Premier League x Brasileirão: Novo modelo de rebaixamento pode mudar o futebol nacional
Tema entrará em pauta nas próximas reuniões da entidade com clubes e federações
A CBF aprovou nesta semana, junto aos clubes, duas mudanças para o Brasileirão ao longo dos próximos anos: criação de uma grade fixa de horários para as partidas e a redução no número de estrangeiros por elenco. Os temas, que englobam as mudanças da entidade, que mira a criação de uma nova liga, não são os únicos, nem serão os últimos: pelos próximos meses, a ideia é debater a quantidade de equipes rebaixadas à Série B por temporada.
Desde fevereiro, nas primeiras reuniões entre clubes, federações e CBF a respeito de uma futura liga no Brasil — aos moldes do que já ocorre no futebol europeu —, o rebaixamento foi um dos temas levantados para as futuras discussões. Uma das ideias propostas, mas que ainda não passou por votação, é a possibilidade de reduzir para três rebaixados à Série B por ano (em vez de quatro).
A proposta ainda não foi debatida e discutida pelos pares. Entretanto, existe a sinalização de que este tema pode ganhar força nos bastidores até o próximo encontro — até o momento, foram realizadas quatro reuniões para discutir os próximos caminhos da liga. A CBF, desde a chegada de Samir Xaud, tem abraçado as pautas relacionadas à uma futura liga no Brasil, antes reservada aos clubes.
Trivela: Futebol europeu por quem entende
Outros temas, como qualidade dos gramados, também estão previstos para os próximos meses, em uma das discussões mais polêmicas entre os clubes — especialmente pela possibilidade de proibir gramados sintéticos. Para isso, além de escutar as opiniões das partes, a CBF tem conduzido estudos para embasar os temas. Isto ocorreu antes da aprovação da grade fixa e no limite de estrangeiros.
Brasileirão pode replicar modelo de rebaixamento no futebol europeu
No início deste ano, a CBF visitou, ao lado de representantes de clubes e federações, Inglaterra, Espanha e Alemanha, para estudar alguns dos modelos das principais ligas da Europa. O impedimento semiautomático, Fair Play Financeiro e profissionalização da arbitragem foram algumas das pautas que decorreram desta viagem pelo Velho Continente, antes do início da temporada.
As três ligas visitadas pela CBF têm um ponto em comum: o número de equipes rebaixadas a cada ano. Assim como deve ser proposto nas próximas reuniões da entidade, estas competições da Europa preveem o descenso de três times ao final da temporada — em vez dos tradicionais quatro, no modelo em vigor no Brasileirão.
Além de Premier League, Bundesliga e LaLiga, a Serie A italiana e a Ligue 1 também contam com o modelo de rebaixamento que deve ser proposto em reuniões na CBF. Com isso, este modelo diminui as mudanças a cada temporada na primeira divisão. Também reduz o número de equipes impactadas financeiramente — já que a segunda divisão traz consigo uma perda de receita.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2FO-presidente-da-CBF-Samir-Xaud-e-o-trofeu-da-Libertadores-scaled.jpg)
A ideia no Brasileirão é diminuir a imprevisibilidade das finanças. A CBF já tem feito mudanças na Série B, para aumentar os ganhos com os direitos de transmissão, mas existe uma diferença no orçamento e receita dos clubes presentes nas duas principais divisões do futebol brasileiro.
A Série B já passou por mudanças em sua forma de acesso nesta temporada, para replicar o formato da Championship. A partir deste ano, somente os dois primeiros colocados garantem a vaga à Série A no ano seguinte, enquanto os clubes que terminarem entre a terceira e sexta posição disputarão um playoff de acesso.
Alemanha e França contam com modelos diferentes das outras ligas na Europa
Nas análises feitas pela CBF, a entidade tem estudado as cinco principais ligas da Europa (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália). A Bundesliga e Ligue 1, no entanto, têm um formato de rebaixamento diferente das demais — além de contar com menos clubes na primeira divisão.
Diferentemente dos tradicionais 20 clubes por divisão, Alemanha e França contam com apenas 18 na elite de suas respectivas ligas. Além disso, ao final de cada temporada, há um playoff entre o 16ª colocado da primeira divisão e o terceiro da segunda, para definir qual será o último classificado na Bundesliga e Ligue 1 na temporada seguinte.
Este modelo faz com que seja possível que apenas dois clubes sejam rebaixados ao final da temporada, caso o 16º colocado saia vencedor no playoff. As partidas são disputadas no formato de mata-mata. Em 2025/26, o SC Paderborn 07 derrotou o Wolfsburg para conquistar o acesso à Bundesliga, mas o Nice permaneceu na elite da França ao superar o Saint-Étienne.
Mudança pode restringir acesso ao Brasileirão
No papel, estas mudanças aumentariam o nível de competitividade na Série A, já que diminuiria a queda de clubes da elite e preservaria o orçamento, e as finanças, dos principais clubes do futebol brasileiro. No entanto, existe a possibilidade de que esta mudança crie uma barreira — semelhante ao que ocorre em outros países.
Com apenas três mudanças a cada temporada, há uma menor rotação dos clubes que disputam a primeira divisão. O Tottenham, por exemplo, seria rebaixado caso a Premier League adotasse o modelo do Brasileirão na última temporada — os Spurs terminaram na 17ª posição, em 2025/26.
Para comercializar os direitos de transmissão, a proposta pode ser benéfica à CBF. Além de aprovar uma grade fixa para o Brasileirão — resta o aval das emissoras detentoras para viabilizar a mudança já em 2027 —, uma Série A com menos rebaixado diminui os riscos de rebaixamento dos clubes de “massa” no país.
Antes da pausa da Data Fifa neste mês, Grêmio e Internacional se encontram na zona de rebaixamento, à frente de Remo e Chapecoense. Caso a mudança no número de rebaixados já estivesse em vigor nesta temporada, apenas um dos clubes de Porto Alegre estaria no Z-3.