Europa

A agitada (e interessante) dança das cadeiras dos técnicos na próxima janela europeia

Barcelona e Liverpool buscarão novos treinadores para temporada 2024/25, enquanto outros clubes também devem se movimentar

Por motivos (muito) diferentes, Jürgen Klopp e Xavi Hernández sairão de Liverpool e Barcelona, respectivamente, ao término da atual temporada. Com os dois gigantes em busca de um novo treinador, podemos esperar uma movimentada janela de transferências no verão europeu. Quem desponta como favorito para assumir em Anfield é Xabi Alonso, do Bayer Leverkusen, enquanto na Catalunha ainda não há um nome definido, com especulações envolvendo Roberto De Zerbi, do Brighton, e Mikel Arteta, do Arsenal (desmentidas pelo próprio espanhol).

Mas não serão apenas Culés e Reds que devem buscar novos treinadores para temporada 2024/25. Há muita gente pressionada no âmbito de clubes da Europa, além de contratos próximos do fim em seleções. Tudo isso levará a um grande efeito dominó de procura de técnicos no futebol europeu, principalmente para times de tamanho médio, como Leverkusen e Brighton, que podem perder seus comandantes – importante também ficarem de olho Aston Villa (Unai Emery), Sporting (Ruben Amorim) e Bologna (Thiago Motta) por contar com um trio bem avaliado no mercado que pode despertar interesse. A Trivela lista alguns dos comandos que podem mudar a partir de junho desse ano.

Os pressionados estão em todo lugar: Manchester, Munique e Milão

A chegada de Thomas Tuchel para substituir Julian Nagelsmann no Bayern de Munique, em março do ano passado, pegou muita gente de surpresa, mas havia insatisfação com o jovem treinador e, de maneira fria, parecia uma decisão acertada – não tinha muito tempo que o alemão tinha levado o Chelsea ao topo da Europa. No entanto, com quase um ano no cargo, não dá para dizer que o time evoluiu tanto assim. O título da última Bundesliga foi “culposo”, sem a intenção de ganhar, visto que o Borussia Dortmund tinha a faca e o queijo na mão e quebraria a hegemonia de 10 títulos seguidos (agora 11) se tivesse vencido, em casa, o Mainz – só empatou.

Na atual edição do Campeonato Alemão, está atrás do Leverkusen desde o início e caso termine em segundo, pelo menos para o que são os Bávaros, seria uma tragédia, digna de uma pressão pesada para Tuchel, exceto, claro, se conquistar a Champions League. Mesmo com contrato até o meio de 2025, o técnico de 50 anos surpreendeu a torcida na última segunda-feira (29) ao “se oferecer” para trabalhar na Espanha, quando questionado sobre a saída de Xavi.

– Me mudar para outro país novamente é algo que me interessaria bastante. A Espanha tem uma liga extraordinária – disse Tuchel em um evento.

Tuchel está pressionado no Bayern (Foto: Icon Sport)

Com contrato até o mesmo período de Tuchel, o holandês Erik Ten Hag também não deve durar até a próxima temporada no comando do Manchester United. Não é nem apenas pelos resultados em campo – péssimos, diga-se, com o número de derrotas (14) igual ao de vitórias na temporada – e sim porque o clube trocou a gestão do futebol com a compra da INEOS, comandada pelo bilionário Jim Ratcliffe. Já estão acontecendo mudanças no staff dos Red Devils e não será uma surpresa caso ele saia após dois anos no cargo.

No Milan, Stefano Pioli vive contexto completamente contrário aos citados. Há mais de quatro anos no cargo, conseguiu, em 2022, dar um título de Série A para o Milan após 11 anos sem conquistá-lo. Na temporada passada, caiu apenas nas semifinais da Champions League, lugar que o clube não chegava desde 2007. No entanto, o trabalho parece ter regredido e, hoje, o time não consegue nem competir com a dupla Internazionale e Juventus, ambos quase 20 pontos na frente do Rossonero no Campeonato Italiano. A equipe ainda caiu na Copa da Itália e na Champions, o que pressionou muito o treinador e há dúvidas sobre o futuro. Restou a Liga Europa como uma possibilidade de título em 23/24.

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Os contratos perto do fim nas seleções

Serão dois gigantes, dois campeões do mundo, em busca de um novo treinador em 2024 – caso, claro, não haja renovação dos vínculos. Para amenizar a crise vivida, a Alemanha demitiu Hansi Flick e apostou em Nagelsmann, jovem técnico que preferiu um contrato curto, até julho desse ano, visando a Eurocopa disputada em solo alemão. Aos 36 anos, o treinador não quer um ciclo grande com o selecionado e deve voltar a trabalhar com clubes. Com isso, entra um promissor nome no mercado e a Seleção Alemã, que teve apenas 12 treinadores em sua história e costuma apostar em longos projetos, buscará um novo comandante – quem sabe Klopp muda de ideia sobre a ideia de não treinar clube ou seleção na próxima temporada.

Klopp e Nagelsmann: futuro e passado da Alemanha após o término da Eurocopa 2024? (Foto: Icon Sport)

Quem também tem contrato finalizando neste ano, mas em dezembro, é Gareth Southgate, técnico da Inglaterra, time que possui um dos melhores elencos em qualidade individual. Por muito tempo, o trabalho à beira do campo do ex-jogador foi questionado por não favorecer a principal característica dos jogadores ao apostar em um jogo de pouco protagonismo. Os bons resultados nas Copas do Mundo de 2018 (semifinalista) e 2022 (caiu nas quartas, jogando melhor do que a França) e no vice da Euro 2020 deram uma acalmada nos ânimos e o contrato, que acabaria no fim do último Mundial, foi estendido. A ver qual será a escolha da Federação Inglesa, podendo ser pautada pelo que acontecer na Eurocopa da Alemanha. Hoje, Graham Potter, técnico que fez história no Brighton, segue livre no mercado depois da passagem pelo Chelsea.

Os trabalhos que podem não continuar

Não é apenas Pioli que tem futuro incerto na Itália. O Napoli, atual campeão da Serie A, vacilou ao apostar em Rudi Garcia para substituir Luciano Spalletti e trouxe Walter Mazzarri, com contrato até junho, para apagar o incêndio. Os resultados não melhoraram, o time conseguiu tomar quatro do Frosinone e três do Torino. O clube de Nápoles é apenas o nono no Campeonato Italiano, quatro pontos atrás do G4.

Outro “bombeiro” na Terra da Bota é Daniele De Rossi, que assumiu a Roma até o fim da temporada com a saída de José Mourinho – outro currículo pesado disponível no mercado de transferências. O ídolo dos Giallorossi pode receber uma renovação se melhorar o desempenho da equipe até junho.

Vale citar que o mercado de meio do ano dos técnicos poderia ser ainda mais louco e agitado se Carlo Ancelotti não tivesse renovado com o Real Madrid até junho de 2026. Parecia tudo certo para o italiano ir para a Seleção Brasileira, que na ausência do experiente europeu apostou em Dorival Júnior para o ciclo até a Copa do Mundo de 2026.

Com tantas trocas em importantes times da Europa, será interessante ver como será a paciência das gestões com possíveis dificuldades de adaptação. Acaba também sendo um cenário favorável para trabalhos de longo prazo, mais estabelecidos, como Pep Guardiola no Manchester City e o próprio Ancelotti no Real.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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