Brasil

Laterais e meias que a Seleção deve testar pelo menos até a Copa América

Técnico italiano assumiu que precisa de novos meio-campistas, mas lateral também precisa de renovação no Brasil

A Copa América de 2028 será o primeiro grande teste da seleção brasileira após a trágica eliminação para a Noruega na Copa do Mundo deste ano. O torneio, não conquistado pelo Brasil desde 2019, ganha peso para Carlo Ancelotti, em busca da primeira taça que pode trazer mais tranquilidade ao trabalho.

O técnico, que tem contrato até o fim do Mundial de 2030, assumiu em diferentes entrevistas nesta semana a necessidade de formar mais meio-campistas. É um setor que precisa de mais opções e diferentes perfis aos testados pelo italiano desde o meio do ano passado, quando assumiu o cargo, ainda mais com o fim do ciclo de Fabinho e Casemiro.

Mas não é a única posição com grande necessidade. As laterais são ponto de crise e de discussão há muito tempo. A esquerda, em especial, precisa de novos nomes surgindo. Como um país gigante e seu histórico no futebol, o Brasil revela muito para todas as posições. Falta esses jogadores serem testados e corresponderem à altura quando testados.

A Trivela lista jogadores que deveriam entrar no radar de Ancelotti nas próximas convocações, principalmente jovens com poucas ou nenhuma oportunidade na Seleção.

Meio-campo da seleção brasileira precisa de novos perfis

Entre os convocados, Danilo Santos, Lucas Paquetá, Bruno Guimarães e Ederson, e outros que já foram convocados, como João Gomes e Andrey Gomes, há uma similaridade nas características: jogadores intensos e, apesar de terem qualidade no passe, por vezes são verticais demais e pouco pacientes para rodar a bola.

Ancelotti assumiu ao “ge” que é um perfil em falta, por isso que sua equipe atua menos com a bola e de forma mais veloz para potencializar os atacantes rápidos Vinicius Júnior, Raphinha e outros. Essa característica não é formada com tanta frequência pelo Brasil, mas há jogadores que possuem esse tipo de jogo e outros que repetem as valências já conhecidas, também necessárias para uma renovação geral no setor.

Matheus Martinelli (Fluminense – 24 anos)

Matheus Martinelli comemora gol pelo Fluminense
Matheus Martinelli comemora gol pelo Fluminense (Foto: IMAGO / justpictures.ch)

O cria do Fluminense é o principal nessa característica procurada por Ancelotti: um primeiro volante que qualifica a saída de bola. É quem dá o primeiro toque e direciona os ataques, com grande eficácia no passe curto e médio. Sem a bola, se destaca pela dedicação para percorrer grandes distâncias.

Pesa a Martinelli ainda não ter dado o salto ao futebol europeu, mas, há cinco anos consolidado no Fluminense, com título de Libertadores, é um jogador que já mostrou qualidade e personalidade para ser convocado.

Breno Bidon (Corinthians – 21 anos)

Breno Bidon pelo Corinthians
Breno Bidon pelo Corinthians (Foto: IMAGO / Brazil Photo Press)

É uma das maiores promessas do meio-campo brasileiro atualmente. Bidon tem mostrado no Corinthians uma grande capacidade associativa, de apoiar a saída de bola e sempre ser uma opção de passe. Toca e passa, conduz com qualidade, perfil quase complementar a Martinelli, uma possível dupla do futuro na Seleção.

Marlon Gomes (Shakhtar Donetsk – 22 anos)

Marlon Gomes antes de partida do Shakhtar
Marlon Gomes antes de partida do Shakhtar (Foto: IMAGO / Ball Raw Images)

Aqui, um perfil mais próximo do que o Brasil já tem muitas opções. Marlon Gomes é um típico meio-campista de chegada ao campo de ataque, com muita intensidade e combativo. No Shakhtar Donetsk desde 2024, o ex-Vasco era figurinha carimbada nas seleções brasileiras de base, mas ainda não foi chamado para a principal por estar longe dos holofotes no futebol ucraniano.

Gabriel Bontempo (Santos – 21 anos)

Gabriel Bontempo após gol pelo Santos
Gabriel Bontempo após gol pelo Santos (Foto: IMAGO / Action Plus)

Em um Santos irregular e pouco equilibrado defensivamente, o Menino da Vila conseguiu se destacar. Como Bidon, Gabriel Bontempo tem sido um meia muito associativo por dentro, sempre se movimentando para receber a bola e participar da construção santista. Por seu histórico como meia direita na base, virou um segundo volante de qualidade na condução da bola e bom passe curto.

Ângelo Gabriel (Al Nassr – 21 anos)

Ângelo em treino do Al Nassr
Ângelo em treino do Al Nassr (Foto: IMAGO / GEPA pictures)

Conhecido por ser um ponta de velocidade e drible, Ângelo Gabriel se reinventou sob o comando de Jorge Jesus. O técnico português passou a usar o atacante como camisa 10, às vezes até de 8, funções nas quais o ex-Santos se reinventou e brilhou no título saudita de 2025/26. Claro que ele precisa se consolidar mais por dentro, mas é um jogador a ser testado pela capacidade de marcar gol e criar chances por sua qualidade técnica.

