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Gramados do Brasileirão na pauta da CBF: Como funcionam as regras nas ligas da Europa?

Entidade deve estudar formas de reduzir polêmicas acerca da qualidade do campo

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu realizar mudanças em regras das competições nacionais para os próximos anos. Após definir a redução gradual no limite de estrangeiros no Brasileirão, a entidade estabeleceu como pauta da vez a polêmica questão dos gramados. O objetivo é abordar o assunto em outubro, de acordo com o “UOL”.

A discussão acerca dos campos do futebol nacional ganhou força nas últimas semanas, impulsionada por queixas sobre a qualidade da superfície. Guga, do Fluminense, criticou o estado do gramado do Maracanã após a vitória sobre o Vasco no Brasileiro.

O lateral afirmou à imprensa na ocasião não ter lembrança de “ter jogado em um campo tão ruim” no País. O zagueiro Léo Ortiz, do Flamengo, também reclamou sobre isso depois da classificação Rubro-Negra à semifinal da Libertadores no último dia 17.

— Espero que quem possa fazer alguma coisa, faça. Porque realmente está muito complicado de jogar, ainda mais um time que gosta de jogar com a bola como nós. Por isso que, em alguns momentos, as pessoas falam do sintético. Às vezes, tem que dar razão para elas. Com gramados como esse, motiva muito a ter o sintético. O maior dos culpados para ter gramados sintéticos no Brasil é o gramado natural desse jeito — disse ele à imprensa.

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A declaração de Ortiz vai na contramão do que o Flamengo tem como “ideal”, que é o campo natural, e reacendeu o debate sobre o modelo mais apropriado. A CBF não faz restrições quanto ao uso do sintético, mas estabelece que precisa cumprir “os padrões exigidos pela Fifa”.

Atualmente, Palmeiras, Botafogo, Atlético-MG, Athletico-PR e Chapecoense têm estádios com esse tipo de grama no Campeonato Brasileiro. Já nas ligas da Europa, são poucos os clubes com artificial. A Trivela explica a seguir quais as regras nas competições do Velho Continente.

Como é a padronização dos gramados em ligas europeias

A Premier League proíbe as equipes de ter gramado sintético, e o veto se estende aos times que estiverem na segunda, terceira ou quarta divisão inglesa. Há ainda as obrigatoriedades de não exceder a altura de 27 milímetros e não realizar nenhuma marcação ou design no gramado — como aquelas que costumavam ser características no King Power Stadium, do Leicester.

King Power Stadium, do Leicester, antes de jogo da Premier League em 2017
King Power Stadium, do Leicester, antes de jogo da Premier League em 2017 (Foto: IMAGO/Uk Sports Pics Ltd)

Antes da temporada começar, a liga determina que os clubes submetam um documento com especificações como o tamanho do campo (105 metros de comprimento e 68 de largura) e deixa as instituições cientes da possibilidade de membros do conselho irem checar a veracidade das informações.

Fica a cargo de cada time manter os padrões determinados, e a Premier League ressalta em seu regulamento que fiscaliza as condições dos gramados constantemente. Se algo não estiver como exigido, adequações serão solicitadas.

O regime de normas também ressalta necessidade de aquecimento subterrâneo e especifica quantos jogadores são permitidos no aquecimento e a duração da atividade para atletas de linha e goleiros, de forma a não prejudicar a qualidade do campo para os embates.

Raphinha pelo Barcelona no Camp Nou
Raphinha pelo Barcelona no Camp Nou (Foto: IMAGO/Sergio Ros)

Na Espanha, LaLiga requer que estádios tenham gramado natural ou híbrido — que pode ter sintético na composição — desde que a taxa de material artificial não ultrapasse 5%. A altura da grama deve ficar entre 20 e 30 milímetros.

A área fora das quatro linhas usada para aquecimento dos suplentes deve obedecer às regras do campo de jogo ou ter sintético padrão Fifa.

No Campeonato Holandês, a grama artificial passou a ser proibida em 2025/26. A Eredivisie determinou que fossem adotados campos naturais ou híbridos (de 5% a 7% compostos com sintético) sob várias justificativas, que vão desde aspectos em campo à saúde.

A Serie A italiana, a exemplo da CBF, não faz objeção ao artificial, porém, exige que o gramado esteja sempre de acordo com normas internacionais da Fifa e passe por manutenções periódicas para não comprometer os jogos ou a integridade dos atletas. A maioria dos clubes italianos opta pela grama natural ou híbrida.

O regulamento neste sentido está alinhado ao disposto pela Uefa. A organização inspeciona a superfície para analisar a situação antes de cada jogo, como rigidez, drenagem, umidade e a condição de bola rolando. Em caso de inadequação, há penalizações.

Uma das punições inclui a possibilidade de aplicar multa de 10 mil euros (R$ 62,5 mil) por parâmetro violado.

As normas na Itália contrariam as ligas da Alemanha e da França, em que os times não podem ter campo totalmente sintético. A Bundesliga permite apenas a grama natural e fiscaliza constantemente as superfícies para garantir que atendem às normas. Os organizadores do Campeonato Alemão pedem ainda que os campos possuam um sistema de aquecimento subterrâneo.

Ligue 1 tem ‘campeonato de gramados' para melhorar qualidade do campo

Na Ligue 1, o gramado totalmente artificial foi proibido em 2017/18, mas é permitido o sistema híbrido. A entidade considera a altura ideal se estiver entre 24 e 28 milímetros. Medida inferior a 20 ou superior a 30 milímetros vai requirir do clube da casa o envio de uma justificativa documentava à liga. O time pode ser sentenciado a pagar até 50 mil euros (R$ 312,5 mil) de multa caso seja decretado culpado.

Os franceses também buscaram uma forma de melhorar as condições de jogo ao incluir um “campeonato do gramado”. São atribuídos pontos às estruturas de jogo no decorrer da temporada, e o clube que tiver média inferior a 10 em três partidas seguidas pode ser sentenciado a pagar 50 mil euros.

Na campanha 2025/26, o Nice se sagrou campeão da disputa pelo melhor gramado. Metz e Nantes completaram o pódio. O campeão nacional e bicampeão da Champions, o PSG ocupou o quarto lugar.

Allianz Riviera, estádio do Nice, da Ligue 1
Allianz Riviera, estádio do Nice, da Ligue 1 (Foto: IMAGO/APL)

A Ligue 1 inclui ainda regras quanto à irrigação, que precisa ser concluída 60 minutos antes de a bola rolar. É possível irrigar após o período desde que seja entre 15 e 5 minutos antes do jogo ou durante o intervalo, desde que não passe de 10 minutos. Descumprir essas regras pode fazer a equipe desembolsar até 7.500 euros (R$ 46,8 mil) em multa.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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