage e Portland Thorns nas quartas e semifinais, respectivamente, e bateu o Seattle Reign na decisão da “Championship”.

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Gotham sabe se reconstruir e deixa alerta ao Corinthians

Essa capacidade de se reinventar é um fator fundamental nas conquistas das Morcegas e deixa o Corinthians em alerta. Uma das novidades no calendário do futebol feminino em 2026, a Copa das Campeãs chega à fase final com encontros especiais, dentre eles, Gotham x Brabas.

A competição é uma espécie de Intercontinental para o futebol de mulheres e reúne as vencedoras continentais da temporada passada.

Permanecem na briga pelo título Corinthians (Libertadores), Gotham (Copa dos Campeões da Concacaf) e Arsenal (Champions League europeia) — que só jogam a partir das semifinais — e o ASFAR (Champions League africana), vitorioso da primeira fase.

Estou super animada. É muito legal a gente fazer esse confronto de culturas, ter essa experiência. São dois times que nunca se enfrentaram, confronto de campeãs dentro desses últimos três anos, ambas vencendo títulos. Vai ser incrível e único — afirma Bruninha.

A lateral ressalta que o Gotham está focado em melhorar o próprio jogo para prosperar no confronto, além de elogiar a qualidade do elenco das Brabas que, segundo ela, exige doses extras de atenção.

Um dos principais reforços no lado corintiano é a confirmação da renovação contratual com Gabi Zanotti, “Rainha da América” com as atuações na campanha do título da Libertadores.

— Temos absoluta certeza da qualidade do Corinthians, multicampeão que é. Um time muito forte, com jogadoras de seleção, jogadoras com muita qualidade — afirma.

Gabi Zanotti celebra gol do Corinthians
Gabi Zanotti celebra gol do Corinthians (Foto: Imago)

A equipe paulista também sabe que não deve ter vida fácil. “Gotham é um time difícil de enfrentar”, diz à Trivela Bianca Anacleto, jornalista do canal “GOAT” e do “Fut das Minas”, especializada na cobertura do futebol feminino.

O tom mais agudo na palavra “difícil” dá sinais do que Lucas Piccinato vai encontrar.

— O Gotham foi campeão da NWSL Championship. Não foi uma equipe regular na temporada, mas tem ótimas jogadoras — analisa.

O plantel agora disponível a Amorós inclui consagradas como a goleira Ann-Katrin Berger, a atacante Esther González e a meio-campista Rose Lavelle, além de Bruninha e Gabi Portilho — que reencontra o ex-clube.

O treinador tem ainda a jovem meia-atacante Shaw, de 21 anos, em ótima fase.

Não penso que vai ser um baile do Gotham, que vai jogar muito fácil. Mas acho que também não vai ser um jogo simples e fácil para o Corinthians. O Corinthians tem que fazer a partida da vida. É um desafio difícil — comenta Bianca.

O jogo será em 28 de janeiro (quarta-feira), às 9h30 (de Brasília), no Gtech Community Stadium, em Brentford, Inglaterra. A equipe que avançar enfrenta Arsenal ou ASFAR no dia 1º de fevereiro (domingo) no Emirates Stadium.

Do Mundial à Copa: as metas de Bruninha para o futuro

Conquistar esse troféu é a maior ambição de Bruninha a curto prazo. Ao pensar nas metas um pouco mais distantes, a jogadora diz que o foco é estar na Copa do Mundo 2027, sediada no Brasil. “Estou me esforçando muito para isso”, declara.

A mudança para o futebol dos EUA tem relação com o objetivo. “Me sinto privilegiada em poder ter a oportunidade de jogar aqui, porque é realmente incrível a visibilidade, o suporte que as atletas recebem, toda a estrutura”, salienta.

— O que me fez vir para cá foi a força física que as americanas têm desde muito novas, e isso foi algo que eu aprimorei bastante. Nitidamente evoluí muito nisso. Hoje eu sei que estar jogando em alto nível em uma liga competitiva faz com que eu tenha mais oportunidades em aprimorar as coisas que eu preciso melhorar dentro de campo e também oportunidades dentro da seleção brasileira, que é algo que eu sempre almejo muito.

A atleta marcou presença nas últimas listas de Arthur Elias em 2025 e enfatiza que a Seleção vive uma de suas melhores fases.

— Um time completamente ofensivo, o que todo mundo espera. Todo mundo que assiste o Brasil gosta de ver, que é o Brasil com bola, marcando alto, intenso, inteligente e sabendo jogar. Fico muito feliz de estar fazendo parte dessa evolução porque me faz amadurecer como jogadora e, obviamente, tudo o que a gente quer é estar na Seleção e ganhar títulos. A gente vê o Brasil muito perto disso e disputando em alto nível — conclui.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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