Futebol alemão

‘Se vocês se comportarem mal, eu vou embora’: Klopp exige respeito na Alemanha

Técnico foi apresentado pela seleção e revelou planos para recuperar protagonismo na Copa do Mundo de 2030

Agora, é oficial: Jürgen Klopp foi apresentado pela Alemanha após deixar o cargo de diretor de futebol global do Grupo Red Bull. O treinador assinou contrato até 2030 e revelou quais são seus planos para recolocar a seleção de volta ao protagonismo na Copa do Mundo. Mais do que isso, o ex-Liverpool também exigiu respeito dos torcedores e da mídia.

Em coletiva nesta sexta-feira (24), Klopp relembrou os abusos voltados a Julian Nagelsmann, seu antecessor na seleção alemã, e Thomas Tuchel, que também tem sido perseguido na Inglaterra pela eliminação no torneio da Fifa da América do Norte. O novo comandante da Nationalelf incentivou críticas respeitosas a seu trabalho, mas sem dar brechas para o assédio.

Julian Nagelsmann, ex-técnico da seleção alemã
Julian Nagelsmann, ex-técnico da seleção alemã (Foto: Ulmer/Teamfoto/Imago)

— No dia em que vocês não me quiserem mais, basta dizerem e eu vou embora. Sem indenização. Se amanhã vocês disserem que sou ruim, eu vou embora. Não basta uma pessoa, teria que ser mais do que isso. Se a Federação Alemã disser que é ruim, eu vou embora — começou Jürgen Klopp.

Se vocês se comportarem mal e não deixarem minha família em paz, eu vou embora — completou o técnico alemão.

Nagelsmann acumulou atritos com os jogadores antes do Mundial e, diante do Paraguai, acabou eliminado nos 16 avos de final, nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar. Lotthar Matthaus, campeão em 1990 com a Alemanha, foi um dos que cobraram o jovem treinador por suas inconsistências no cargo.

Já Tuchel saiu na frente contra a Argentina, na semifinal da competição, mas levou a virada por 2 a 1 nos acréscimos após adotar uma postura extremamente defensiva. Embora tenha alcançado o 3º lugar na Copa, a melhor campanha do English Team desde o título de 1966, o alemão tem sido detonado por sua estratégia.

Thomas Tuchel pensativo no banco da seleção inglesa
Thomas Tuchel pensativo no banco da seleção inglesa (Foto: Mark Pain/Imago)

Jamie Carragher, ídolo do Liverpool, apontou que o treinador fez uma “besteira ainda maior” do que Gareth Southgate, que também foi semifinalista na Copa do Mundo de 2018 e duas vezes vice-campeão da Eurocopa, em 2021 e 2024. À época, o inglês se desvinculou da função em meio às exigências por um futebol mais atrativo.

O que Klopp vai fazer para resgatar a força da seleção da Alemanha?

Multicampeão por Borussia Dortmund e Liverpool, Klopp reforçou que chegar a Nationalelf é uma “grande honra” e, até certo ponto, “inimaginável”, sendo o “ponto alto” de sua carreira. Pela primeira vez à frente de uma seleção, o técnico reconheceu as diferenças do dia a dia dos clubes, que foi sua rotina por 25 anos até deixar Anfield ao final de 2023/24 por “falta de energia”.

— Vou assistir aos jogos em todos os países onde nossos jogadores estão, incluindo a Alemanha, claro. Aprendi muita coisa ultimamente. Manter contato com os jogadores é muito importante, e vou tentar entrar em contato com eles logo no início. Essa será minha primeira tarefa — garantiu Jürgen Klopp.

Sem abrir mão de sua identidade, o treinador avisou que seu estilo de jogo gegenpressing será aplicado na seleção alemã: pressão alta sem a bola, formação estável, uma filosofia de futebol clara e sem marcação individual — por mais que tenha reconhecido que esse último aspecto seja utilizado por Vincent Kompany no Bayern de Munique, que detém a base da Nationalelf.

Jogadores alemães durante disputa de pênaltis contra o Paraguai
Jogadores alemães durante disputa de pênaltis contra o Paraguai (Foto: Markus Fischer/Passion2Press/Imago)

Outra questão levantada por Jürgen Klopp é que a Alemanha não deve se perguntar se “é tão boa quanto à França?“, mas sim se há jogadores no país “como Ousmane Dembélé, Kylian Mbappé, Désiré Doué e Bradley Barcola?”. Apesar da resposta ser “não”, o técnico defende que ainda é possível competir contra as principais potências internacionais desde que haja coesão coletiva.

— Gosto de ser ousado. Sempre fui e sempre serei. Estou ansioso por trabalhar com jogadores que praticam um estilo de futebol que todos apreciam. Nem sempre é um sucesso imediato, mas quero garantir que as pessoas voltem para casa depois do jogo e digam: “Uau!” — finalizou Klopp.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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