Evertton Araújo (Flamengo – 23 anos)

Evertton Araújo celebra gol marcado pelo Flamengo
Evertton Araújo celebra gol marcado pelo Flamengo (Foto: IMAGO / Carneiro Images)

É o jogador com mais perfil de Casemiro e Fabinho da lista. O jovem do Flamengo, que vinha de temporadas sem mostrar seu potencial no profissional, explodiu em 2026 como um primeiro volante de bom combate e capaz de cobrir espaços por dentro. Falta ainda evoluir no jogo com a bola, porém, suas características são importantes porque não são tão comuns na safra atual brasileira.

Zé Lucas (Cruzeiro – 18 anos)

Recém-contratado pelo Cruzeiro, o jovem revelado pelo Sport se consolidou ainda menor de idade, o que ilustra sua personalidade, sendo também capitão na base da Seleção. Camisa 5 moderno, Zé Lucas atua de frente para o campo, de cabeça erguida, para direcionar ataques com passes curtos, médios e longos. Pelo histórico no futsal, tem facilidade com a bola no pé em espaços curtos.

Sem a bola, compensa a estatura (1,74m) com muita dedicação e intensidade para desarmes e roubadas.

André Luiz (Corinthians – 19 anos)

André Luiz em Corinthians x Remo
André Luiz em Corinthians x Remo (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Mais um do Corinthians que se consolidou no profissional recentemente. André Luiz, quase vendido ao futebol italiano, é mais um meio-campista de chegada ao ataque, intensidade e qualidade para marcar gols. Mas tem mais do que isso. Por vezes, pode parecer um camisa 10 por suas alternativas em espaço curto, com dribles e ótimo controle.

Gabriel Mec (Grêmio – 18 anos)

Gabriel Mec comemora gol do Grêmio
Gabriel Mec comemora gol do Grêmio (Foto: IMAGO / Action Plus)

O perfil mais camisa 10 da lista é uma das grandes promessas do futebol brasileiro. Driblador e ambidestro, Gabriel Mec é muito ágil para atuar entre as linhas adversárias e criativo para criar chances. Pode arrancar também para finalizar. Aos 18 anos, é alvo do futebol europeu, tem ganhado mais minutos no futebol profissional em 2026 e tem evoluído na dedicação defensiva.

Isaque (Shakhtar Donetsk – 19 anos)

Isaque em jogo do Shakhtar na Conference League
Isaque em jogo do Shakhtar na Conference League (Foto: IMAGO / Sportimage)

Outra cria de Xerem, Isaque saiu do Flu para o Shakhtar no último ano e fez um bom primeiro ano na Ucrânia, com 14 participações em gol. Mesmo que possa jogar nas duas pontas, é capaz de ser um meio-campista por dentro de chegada, criação de chances e também finalização.

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Lateral direita tem dúvida sobre opções mais experientes

Dá para dizer que o setor tem um nome definido, provavelmente por todo o ciclo: Wesley, ex-Flamengo, que joga na Roma. A ver qual será a ideia de Ancelotti para Éder Militão, já que o zagueiro do Real Madrid atuou como lateral-direito e seria o titular na Copa se não fosse uma lesão na coxa.

É uma posição que precisa de testes, pois Wesley também teve problema físico no Mundial, o que fez o Brasil mudar sua forma de atacar, mas não há tantos jovens promissores surgindo como no meio-campo ou na lateral esquerda.

Gustavo Mantuan (Zenit – 25 anos)

Gustavo Mantuan em jogo do Zenit
Gustavo Mantuan em ação pelo Zenit (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

Atacante de origem, o ex-Corinthians correspondeu quando foi transformado em lateral na Rússia, entrando para a seleção do campeonato local em 2024/25. Ancelotti mostrou estar de olho no Zenit ao chamar Douglas Santos e Luiz Henrique, o que mostra que o ala ofensivo, muito participativo com cruzamentos e chegadas à linha de fundo, pode sonhar com o Brasil.

Vinicius Tobias (Shakhtar Donetsk – 22 anos)

Vinicius Tobias antes de partida do Shakhtar
Vinicius Tobias antes de partida do Shakhtar (Foto: IMAGO / DeFodi Images)

Como Matuan, foi ponta na base e, como lateral, se destaca por sua presença na amplitude: dribla em velocidade e dá muitos passes para gols. Como todos os nomes que são do Shakhtar da lista, ele tem o asterisco de ser pouco testado no nível mais alto, só que mostra potencial para atingí-lo e receber uma chance na Seleção.

