Destaque da Alemanha na Euro, goleira já superou câncer duas vezes e chegou ao top-3 mundial
Aos 34 anos, Berger se consolida na seleção da Alemanha e agora busca vaga na final do torneio continental
A jornada de Ann-Katrin Berger no futebol une talento, paixão e resiliência emocional. Mas até chegar à titularidade da seleção da Alemanha e se tornar goleira de destaque pela equipe nacional, Berger precisou superar um adversário fora do campo: o câncer.
A goleira é do tipo que transmite serenidade e segurança, mesmo em situações de pressão. E assim ela provou as suas características mais uma vez durante as quartas de final da Eurocopa Feminina, em um jogo caótico contra a França, que foi decidido na disputa de pênaltis, na qual ela acabou protagonista. Na próxima quarta-feira (23), Berger e suas companheiras encaram a poderosa Espanha
Em uma partida em que a Alemanha precisou reencontrar o foco e apostar na perseverança depois de ver Kathrin Hendrich expulsa por puxar o cabelo de Griedge Mbock na área aos 10 minutos do primeiro tempo e, em seguida, sofrer o gol de pênalti. A vontade de toda a equipe foi um combustível a mais para uma Berger disposta a fazer uma atuação histórica na seleção.

Ainda durante a partida, a goleira somou nove importantes defesas — maior número de uma goleira em uma partida eliminatória da Eurocopa desde 2013, de acordo com levantamento feito pela BBC Sports–. Entre os momentos decisivos da partida, esteve a defesa com uma mão só – que viralizou pela plasticidade do lance – para afastar o cabeceio para trás da colega de elenco.
Na disputa de pênaltis, a goleira defendeu a cobrança inicial de Amel Majri para colocar a Alemanha na frente, converteu a sua cobrança e, em seguida, garantiu que o erro de Sara Dabritz não custasse caro, fazendo nova defesa na cobrança de Alice Sombath para garantir a vaga da Alemanha nas semifinais.
Chegada à seleção e diagnóstico de câncer
Com as primeiras atuações no Turbine Potsdam, Berger construiu aos poucos a ideia de fazer parte da sua carreira no futebol fora da Alemanha. Em 2014, ela deixou o clube para defender o Paris Saint-Germain. Na equipe francesa teve poucas oportunidades, somando apenas seis partidas ao longo de duas temporadas.
Após duas temporadas pelo clube francês, foi transferida para o inglês Birmingham City. Foi lá que, em 2017, em sua segunda temporada pelo clube, Berger foi diagnosticada com câncer pela primeira vez.
Na ocasião, foi detectado um tumor na tireoide, que afastou a jogadora dos gramados por 76 dias. Totalmente recuperada, Berger voltou a atuar e conquistou o posto de titular da equipe.
–Sempre fui uma lutadora. Isso me ajudou muito a voltar depois do diagnóstico–, contou Berger ao jornal Süddeutsche Zeitung.
Com o destaque no clube inglês, ela se transferiu para o Chelsea na temporada 2018/19, onde viveu o período mais vitorioso da carreira. Pelos Blues, conquistou quatro títulos seguidos do Campeonato Inglês, além de três FA Cups, foi vice-campeão da Liga dos Campeões Feminina da UEFA em 2021 e chegou a ser eleita como terceira melhor goleira do mundo no prêmio da Fifa.
As excelentes temporadas com o Chelsea renderam a convocação para a Eurocopa Feminina de 2022, ano em que a seleção da Alemanha ficou na segunda colocação, perdendo para as anfitriões inglesas.

Após o torneio, Berger descobriu que seu câncer de tireoide havia retornado depois de quatro anos. O diagnóstico não abalou a goleira, que voltou a se curar da doença.
No retorno aos gramados, foi convocada para a Copa do Mundo de 2023, disputada na Austrália e Nova Zelândia. Mas foi no ano seguinte que teve a sua primeira oportunidade como titular na seleção da Alemanha, durante os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.
Até então, a goleira era reserva de Merle Frohms e só havia feito sua estreia pela seleção aos 30 anos. Nas Olímpiadas, virou heroína na partida contra o Canadá nas quartas de final: defendeu duas cobranças e marcou o pênalti decisivo.
Na disputa pelo bronze, brilhou de novo ao pegar um pênalti da craque Alexia Putellas – eleita duas vezes a Melhor Jogadora do Mundo – e garantiu a vitória por 1 a 0 sobre a Espanha.
Atualmente, Berger defende o Gotham FC, dos Estados Unidos. Na última temporada, foi eleita a melhor goleira da NWSL e foi escolhida como a goleira da seleção do torneio.
— Eu não sou uma pessoa muito emotiva. Este tempo aqui me deixa orgulhoso de estar aqui. O que aconteceu em 2022 já é passado, estou ansioso pelo futuro e agora vivo a minha melhor vida e estou numa semifinal–, declarou Berger após a partida contra a França na Euro de 2025.
Olhando para o futuro, Ann-Katrin Berger faz história durante com a Alemanha na Eurocopa Feminina. Com uma tatuagem escrita “tudo o que temos é o agora“, a goleira escreve um novo capítulo vitorioso no futebol feminino.



