Novidade na Seleção, Jhonson mira estreia: ‘Está dando certo tudo o que passei’
Jovem promessa do Corinthians é convocada pela primeira vez por Arthur Elias e destaca realização de sonhos na carreira
A atacante Jhonson, de 19 anos, acordou e seguiu a rotina programada para o dia 13 de maio de 2025 como se fosse uma terça-feira corriqueira. A agenda incluía ida ao cabeleireiro, local onde a joia do Corinthians estava quando recebeu a notícia tão aguardada quanto surpreendente de que fora convocada por Arthur Elias para defender a seleção brasileira feminina principal.
Aos risos, ela relembra à Trivela como reagiu.
— Descobri com todo mundo. Travei. Olhei para ver se era real — diz.
De Dumbinha em Londrina a Jhonson da seleção brasileira
O sorriso fica estampado no rosto da jogadora durante toda a entrevista. É um misto de felicidade e alívio para a Ingrid Aparecida Borges de Morais, que na infância era chamada de Dumbinha. Ela deixou a casa da família bem nova, na altura dos 13 anos, com o objetivo de seguir o sonho de jogar futebol.
O destino, depois de passagem pelo Londrina, era o Toledo. Lá, a Ingrid — ou Dumbinha — deu lugar à Jhonson. “Foi do dia a dia, resenha com as meninas”, explica a jovem sobre a origem do apelido.
— Brincadeira vai, brincadeira vem, as meninas começaram a me chamar de Jhon. Aí o treinador falou: ‘Jhon, não. Vamos colocar Jhonson’, já pensando lá fora.

Jhonson conquistou projeção nacional ao se destacar no Campeonato Paranaense Sub-17 e no Campeonato Brasileiro de 2020 com o Toledo, que tinha parceria com o Coritiba na época. O desempenho a levou às divisões de base da seleção feminina e atraiu interesse do Corinthians. “Tive outras propostas, mas falou mais alto o time do coração”, diz a atleta, que se transferiu ao clube em 2023.
O contrato junto ao Alvinegro inicialmente era em caráter de empréstimo, e em dezembro passado houve assinatura para tornar a transação definitiva. Dessa forma, Jhonson firmou vínculo com as Brabas até 31 de dezembro de 2028.
A atacante tem 14 bolas na rede e uma assistência em 18 partidas disputadas no Corinthians e é vice-artilheira do Brasileirão da modalidade nesta temporada, com oito gols marcados. Aparecer na lista de Arthur Elias para defender o Brasil nos amistosos contra o Japão nesta sexta-feira (30) e na segunda-feira (2) representou a realização de um sonho.
Não à toa, a jovem ficou sem palavras ao comentar o assunto.
— Fiquei muito feliz. Nossa! Passa na cabeça assim: ‘Um dia, estarei lá’, mas ninguém comunicou nada. Saber de repente foi…
Estar na seleção principal também proporciona novas expectativas. Jhonson projeta um período de muito aprendizado e ajuda ao grupo. Outra meta é mostrar ao mundo o futebol e as performances que a colocaram no radar da comissão técnica. Fora do campo, a jogadora não esconde o nervosismo em conhecer uma de suas inspirações, a atacante Marta, do Orlando Pride.
A camisa 10 e a promessa corintiana têm em comum serem novidades na convocação. Marta não integrava a relação desde as Olimpíadas de Paris 2024 e retornou para os compromissos diante do Japão. Ao ser questionada sobre o que falaria à Rainha, Jhonson evidencia sua timidez. “Ficaria com muita vergonha. Acho que não sairiam palavras”, responde. Kerolin, do Manchester City, também é uma atleta que a joia anseia por conhecer.
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Artilheira na expectativa pela estreia no Brasil
O primeiro duelo contra as japonesas, nesta sexta-feira (30), começa às 21h30 (de Brasília) na Neo Química Arena, em São Paulo. A jogadora revela a apreensão com a possibilidade de estrear com a Amarelinha “em casa”, mas isso não tem relação apenas com a partida.
“Vou trazer minha família também. Eles nunca assistiram a um jogo meu pelo Corinthians, agora vão assistir pela seleção. É uma emoção maior ainda”, afirma.
Michelle e José Raimundo são os pais da sonhadora atacante e estão garantidos na arquibancada em apoio à filha, que valoriza a trajetória.
— Minha mãe ficou com medo de me deixar sair de casa cedo. Eu não sabia de nada. Meu pai me ajudou também, mas fiquei com pé atrás por causa da minha mãe. Saí muito nova de casa e está dando certo tudo o que passei.

A caminhada até aqui é definida pela artilheira com a palavra “coragem”. Foi preciso superar problemas de saúde, como lesões nos meniscos e apendicite, derrotas e, principalmente, a saudade de casa para que pudesse comemorar conquistas pelo Corinthians e a vaga na seleção.
Os feitos a colocam ainda em uma categoria de modelo a ser seguido para outras jovens atletas. “Eu sou uma motivação para as meninas da base, querendo ou não. Não só no Corinthians, mas no Toledo e no Londrina também. É o sonho de toda menina estar na seleção, jogando em um time grande como o Corinthians”, comenta.
Jhonson, cujo apelido foi dado com o pensamento voltado ao futebol internacional, não pensa em deixar as Brabas por ora, mas tem alguns times em mente caso o futuro reserve transferência ao exterior, como Barcelona e PSG. No entanto, o foco da atleta agora é se ambientar e brilhar na seleção.
— Arthur Elias é muito bom de conversar. Eu sou tímida, mas vou estar mais leve com as meninas que também foram convocadas. Duda Sampaio, Mariza, Dudinha… Vai ajudar muito a mostrar meu futebol.
Amistosos entre Brasil e Japão no futebol feminino:
- Sexta-feira, 30 de maio, às 21h30 (de Brasília), na Neo Química Arena, em São Paulo;
- Segunda-feira, 2 de junho, às 20h (de Brasília), no Estádio Municipal Cicero De Souza Marques, em Bragança Paulista.