Pedro Lima (Wolverhampton – 20 anos)

Pedro Lima pelos Wolves
Pedro Lima pelos Wolves (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Cria do Sport, o jovem ainda não se consolidou no futebol europeu desde que se transferiu, em 2024. Com a queda dos Wolves para a segunda divisão inglesa, Pedro Lima pode ter a oportunidade de ganhar sequência e mostrar sua faceta ofensiva, de velocidade, passadas largas e qualidade no drible. Se tiver minutos, merece ser considerado por Ancelotti.

Arthur (Bayer Leverkusen – 23 anos)

Arthur em partida do Leverkusen
Arthur em partida do Leverkusen (Foto: IMAGO / Maximilian Koch)

Mais um com vocação ofensiva, Arthur tem se consolidado na Alemanha após período de lesões e poucos minutos por ser muito jovem. O ala, com passagens pela base de Cruzeiro, Flamengo e América-MG, mostrou sua qualidade no ataque com duas assistências e um gol entre dezembro e janeiro. Ele foi convocado pela seleção principal uma vez, em 2023, ainda com Ramon Menezes.

Kauã Moraes (Cruzeiro – 19 anos)

Kauã Moraes após gol pelo Athletico-PR
Kauã Moraes após gol pelo Athletico-PR (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Após passar pela base do Palmeiras e se profissionalizar no Athletico, ele deu o salto para o Cruzeiro. Em Minas, Kauã Moraes seguiu o que estava fazendo no Paraná: um lateral com grande qualidade de criação de chances em passes em profundidade ou bolas mais longas, seja por dentro ou aberto. Ele ainda trabalha bem com o pé esquerdo, o que tem feito ele atuar na lateral-esquerda no Cruzeiro e entregado bem.

Esquerda tem maior disputa

Na esquerda, os problemas são maiores, mas as opções futuras são melhores. Alex Sandro e Douglas Santos devem ter terminado seu ciclo com a Amarelinha e abrem espaço para jovens que prometem entregar muito.

Kaiki Bruno (Como – 23 anos)

Kaiki Bruno em sua estreia no Como
Kaiki Bruno em sua estreia no Como (Foto: IMAGO / Gribaudi/ImagePhoto)

Um possível titular para o ciclo da seleção brasileira, o jovem ex-Cruzeiro acaba de chegar ao futebol europeu. No Como, Kaiki Bruno pode mostrar o que o fez um dos melhores na posição no futebol brasileiro: ultrapassagens, chegadas ao campo de ataque e muito combate e dedicação na parte defensiva. Convocado uma vez por Ancelotti, em março passado, tem tudo para ser presença certa na próxima lista.

Kauã Prates (Borussia Dortmund – 17 anos)

Kauã Prates pela seleção brasileira sub-20
Kauã Prates pela seleção brasileira sub-20 (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Também revelado pela Raposa, o jovem nem precisou atingir a maioridade para ser vendido ao Borussia Dortmund. Como Kaiki, é mais um lateral que vai bem na defesa e no ataque, sendo até zagueiro em alguns momentos por sua altura (1,84m). É veloz e tem capacidade de drible. Precisa de minutos na Europa para se desenvolver bem e defender a Seleção principal — na base, veste a Amarelinha desde os 16 anos.

Arthur Gabriel (Palmeiras – 20 anos)

Arthur Gabriel em jogo do Brasileirão pelo Palmeiras
Arthur Gabriel em jogo do Brasileirão pelo Palmeiras (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Parte da melhor base do futebol brasileiro nos últimos anos, Arthur Gabriel furou a fila na posição e fez 22 jogos neste ano, seu primeiro no time principal, sendo 16 como titular. É um lateral bem mais conservador, de fazer saída de bola com os zagueiros e ter um perfil de melhor qualidade no passe. Não é o cara para fazer ultrapassagens na ponta. Para a seleção brasileira, um perfil que traria versatilidade.

Luciano Juba (Bahia – 26 anos)

Luciano Juba no banco de reservas em amistoso da seleção brasileira
Luciano Juba no banco de reservas em amistoso da seleção brasileira (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Um dos destaques do futebol brasileiro nos últimos anos, Juba saiu de ponta para ser lateral com Rogério Ceni e mostrou repertório. Ele pode dar amplitude e relembrar seus tempos de atacante, focando na velocidade e no drible, ou aparecer como meia por dentro, como faz com maior frequência, e ser peça importante na criação e finalizações de média distância. Foi lembrado por Ancelotti uma vez, em novembro do ano passado, mas não jogou.

Souza (Tottenham – 20 anos)

Souza em ação pelo Tottenham
Souza em ação pelo Tottenham (Foto: IMAGO / APL)

É a cara do lateral brasileiro: muito ofensivo e de ultrapassagens na ponta. Souza, revelado pelo Santos, tem a veia do futsal como muitos talentos do Brasil e mostra facilidade em ter a bola no pé. É um lateral que pode ter problemas defensivos, mas que tem tudo para evoluir no Tottenham e ser presença na Seleção nos próximos anos.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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