‘Cheguei a gaguejar’: Único brasileiro do Leverkusen detalha encanto por Xabi Alonso e sonho na Seleção
À Trivela, Arthur, ex-América-MG, repassa momentos da carreira e reflete sobre momento na temporada antes de duelos com o Olympiacos, pela Champions League
Se Arthur trabalha no Bayer Leverkusen com o sonho de se juntar à seleção brasileira antes da Copa do Mundo e colhe os frutos da titularidade na Bundesliga, muito disso se deve a Xabi Alonso.
Quando defendia o América-MG, em 2022 e 2023, e recebeu sondagens de clubes da Europa, o lateral foi convencido pelo treinador espanhol, a partir de uma conversa por chamada de vídeo, a se juntar ao clube da Alemanha.
“Quanto fiquei sabendo que teria essa videochamada com o Xabi, fiquei bastante nervoso. Meus pais estavam perto de mim e até riram da situação, porque eu chegava a gaguejar”, brinca o lateral, à Trivela. Arthur atendeu a reportagem também por meio de videochamada, uma semana antes do duelo com o Olympiacos, que ocorre nesta quarta-feira (18), pela ida da repescagem da Champions League.
“Não é todo dia que você consegue conversar com o Xabi Alonso.” Foi o que pensou Arthur em 2023, e dividiu com a Trivela nos 40 minutos que concedeu da reportagem, diretamente dos cômodos de sua casa na Alemanha.
Atualmente, Arthur é o único brasileiro no elenco do Bayer Leverkusen. Não que isso o incomode, já que Xabi Alonso — mesmo que não esteja mais no comando da equipe — tratou de sanar quaisquer receios do lateral. Com o treinador, ele pôde conversar em português, dada a experiência que o espanhol teve com brasileiros ao longo de sua carreira. Também contou com o apoio de Daniel Jouvin, preparador físico do Bayer Leverkusen desde 2010 e outro compatriota de Arthur na Alemanha.

Mas além disso, por que o Bayer Leverkusen? Natural de Minas Gerais, Arthur teve destaque no América, mas antes disso também atuou pelas categorias de base do Flamengo, clube em que conheceu Kauã Santos, goleiro do Eintracht Frankfurt. A decisão pela Alemanha, e pelo clube que viria a se sagrar campeão da Bundesliga, passou também pelos brasileiros que atuaram no clube antes dele.
— Sempre enxerguei o Bayer Leverkusen como o grande clube que é. Sabia do histórico de brasileiros que passaram pelo clube e tiveram êxito. Então, quando essa oportunidade surgiu, nós (empresários e família) observamos com muito carinho. Desde o início, todo o estafe do clube sempre mostrou interesse, foram acolhedores comigo em todos os momentos e me passaram bastante confiança de que seria um projeto muito produtivo para os dois lados — conta.
Arthur continua o legado de Renato Augusto, Wendell e Juan, três atletas que alcançaram maior destaque no Bayer Leverkusen. Ele é o também o primeiro brasileiro desde Paulinho, meia do Palmeiras, a se juntar à equipe alemã.
Números de Arthur pelo Bayer Leverkusen em 2025/26
- 23 jogos
- 2 gols
- 3 assistências
Arthur mantém sonho de disputar a Copa do Mundo
Arthur foi vendido ao Bayer Leverkusen em abril de 2023. No mesmo mês, foi convocado por Ramon Menezes para defender a seleção brasileira profissional. O treinador, que o lateral coloca lado a lado com Xabi Alonso como o mais importante de sua carreira, já havia apostado em Arthur nas categorias de base da CBF, e manteve a escolha em amistoso contra Marrocos, no início do ciclo para a Copa do Mundo.
É com base em sua experiência na seleção que Arthur nutre o sonho de integrar a seleção brasileira de Carlo Ancelotti. Depois de passar por problemas com lesões musculares em sua primeira temporada no Leverkusen, que também encurtaram o contato com Xabi Alonso antes de o treinador rumar ao Real Madrid, começou a conquistar mais espaço na Alemanha a partir desta temporada.
Sob o comando de Kasper Hjulmand, conseguiu se firmar como uma das peças de reposição para Jeremie Frimpong, que deixou a Alemanha em direção ao Liverpool. Ainda precisa lidar com a concorrência direta de Lucas Vázquez, que se transformou em um ala, mas o brasileiro tem conquistado preciosos minutos nesta temporada.
O lateral não chegou a conversar com Dorival e Ancelotti, que ocuparam o cargo de treinador do Brasil desde então. O italiano, no entanto, garantiu em novembro que há vagas em aberto para a Copa do Mundo. A próxima convocação ocorre em março, para amistosos contra França e Croácia.
— Eu tenho buscado fazer uma ótima temporada para, de alguma forma, chamar a atenção do professor Ancelotti, ter uma oportunidade na Seleção e aproveitá-la ao máximo. Quem sabe, assim, garantir meu lugar para os próximos anos de seleção e para essa Copa do Mundo, que seria um grande sonho — reflete o brasileiro.

