‘Não se trata exatamente de táticas’: Kompany revela maior aprendizado com Pep Guardiola
Técnico do Bayern detalha influência que marcou sua trajetória no Manchester City e molda sua atuação à beira do campo
A vitoriosa passagem de Vincent Kompany pelo Manchester City sob o comando de Pep Guardiola segue influenciando diretamente sua formação como treinador. Hoje à frente do Bayern de Munique, o belga frequentemente revisita aprendizados daquele período para explicar princípios que tenta implementar em sua equipe — e, nesta quarta-feira (18), voltou a destacar que o maior legado recebido do técnico espanhol vai além de esquemas ou movimentos de campo.
Ao comentar o que absorveu durante os anos em que foi capitão do City de Guardiola, Kompany enfatizou a construção de uma mentalidade competitiva constante, baseada na valorização absoluta de cada partida. Para ele, o ensinamento central não estava em detalhes táticos específicos, mas na exigência de encarar todo compromisso com o mesmo nível de foco e ambição, independentemente do adversário ou do contexto do calendário.
— Não se trata exatamente de táticas. Trata-se de mentalidade, de sempre querer vencer tudo, de encarar cada jogo como um jogo importante, sem distinção entre um jogo contra o seu principal rival e um jogo contra uma equipe da segunda divisão. Ter essa mentalidade de estar sempre presente — disse durante evento dos membros do clube Infantil do Bayern.
A admiração pelo antigo comandante, porém, não se traduz em tentativa de reprodução literal de métodos ou ideias. Kompany faz questão de destacar que sua trajetória à beira do campo é construída a partir de referências diversas, combinando influências acumuladas ao longo da carreira com escolhas próprias de liderança e jogo.
Ao abordar diretamente como enxerga o próprio modelo de treinador, o ex-zagueiro voltou a situar Guardiola como principal inspiração, mas dentro de um repertório mais amplo de aprendizados.
— O melhor treinador que já tive foi, sem dúvida, Pep Guardiola. Ele expandiu minha compreensão do futebol. Não estou tentando fazer as coisas da mesma forma que o Pep. Pep é diferente, ele foi o melhor. Absorvi certas coisas de cada treinador com quem trabalhei. Mancini e Huub Stevens também foram bons exemplos. Você absorve algo de cada treinador para escrever sua própria história — concluiu.
Como foram os trabalhos de Kompany como técnico?
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A transição de Vincent Kompany para a carreira de treinador começou de forma quase orgânica no Anderlecht, clube onde encerrou a trajetória como jogador. Em 2019, assumiu inicialmente a função híbrida de atleta-treinador, em um projeto que buscava reconstrução esportiva e identidade de jogo.
A experiência, porém, revelou rapidamente as dificuldades de conciliar papéis, e Kompany passou a dedicar-se exclusivamente ao comando técnico, priorizando a implementação de um modelo apoiado em posse, construção curta e protagonismo com a bola.
Não teve conquista de títulos, contudo, o período à frente do time belga consolidou a imagem do ex-zagueiro como treinador de ideias claras e convicções fortes, mesmo em contextos adversos.
O salto de afirmação veio na Inglaterra, quando assumiu o Burnley em 2022, logo após o rebaixamento à Championship. Em um cenário de reformulação profunda do elenco, o belga promoveu mudança radical de estilo em relação ao jogo direto tradicional do clube, adotando princípios associados ao futebol posicional.
O impacto foi imediato: o Burnley dominou a segunda divisão, conquistou o título com ampla vantagem e garantiu retorno antecipado à Premier League, com reconhecimento amplo pelo futebol ofensivo e organizado.
A experiência na elite inglesa, entretanto, expôs os limites do projeto em curto prazo. Com um plantel ainda em maturação e adaptando-se ao nível superior, o Burnley teve dificuldades competitivas e acabou novamente rebaixado em 2023/24.
Apesar do desfecho, o trabalho manteve prestígio no mercado europeu pela coerência de ideias e capacidade de desenvolvimento coletivo, credenciais que levaram Kompany ao comando do Bayern de Munique, onde passou a enfrentar o maior desafio e a maior vitrine de sua ainda jovem carreira de treinador. Já são dois títulos no comando do Gigante da Baviera: a Bundesliga 2024/25 e a Supercopa da Alemanha 2025.