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Raul Seixas, 70 anos: um dos melhores tributos já feitos ao roqueiro vem da torcida do Vasco

“Como é que eu posso ler se eu não consigo concentrar minha atenção. Se o que me preocupa no banheiro ou no trabalho é a Seleção”. O trecho nem é dos mais geniais de Raul Seixas. A música Super Heróis, a primeira faixa de Gita (1974), está perdida entre tantos clássicos do álbum – que, além da faixa-título, inclui também Medo da Chuva, Sociedade Alternativa, O Trem das Sete e Loteria da Babilônia. Mas fala sobre os ídolos do Brasil naquele momento. De Silvio Santos a Emerson Fittipaldi, passando também pelo “Rei Quelé” e pela seleção brasileira.

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Raulzito não era exatamente o cara mais fanático por futebol. São poucas as referências em suas letras, como em Trancos e Barrancos (“Pra que pensar se eu tenho o que quero / Tenho a nega, o meu bolero, a TV e o futebol”) e em Quando Você Crescer (“E o futebol te faz pensar que no jogo você é muito importante, pois o gol é o seu grande instante”). Mesmo em Super Heróis, há uma crítica velada em tempos de censura pela ditadura militar. No entanto, o músico tinha a sua preferência dentro de campo. O baiano radicado no Rio de Janeiro tinha sua preferência pelo Vasco, por mais que não fosse dos cruzmaltinos mais praticantes.

De qualquer forma, a relação entre Raul Seixas e o Vasco rendeu uma das músicas de torcida mais legais do futebol brasileiro. O apanhado histórico de Eu Nasci a Dez Mil Anos Atrás foi respeitado pelos cruzmaltinos, em uma letra mais comprida do que o costumeiro. E que reconta as grandes histórias vividas pelo clube. Na semana em que Raul completaria 70 anos se ainda estivesse vivo, vale resgatar a homenagem, cantada há alguns anos (ainda não dez mil) nas arquibancadas de São Januário:

“Eu nasci amando o Vasco demais
Tua glória, Vasco, tua história não esqueço jamais
Eu nasci Amando o Vasco demais
Tua glória, Vasco, tua história não esqueço jamais

Eu vi o Dener com seus dribles de moleque
O Edmundo brilhar em 97
E o Sorato de cabeça, o gol do Bi, Em pleno Morumbi (eu vi)

Vi o Cocada acabar com a mulambada
Carlos Germano nossa eterna muralha
E a torcida vascaína, sempre unida,
Construiu a nossa casa! (eu vi)

Vi o Quiñonez balançando a cabeleira
O Pai Santana beijando nossa bandeira
E a virada mais bonita da história, o Juninho incendeia”

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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