Além de Frimpong e Vázquez, Arthur absorveu alguns dos aprendizados de Grimaldo, que atua na ala esquerda — oposta ao brasileiro. Somado aos “feedbacks” de Xabi Alonso ao longo de suas duas primeiras temporadas na Alemanha, encontrou o “momento certo” para se destacar nesta temporada. Primeiro na breve passagem de Erik Ten Hag, depois com Hjulmand.
— O Xabi sempre me passava feedbacks quando eu voltei aos gramados, sobre coisas nas quais eu poderia melhorar, o que eu poderia implementar no meu estilo de jogo pra evoluir cada vez mais. Ele sempre me dava um retorno, me chamava pra conversar no fim dos treinos ou dos jogos
— Com toda essa experiência, essa bagagem que eu adquiri nos últimos anos, e com a saída do Frimpong, deixando essa vaga em aberto, tive pra mim que era o momento de mostrar tudo aquilo que eu já tinha aprendido (e continuo aprendendo) para ter mais oportunidades e me consolidar nessa posição — conta Arthur.
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Único brasileiro no Bayer — e um dos poucos na Alemanha
Assim que chegou na Alemanha, Arthur precisou aprender a lidar com a nova cultura no país. Dois “perrengues” marcaram o brasileiro: as lojas fechadas aos domingos e, problema comum aos estrangeiros no país, a confusão com as janelas.
“No primeiro dia, achei que já tinha quebrado a janela”, brinca o brasileiro. Na Alemanha e em outros países do leste europeu, as janelas têm dois modos de abertura: usando a maçaneta para o lado ou inclinada pelo topo para ventilação do ambiente.

— É claro que, quando a gente muda de país, está acostumado com uma cultura diferente, e acaba estranhando a língua, os costumes, a comida. Mas eu busquei me adaptar o mais rápido possível. Sabia que conseguiria me comunicar na rua se surgisse algum problema — conta.
No Leverkusen, contou com um auxílio de um professor — que também se comunicava em português — para se familiarizar ao idioma. No dia a dia, além de passear com seu cachorro, tocar violão e cavaquinho, utilizava o aplicativo “Duolingo” para não passar por perrengues no Velho Continente.
— Antes de chegar aqui na Alemanha, tinha iniciado um curso de alemão. Durante o meu processo de lesão, como eu estava fora dos gramados, aproveitei para me aprofundar na cultura e na língua alemã. Com menos de um ano de aprendizado, já conseguia dar entrevistas e conversar com as pessoas em alemão. Nesse meio-tempo, também fui aprendendo inglês, para aprimorar a comunicação com todos no clube — conta o lateral.
Duelo com Rodinei na Champions League
O encontro entre Bayer Leverkusen e Olympiacos será o segundo entre as equipes nesta temporada. Na fase de pontos corridos, os gregos levaram a melhor, por 2 a 0. A partida marcou a primeira vez que Arthur e Rodinei, laterais, se enfrentaram e conversaram.
— Rodinei é um grande atleta, com muita qualidade física e um futebol muito agressivo e intenso. Foi um prazer jogar com ele, e vai ser um prazer jogar de novo. Acabamos trocando mensagens, combinando que vamos nos encontrar outra vez. Tenho certeza de que vai ser muito legal dividir os gramados com ele novamente — conta o lateral.
Para Arthur, além de reencontrar o brasileiro, a partida pode ter um “sabor especial”. Na última temporada, o lateral foi utilizado por Xabi Alonso na eliminação diante do Bayern de Munique, nas oitavas de final, como titular. Depois de início abaixo da equipe na temporada, com as mudanças de comando — Erik Ten Hag foi demitido após comandar o Bayer Leverkusen em apenas três partidas.
— Tudo isso influencia no começo de uma temporada em qualquer equipe. Mas é um processo que também acontece com outros times, e muitas vezes até com aqueles que são considerados favoritos. Grandes times também passam por dificuldades nos playoffs (da Champions League), então a gente não pode ver isso como algo negativo. Ainda temos, sim, a oportunidade de avançar de fase — aponta Arthur.
O lateral passou por diversos momentos no Bayer Leverkusen. Agora com Kasper, treinador que tem lhe dado mais oportunidades na Alemanha e que tem uma “maneira muito boa de lidar com o grupo”, sonha em alçar voos maiores na Europa, sem passar pela sua cabeça um retorno ao Brasil — e sonhando alto.
— Sou muito novo e tenho consciência disso. Quero me preparar da melhor forma aqui, mantendo o mais alto nível físico e mental, para conseguir suportar grandes competições e jogos importantes. Busco ter muitos anos de carreira aqui na Europa, me tornando um jogador de referência na minha posição — afirma.
O primeiro grande desafio na temporada é justamente contra o Olympiacos. As equipes se enfrentam nesta quarta-feira (18), em Pireu, na Grécia. O duelo de volta dos playoffs ocorre já na semana seguinte, na terça-feira (24), na Alemanha.



