Substituições, riscos e mais: As lições que o Brasil pode tirar após derrota para a França
Brasil dominou o primeiro tempo, mas sofreu virada na segunda etapa durante o amistoso contra a França
As recentes (e grandes) vitórias do Brasil sobre adversários de alto nível e tradição no futebol feminino trouxeram uma confiança válida e necessária aos torcedores brasileiros. Entretanto, a derrota de virada para a França por 3 a 2, na última sexta-feira (27), lembrou pontos que a equipe comandada por Arthur Elias ainda busca melhorar antes da Copa América, marcada para acontecer entre 12 de julho e 2 de agosto no Equador.
O confronto entre as equipes remontou a uma lembrança positiva nos brasileiros: a vitória memorável sobre as francesas que resultou na eliminação das donas da casa durante os Jogos Olímpicos de Paris em 2024.
Contudo, é importante ressaltar alguns fatores que tornam o confronto mais recente bem diferente. Entre eles, o amadurecimento de um trabalho com um elenco que também conta com novas jogadoras e que passa por testes diante de um novo ciclo.
Para os amistosos, Arthur Elias optou por dar chances para novos talentos que se destacaram positivamente nas partidas contra o Japão, a exemplo das grandes estreias da meia Dudinha e da atacante Johnson, ambas de 19 anos, além do excelente retorno de Gio Garbelini à seleção.
Começo dominante e relaxamento
Ao entrar em campo contra a França em Paris, a seleção brasileira chegou a abrir 2 a 0 em menos de vinte minutos de jogo. Um começo dominante, que reforçou a marcação encaixada, criação — especialmente por parte de Kerolin — e a presença de um time ofensivo.
Mas a eficiência e pressão foram se perdendo ao tempo em que o fim da primeira etapa se aproximava. Com a confiança no placar e diante de uma França que buscava entender o adversário, o Brasil relaxou.

Utilizando o estilo de jogo de marcação individual, as chances de oscilação podem aumentar, já que um erro de marcação exige a recompensa de outros setores da equipe, que nem sempre conseguem responder a tempo de um contra-ataque determinante.
Dessa forma, quando o formato consegue se encaixar como previsto na partida, é imprescindível que as chances de gols sejam aproveitadas. Fator que também foi notado ainda no primeiro tempo, onde o Brasil formatou o seu jogo de forma positiva, mas desperdiçou grandes chances de ampliar o placar.
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Além da falta de eficácia, pesou o cansaço
Na segunda etapa, a equipe brasileira viu a pressão ofensiva se desfazer muito devido ao próprio cansaço das jogadoras. Uma desorganização começou a se fazer presente a partir de algumas substituições que, diga-se, demoraram a ser feitas.
Foi o momento exato em que a França entendeu o jogo do Brasil e respondeu em campo, com destaques para Karchaoui, Grace Geyoro (autora de dois dos três gols) e Katoto, que também balançou as redes.
O saldo da partida foi um lembrete de que é preciso encontrar formas de melhorar as finalizações, aproveitando as chances criadas e tentar prever as reações dos adversários diante de um estilo de jogo que corre mais riscos.
Mas vale ressaltar que o Brasil disputou os amistosos com uma equipe em fase de testes, dando oportunidades a novas jogadoras e, com isso, assimilando o estilo de jogo. Um processo feito diante de adversários de alto nível e que a seleção brasileira saiu vitoriosa em três das cinco partidas.

IMAGO / justpictures.ch)
As avaliações de Arthur Elias sobre França x Brasil
Após a partida contra a França, o técnico Arthur Elias trouxe observações sobre a última atuação do Brasil nos amistosos. O treinador destacou a superioridade brasileira na primeira etapa, mas também as chances de gols desperdiçadas, além de ressaltar o momento de construção do trabalho com o elenco para o novo ciclo da seleção.
— A gente iniciou o jogo dentro do plano. Para mim, no primeiro tempo, a gente poderia ter saído com 4 ou 5 a zero, e digo a zero porque a França não teve chance. A gente volta para o segundo tempo também criando oportunidades. Poderíamos ter feito o terceiro gol. A França também [entrou ] em um jogo arriscado contra a gente. Foram duas equipes que buscaram a vitória — analisou.
— A gente está em um processo de construção e as substituições elas foram um pouco tardias, mais do que eu costumo fazer. Elas foram justamente nesse processo de construir uma equipe que eu penso, não para a Copa América, mas de observações que eu preciso fazer. Vai ser assim: hora eu vou fazer substituições bem mais cedo, hora eu vou insistir um pouco mais.
Mirando a Copa América, Arthur Elias comentou sobre o processo curto de preparação para o último amistoso, mas destacou a virada de chave para a competição internacional.
— Tivemos quatro dias de preparação [para esse amistoso], muitas jogadoras que, para essa partida, não estavam em condições ideais. A gente vai ter um tempo agora para preparar o grupo inteiro para a Copa América, que é o nosso objetivo agora–, explicou o treinador.
Jogos do Brasil na Copa América
O Brasil estreia na Copa América no dia 13 de julho. A seleção está no Grupo B, ao lado da Venezuela, Paraguai, Colômbia e Bolívia. Confira os jogos do Brasil na primeira fase da competição
- Brasil x Venezuela – 13/07 (domingo)
- Bolívia x Brasil – 16/07 (quarta-feira)
- Paraguai x Brasil – 22/07 (terça-feira)
- Brasil x Colômbia – 25/07 (sexta-feira)



