Futebol feminino

Novas lideranças e juventude: Como chega o Brasil na Copa América Feminina?

Competição começa no dia 12 de julho no Equador e garante vaga em torneios mundiais

A seleção brasileira terá que lidar na Copa América novamente com ares de favoritismo, fazendo jus ao histórico na competição. A décima edição do torneio será no Equador entre os dias 12 de julho e 2 de agosto, e o Brasil vive hegemonia: conquistou oito títulos e a Argentina um, em 2006.

As 10 seleções que participam da competição serão divididas em dois grupos de cinco para disputarem em turnos únicos. As duas melhores de cada chave avançam para as semifinais — que serão decididas em jogos únicos. Em seguida, as vencedoras disputam a final.

As finalistas também se classificam para torneios mundiais, como a Copa do Mundo de 2027, as Olimpíadas de 2028 e a Finalíssima, duelo contra a campeã da Eurocopa Feminina de 2025.

Por ser país-sede, o Brasil já está classificado para o Mundial, mas isso não significa que vai diminuir a intensidade no campeonato sul-americano.

Como chega o Brasil na Copa América

A Copa América terá um Brasil extremamente confiante, vindo de um ciclo recente coroado por vitórias importantes, quebra de tabus e, claro, a medalha de prata nas Olimpíadas de Paris.

A seleção brasileira encerrou o ciclo olímpico em alto nível e assim se manteve após a competição. Neste ano, disputou cinco amistosos contra seleções que são potências históricas do futebol feminino, campeãs olímpicas e mundiais: Estados Unidos, Japão e França.

O Brasil venceu três dos cinco jogos (incluindo a vitória sobre os Estados Unidos fora de casa após onze anos) e perdeu dois.

O processo serviu para testes de formação, retorno de jogadoras como Gio Garbelini, que tem se destacado e foi titular em quatro dos cinco duelos (sendo acionada em todos eles), e espaço para novos talentos com as atuações de Jhonson e Dudinha, que encantaram em campo.

Kerolin celebra gol da seleção brasileira
Kerolin celebra gol pela seleção brasileira (Foto: Livia Villas Boas/CBF)

Outro ponto de destaque é o amadurecimento de veteranas, como foi o caso de Angelina, que tornou-se capitã na ausência ou substituições de Marta, e de Kerolin, a principal goleadora da seleção durante os amistosos.

Mesmo com a marcação encaixada, criação e a característica ofensiva, é importante lembrar que a seleção ainda está em fase de amadurecimento de planos de jogo adotados por Arthur Elias e tem pontos a serem ajustados, como a oscilação que causa falhas na marcação e o aproveitamento das chances de gols.

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Uma Copa América para encontrar respostas

Passados os testes com os amistosos, é esperado que a Seleção tenha assimilado os erros e acertos e use a Copa América para fornecer algumas respostas. No revés de virada para a França, por exemplo, a equipe tomou gols em equívocos de marcação — principalmente individual — e proporcionou muito espaço às adversárias em alguns momentos.

Além de corrigir esse aspecto, as brasileiras também precisam voltar a administrar bem os 90 minutos. O grupo estava nitidamente cansado neste último amistoso e caiu de rendimento na etapa final. No estilo propositivo de Arthur Elias, é fundamental saber melhor quando acelerar e quando cadenciar o jogo, e o famigerado “saber sofrer” faz parte disso.

Contudo, não deve ser um grande problema para o treinador ajustar ao levar em consideração que as jogadoras já demonstraram essa característica em partidas anteriores.

Há ainda a expectativa de respostas definitivas, como a postura no ataque, afinal, a Seleção continuou a dar mostras de ser forte ofensivamente — e os números refletem isso. Foram nove gols marcados nos cinco embates preparatórios.

Para se ter ideia, mesmo com a derrota diante da França, as comandadas por Arthur Elias somaram 20 finalizações contra 12 das francesas (10 a cinco em chutes no alvo) e três grandes chances criadas. A maior dificuldade das brasileiras neste caso foi aproveitar melhor as oportunidades que surgiram.

Arthur Elias em amistoso da seleção brasileira feminina
Arthur Elias em amistoso da seleção brasileira feminina (Foto: Lívia Villas Boas/CBF)

Renovação e aposta em novos talentos

Outro aspecto positivo é usar os jogos no Equador para consolidar a reestruturação que Arthur deseja. O treinador assumiu a equipe em setembro de 2023, e, no processo de desenvolvimento e testes com o elenco, fez a sua primeira convocação do Brasil para a Copa América.

Como a própria CBF detalhou, o principal objetivo nesta competição é ampliar o elenco para 30 jogadoras e aumentar as possibilidades de trabalho da comissão técnica, além oferecer oportunidade às atletas jovens com potencial para servir as categorias de base das seleções.

Apenas nove atletas que participaram da edição anterior da Copa América foram chamadas para o torneio de 2025. Ao todo, são 15 novos rostos convocados por Arthur Elias, com a média de idade de 26 anos.

Marta fez questão de tirar foto com Dudinha e Jhonson após os amistosos da seleção brasileira contra o Japão
Marta com Dudinha e Jhonson (19 anos), duas joias das categorias de base, após os amistosos da Seleção contra o Japão (Foto: Lívia Villas Boas/CBF)

A mescla de jovens talentos com estrelas experientes pode ser importante na campanha rumo ao título da competição sul-americana e ajudar o Brasil a conquistar o nono troféu.

A seleção brasileira está no Grupo B, com Bolívia, Colômbia, Paraguai e Venezuela, e o primeiro desafio será diante das venezuelanas no domingo (13), às 21h (de Brasília), no Estadio Gonzalo Pozo Ripalda, em Quito.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.
Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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