Como a Espanha explorou a versatilidade do elenco para chegar invicta na final da Euro
Espanha confirmou favoritismo e enfrentará Inglaterra em duelo entre conhecidas
A campanha histórica da Espanha na Eurocopa Feminina reforçou mais uma vez a potência da seleção campeã do mundo em 2023. Mas a busca pelo título inédito na competição europeia destacou a versatilidade de um elenco que conta com jogadoras consagradas e talentos em ascensão.
A junção foi capaz não apenas de garantir a vaga na final da competição pela primeira vez, como também por quebrar o tabu de nunca ter vencido a seleção da Alemanha.
Las Rojas têm, hoje, um time onde 11 das 23 jogadoras fazem parte da geração Z, nascidas em sua maioria entre os até 2002. Se engana quem acha que a idade não demonstra experiência.
Boa parte das jogadoras esteve na conquista do Mundial e foram decisivas na trajetória, entre elas Olga Carmona, de 25 anos, autora do gol do título, e que hoje traz consigo certa fluidez pela lateral-esquerda, com reforço nos passes longos, além de Salma Paralluelo, de 21 anos.
Entre as mais experientes, duas vencedoras da bola de ouro em sequência: Alexia Putellas e Aitana Bonmatí. Mas há, em meio aos talentos, uma conexão que une habilidades e autonomia para conseguir superar até mesmo os jogos mais difíceis.
O protagonismo se divide no elenco, atributo que tem sido aproveitado pela técnica Montse Tomé. Esther González foi destaque nos primeiros jogos, marcando os gols contra Portugal, Bélgica e Itália, se tornando artilheira da Espanha e da Eurocopa, com quatro gols.

Outra peça chave da seleção e uma das ‘super subs’ é Athenea Del Castillo. Parte da conquista das Las Rojas até a final também passa pelos pés da atacante de 24 anos, que se tornou uma arma secreta para a seleção.
Sendo titular apenas no jogo contra a Itália, Del Castillo virou a chave das espanholas no jogo e acordou o time com o gol, que deu o empate para a seleção. A jogadora de 24 anos também teve papel crucial na conquista da vaga da Espanha na final, sendo responsável pela assistência que resultou no gol da vitória contra a Alemanha, marcado por Aitana.
— Athenea traz amplitude, profundidade, dribles e tem uma boa dinâmica com gols. Seu trabalho defensivo ajuda muito o time. Ela está aceitando bem essa função (como reserva), embora isso não signifique que seja permanente. Ela é uma jogadora talentosa e com uma disposição muito boa — destacou a treinadora.

A essencial experiência da Espanha
Em uma seleção que acumula algumas das melhoras jogadores do mundo na atualidade, as características individuais se mostraram decisivas. Patri Guijarro pode ser um bom exemplo para o funcionamento tático da Espanha.
A meia trouxe consigo a sua versatilidade, que passou a ser crucial na engrenagem do jogo da equipe, servindo às companheiras com marcação, organização das jogadas, assistências e as próprias finalizações, que renderam um gol contra as italianas.
A jogadora de 27 anos é essencial no triângulo do meio de campo, mas também pode atuar de forma mais ofensiva ou defensiva, sendo essencial na recuperação da bola, cobrindo espaços e facilitando os espaços para as pontas desenvolverem os ataques.

A facilidade com que a meia se enquadra nas diferentes funções também ajuda a desenvolver os novos talentos. Como foi no caso da parceria com Vicky López, atacante de 19 anos, e nova joia das Rojas. Guijarro entrou nos dois primeiros jogos na função de Aitana, que se recuperava de uma meningite.
— Ela é uma das melhores jogadoras do mundo, mas sempre foi subestimada na minha opinião. [Patri] É a espinha dorsal do time e a razão pela qual todos nós jogamos bem. Há passes que só ela vê. Se você a vê jogar, é impossível não sorrir — destacou López.
A Espanha chega invicta à final e, na trajetória, fica evidente a força de ter as melhores jogadoras do mundo no plantel. Alexia Putellas, segunda maior artilheira da seleção na Eurocopa com três gols, foi responsável por seis assistências.
— Eu poderia escrever um livro sobre isso — disse Aitana Bonmati depois que a Espanha derrotou a Alemanha na prorrogação e garantiu sua vaga na final da Euro 2025.
E de fato, quis o destino que a história das Rojas passasse pelos pés da decisiva Aitana Bonmatí. A atual melhor jogadora do mundo da atualidade não tem esse título à toa.

A meia recebeu alta do hospital dias antes do início da Eurocopa após sofrer um surto de meningite viral. E retornou trazendo consigo o seu melhor futebol, necessário para fazer a diferença em um jogo em que a Espanha encontrou dificuldades para superar a defesa alemã.
O passe de Del Castillo encontrou os pés de Aitana no momento certo para, em uma finalização precisa, marcar o gol que levaria a equipe à sua primeira final de Euro, nos minutos finais da prorrogação. Foi a primeira vitória sobre a Alemanha em nove oportunidades.
— Eu estava confiante na minha mentalidade e na minha condição física. Eu queria chegar a este jogo no meu melhor nível. Agradeço a todos que estiveram ao meu lado para me ajudar a chegar a este nível — definiu a própria jogadora.
Prestes a finalizar um ciclo com mais uma conquista, a Espanha confirma o seu favoritismo sabendo do seu potencial. Mas terá pela frente uma revanche: o encontro com a Inglaterra, atual campeã da competição e responsável pela eliminação das Rojas na edição anterior.
Entretanto, o duelo é um velho conhecido e, nesse quesito, estão empatadas. O último confronto entre as seleções foi na Copa do Mundo de 2023, onde a Espanha levou a melhor.
— Nos sentimos orgulhosos de ser uma geração de jogadores que conquistou tantas coisas — descreveu Aitana.



