Brasil

Laterais da Seleção deixam ainda mais incertezas para a Copa após um 2023 repleto de problemas

Seleção usou um total de 12 atletas nas duas laterais ao longo de nove jogos nesta temporada

A seleção brasileira abriu 2023 com as laterais como setores do campo sem um “dono” absoluto. Passados nove jogos e toda uma temporada de fracassos, o Brasil encerra o ano com ainda mais dúvidas sobre quais devem ser os titulares tanto na direita quanto na esquerda na Copa do Mundo de 2026. A pouco mais de dois anos e meio do Mundial sequer há um jogador que desponte ao menos como favorito para ocupar o posto.

Isso vale para os dois lados, mas especialmente para a esquerda, posição em que cinco jogadores diferentes foram titulares em nove jogos nesta temporada – Alex Telles, Ayrton Lucas, Carlos Augusto, Guilherme Arana e Renan Lodi. Na direita, Danilo só não encerra o ano como dono da função devido a problemas físicos. Emerson Royal e Yan Couto também iniciaram partidas por ali.

Mas o número de jogadores diferentes utilizados nas laterais evidencia como o setor encerra o ano com mais dúvidas – e também com mais opções – em relação ao início do ano. Ao todo, 12 atletas atuaram nas duas posições ao longo de 2023. Foram sete nomes diferentes na esquerda e outros cinco na direita.

Laterais da Seleção em 2023

  • Laterais-direitos: Danilo, Emerson Royal, Pepê*, Vanderson* e Yan Couto
  • Laterais-esquerdos: Alex Telles, Ayrton Lucas, Caio Henrique*, Carlos Augusto, Alex Telles e Renan Lodi
    *Não fizeram partidas como titulares
Danilo joga de zagueiro na Juventus, mas ainda é o titular da lateral da Seleção (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images/One Football)

Danilo ainda reina em um trono que não quer mais ocupar

Na direita, Danilo ainda é o titular absoluto… Mas apenas com a amarelinha. Aos 32 anos, o defensor se transformou em zagueiro e inclusive é um dos capitães da Juventus. E ele próprio já afirmou que o momento é de abrir caminho para novos jogadores em sua função de origem na Seleção.

O problema é que ao longo desta temporada, nenhum outro jogador ascendeu a ponto de assumir a posição. Emerson Royal ainda parece uma solução paliativa, tanto que só foi chamado por Diniz pela primeira vez devido a baixas (e foram muitas, mas já falaremos disso). Serve de consolo que alguns garotos tenham surgido como opções para o futuro. E esse é o grande ponto de alento na lateral direita. Há jovens de destaque e tempo de evolução até a Copa do Mundo.

Yan Couto, por exemplo, faz um excelente Campeonato Espanhol pela sensação e líder Girona. Na Seleção estreou bem, mas oscilou (junto com toda a equipe) contra o Uruguai. Vanderson, por sua vez, é destaque no Monaco, da França, e está na mira de gigantes como Manchester United e Barcelona. Os dois parecem ser o futuro da posição. Mas ainda não exatamente o presente.

Lateral esquerda ainda mais indefinida

A lateral esquerda, por sua vez, parece ser o grande problema da Seleção para 2026. Não há hoje um jogador que seja o titular absoluto e nem mesmo um garoto que pareça ser o futuro da posição. Os cinco titulares utilizados em nove jogos no ano são prova disso. Titular da última Copa até sofrer uma lesão, Alex Sandro não faz mais parte dos planos por ora. Alex Telles, que foi seu substituto e também se lesionou, é outra carta fora do baralho.

Para piorar, nenhum dos candidatos a sucessor deu a resposta esperada. Renan Lodi retornou à Seleção e foi quem mais atuou, mas bem longe de assumir a posição. Outro que voltou a ser convocado, Guilherme Arana teve desempenho razoável nos dois jogos em que atuou. Enquanto Ayrton Lucas perdeu espaço de vez, Carlos Augusto ganhou chances com Diniz na reta final das Eliminatórias. Entre todos os utilizados, Caio Henrique é quem mais tem potencial, mas ele sofreu uma grave lesão pelo Monaco e só retornará em 2024.

Carlos Augusto foi o quinto titular da Seleção na lateral esquerda em um ano (Foto: Joilson Marconne / CBF)

Para piorar, laterais ainda sofreram (muito) com lesões

Os problemas médicos, aliás, perseguiram as laterais durante o trabalho de Fernando Diniz. Na Data Fifa de outubro, o treinador se viu obrigado a cortar os quatro nomes que apareceram para a posição na primeira lista. Ao todo, oito laterais foram chamados para os jogos contra Venezuela e Uruguai. Caio Henrique foi o primeiro a ser cortado, após sofrer uma lesão no joelho esquerdo e deu lugar a Guilherme Arana, do Atlético-MG. Depois, os cortes vieram no plural.

O técnico perdeu Vanderson, também do Monaco, e Renan Lodi, do Olympique de Marseille, novamente por problemas de joelho. Renan Lodi, do Olympique de Marseille, novamente por problemas de joelho. Yan Couto, do Girona, e Carlos Augusto, da Inter de Milão foram convocados. Para completar, Danilo sofreu uma lesão muscular no empate com a Venezuela. Emerson Royal foi o substituo. Do quarteto original, apenas Lodi voltou para a última Data Fifa, em novembro.

Quando a Seleção volta a jogar?

A Seleção só volta a jogar em março do ano que vem. No dia 23, o Brasil enfrenta a Inglaterra em um amistoso em Wembley, em Londres. Está previsto ainda outro duelo com a Espanha, no Santiago Bernabéu. Mas até agora, esta partida não foi oficializada pela CBF. Estes serão os últimos dois compromissos sob o comando do técnico Fernando Diniz e antes da disputa da Copa América, em junho, (supostamente) já com Carlo Ancelotti.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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