Brasil

Marquinhos marca no apagar das luzes, e Seleção vence o Peru em jogo com 8 minutos de VAR

VAR anula gols de Raphinha e Richarlison, mas zagueiro Marquinhos balança as redes no fim, e Brasil vence em Lima

No anúncio das escalações de Brasil e Peru, os peruanos fizeram ressoar uma sonora vaia a Neymar e ovacionaram seu capitão Paolo Guerrero nas arquibancadas do Estádio Nacional. Os dois protagonistas da noite foram ofuscados por Marquinhos. No apagar das luzes, o zagueiro marcou o gol da vitória da Seleção por 1 a 0, em Lima.

Em uma partida que começou na terça-feira (12) e se arrastou madrugada de quarta-feira (13) adentro em solo brasileiro, o Brasil ianda teve dois gols anulados com o uso da tecnologia – um, de Raphinha, e o outro, de Richarlison, que vê a má fase teimar em persegui-lo. As linhas de impedimento ainda “roubaram” oitos longos minutos do duelo válido pela segunda rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

Marquinho ofusca VAR que roubava a cena em Lima

Faltavam mais de quatro horas para o início do jogo, e as cercanias do Estádio Nacional já estavam tomadas de gente em vermelho e branco. As cores de um país vestidas literalmente dos pés à cabeça. Um mar bicolor de rostos pintados, trajes típicos e bandeiras. Os Guerreros nas costas das camisas se multiplicavam aos milhares. Tudo isso parecia um manifesto expresso de uma nação: hoje joga a seleção, e nada mais importa. Das arquibancadas, o hino nacional foi cantado em uníssono, imponente e ameaçador. Mas nada disso espantou o Brasil de Fernando Diniz em uma primeira etapa que mais pareceu jogada no Maracanã do que à beira do Oceano Pacífico, em Lima. Pois os brasileiros tiveram o controle de quase todos os 45 – na verdade, 52 – minutos iniciais e só não rumaram aos vestiários em vantagem por conta do VAR. Ou melhor: de impedimentos assinalados com o demorado uso da tecnologia.

Após passear sobre a Bolívia com uma goleada por 5 a 1 na estreia do treinador, a Seleção sabia que não teria vida fácil em solo peruano. Prova disso é que não houve uma pressão inicial avassaladora. O Brasil mais controlou o jogo à distância até se impor de forma quase automática para assumir o controle das ações. A equipe mandou na partida, enquanto Ederson assistia a tudo de seu local privilegiado. Da grande área – às vezes até fora dela -, o goleiro viu Raphinha empurrar para as redes, aos 19 minutos, após sobra de uma jogada que Richarlison não soube aproveitar. Neymar estava impedido na origem do lance. Depois, foi a vez do camisa 9 marcar em uma construção do mais puro Dinizismo. Os brasileiros rodaram a bola com aproximação e total liberdade de movimentação. Bruno Guimarães cruzou na cabeça de Richarlison, que subiu confiante para cabecear para as redes. Muita festa do técnico à beira do campo, mais festa ainda do jogador. Mas depois de longos seis minutos e 42 segundos, o VAR anulou a jogada. Neymar ainda obrigaria Gallese a fazer grande defesa, mas a partida parecia destinada a ir para o intervalo no 0 a 0.

No Estádio Nacional, a atmosfera contagiante do futebol sudaca impediu este repórter de pegar no sono. Mas ele não julga os bocejos que devem ter surgido por todo o Brasil com a segunda etapa que ganhou a madrugada desta quarta-feira (13) – por ironia, foi preciso ficar acordado até bem tarde para poder vibrar. A Seleção esteve sempre superior na partida, mas não com a mesma soberania da primeira etapa. O Peru, mais ousado, passou a (tentar) levar perigo em escapadas pelos lados do campo. Ederson trabalhou um bocado mais, mas apenas em saídas da meta para evitar lances mais claros.

Por outro lado, o Brasil não ameaçou lá tanto assim a meta guardada por Gallese. O goleiro fez uma grande defesa em finalização de Raphinha de fora da área. E nada mais. Boa parte da segunda etapa foi disputada com 21 jogadores (à exceção de Ederson) no campo de defesa peruano. Mas ganhar território não significou mais chances, contra uma equipe adversária que atuou exatamente como Diniz previu durante os treinamentos: com linhas defensivas compactadas e pouquíssimo espaço para jogar. O treinador sabia, e a equipe tentou. Tanto tentou, que conseguiu. Na bola parada. Já nos minutos finais, Neymar cobrou escanteio na cabeça de Marquinhos. O zagueiro virou um herói enquanto muitos brasileiros já dormiam.

Brasil tranquilo na vice-liderança

Nestas Eliminatórias que destinam seis vagas diretas à Copa do Mundo de 2026, a classificação é apenas uma questão de “quando?”. A Seleção soma seis pontos nas duas primeiras rodadas e fica confortável na liderança, com seis pontos. A Argentina é a outra seleção que tem 100% de aproveitamento. O Brasil volta a campo apenas na próxima Data Fifa, em 12 de outubro, às 21h30 (horário de Brasília), para enfrentar a Venezuela na Arena Pantanal. Depois, o adversário será o Uruguai em Montevidéu.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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