Copa do Mundo

Venezuela arranca empate histórico com golaço e frustra a Seleção de Diniz em Cuiabá

Seleção Brasileira empata com a Venezuela pela segunda vez na história das Eliminatórias após um golaço marcado por Bello

A Seleção soma 17 vitórias e dois empates diante da Venezuela em duelos válidos pelas Eliminatórias. E um destes empates ocorreu nesta quinta-feira (12), em 1 a 1, na Arena Pantanal, pela 3ª rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. O Brasil fez um jogo de domínio total, com muita posse de bola, ao melhor estilo Fernando Diniz. Gabriel Magalhães marcou de cabeça, em escanteio cobrado por Neymar. Uma jogada trabalhada pelo técnico. Mas tudo isso foi eclipsado por um golaço marcado por Bello. Um gol que para os venezuelanos será lembrado sempre como antológico e que deu à seleção venezuelana um ponto histórico em Cuiabá.

Golaço de Bello ofusca Seleção em Cuiabá

Pedimos licença para começar este relato do final. Pois nada foi mais emblemático nesta quinta-feira (12), em Cuiabá do que o belo gol marcado por Bello – e aqui pedimos perdão de novo, pela redundância. O venezuelano marcou de puxeta o surpreendente golaço de empate da Venezuela na Arena Pantanal. Mas muito antes disso, com dois minutos de jogo, Neymar já obrigava o goleiro Romo a espalmar para escanteio em um chute de fora da área.

O camisa 10 interessado e participativo, percorrendo todo o campo mesmo sob o sufocante calor de Cuiabá, foi a única boa notícia do primeiro tempo do Brasil. A bola passava por seu pé na mesma medida em que os adversários tentavam pará-lo com bordoadas e pontapés. As faltas e a solidez defensiva de um time que se defendia com todos os jogadores atrás da linha do meio-campo foram ótimos antídotos para a Venezuela segurar a Seleção nos 45 minutos iniciais.

Reação de Diniz contra a Venezuela resume atuação da Seleção em empate (Iconsport)

O primeiro tempo brasileiro foi sonolento na Arena Pantanal, com chances apenas em chutes de fora da área. Mesmo assim, o Brasil até deu uma amostra de evolução sob Fernando Diniz. Não pela posse de bola insossa e astronômica, de 79%, mas com apenas seis finalizações. O ponto de avanço tem a ver com a movimentação dos jogadores, na “bagunça organizada” pretendida pelo técnico. Quando a equipe atacava, Rodrygo saía da direita e se aproximava de Vini Jr, este sempre preso à esquerda. Danilo aparecia como atacante, e Marquinhos fazia as vezes de lateral. A mecânica funcionou, mas não surtiu efeito. Mesmo com muita gente no campo de ataque, a Seleção nada criou e só levou perigo novamente em chute de Casemiro, aos 38.

O gramado, motivo de reclamações ao longo da semana, até pode ter atrapalhado o Brasil em alguns erros técnicos. Mas era preciso construir a vitória no segundo tempo a qualquer custo, e Neymar apelou para uma arma que já funcionou antes com Diniz. Em Lima, ele cobrou escanteio na cabeça de Marquinhos para marcar o gol da vitória sobre o Peru. Em Cuiabá, o lance foi idêntico. Novamente um zagueiro se antecipou à defesa rival para fazer o gol. Dessa vez, porém, o autor do gol foi Gabriel Magalhães, logo aos 4 minutos da segunda etapa.

A bola aérea salvou (de novo) a Seleção, mas isso é também um mérito. Diniz ensaiou esta movimentação em cruzamentos à exaustão nos treinamentos até agora. E em Cuiabá, serviu para deixar a equipe ainda mais confortável em campo. Tão confortável, que parecia até que a vitória era questão de tempo. A Seleção só não cotava com o gol histórico de Bello.

Substituído, Danilo preocupa

Fernando Diniz ganhou um problema ainda no primeiro tempo. Danilo sentiu um problema aos 40 minutos e caiu no gramado. O lateral deixou o campo caminhando e foi substituído pelo estreante Yan Couto. Ainda na Arena Pantanal, ele já passava por exame médico para avaliar a gravidade da situação. O titular agora passa a ser dúvida da Seleção para o jogo contra o Uruguai, na próxima terça-feira (17), no Estádio Centenário, em Montevidéu.

Yan Couto estreia bem

Menos mal para Diniz que o substituto de Danilo teve uma estreia esperançosa. Yan Couto sequer estava na primeira lista de convocados. Foi chamado após o corte de Vanderson. E deu uma boa resposta. O lateral teve a missão de parar Soteldo, jogador mais perigoso da Venezuela no segundo tempo e se saiu bem. Além disso, só não deu assistência para Neymar marcar, porque o craque (sim) errou a finalização, após um cruzamento rasteiro perfeito do estreante.

Seleção é vice-líder e se prepara para clássico

A Seleção perde a liderança das Eliminatórias para a Argentina, única equipe com 100% de aproveitamento até agora. O Brasil agora é vice-líder, com sete pontos. A equipe agora tem pela frente um clássico do continente. Será contra o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu, na próxima terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), pela quarta rodada.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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