‘Como Klopp pode motivar alguém em Leipzig se está em Salzburg e depois voa ao Brasil?’
Uli Hoeness diz que nova função do ex-Liverpool não permite que clubes da Red Bull aproveitem as melhores qualidades do alemão
Jürgen Klopp trocou a área técnica por trabalho mais de bastidor em janeiro de 2025, quando iniciou no cargo de dirigente esportivo global do Grupo Red Bull e se tornou um dos responsáveis pela gestão de clubes da companhia.
Essa mudança não foi considerada ideal pelo presidente honorário do Bayern de Munique, Uli Hoeness. O executivo comentou o assunto em entrevista ao jornal “Bild” e analisou que o alemão ex-Liverpool deveria continuar a atuar mais perto dos gramados.
— A maior força dele está nas capacidades interpessoais, na forma como consegue motivar os jogadores — opinou.
— Como ele pode motivar alguém em Leipzig se está em Salzburg e depois voa ao Brasil? — questionou Hoeness.
Klopp comentou ao “The Athletic” detalhes da nova função que exerce e falou em “ser o cara que nunca teve” no ramo. Ajudar treinadores a tomar decisões e lançar joias em campo e fora dele, de modo a identificar talentos da gestão esportiva.
A posição invariavelmente exige muitas viagens, visto que a companhia austríaca tem no portfólio os clubes da marca RB — Red Bull Bragantino, RB Leipzig, RB Omiya Ardija e New York Red Bulls — e fatia do Paris FC (França), do Leeds (Inglaterra) e do FC Liefering (Áustria).
O alemão não negou que pode voltar a ser técnico de futebol um dia, mas ressaltou que isso não está nos planos por ora.
Hoeness lamentou. “Este não é um papel para ele. Klopp tem que estar no campo de futebol, não é alguém que voa pelo mundo para dar palestras”, disse.
Klopp esteve na mira do Bayern de Munique, revela Hoeness
O presidente honorário do Bayern mostrou muito apreço pelo treinador Klopp e revelou que chegou a acordo com ele para ser técnico dos Bávaros em 2008.
— Liguei quando ele ainda estava no Mainz e perguntei: ‘Se imagina treinando o Bayern?’. Ele respondeu: ‘Sim, claro’.
As negociações não avançaram até a assinatura. O xará Jürgen Klinsmann era o nome favorito de Karl-Heinz Rummenigge, então executivo do clube, e foi o escolhido para o cargo. Klopp, por sua vez, se transferiu ao Borussia Dortmund.

A parceria entre Klinsmann e Bayern não resistiu a uma temporada abaixo das expectativas e sem o título da Bundesliga, que ficou com o Wolfsburg.
Esse problema não tem acontecido com Vincent Kompany, que está em seu segundo ciclo à frente do gigante da Baviera. “É como se tivéssemos ganhado na lotaria”, comentou Hoeness sobre o belga.
— Ele conseguiu exatamente o que Thomas Tuchel, que considero um homem muito inteligente, não tinha conseguido. Vincent teve ligação imediata e uma paixão pelos seus jogadores e nunca pediu para trazermos jogadores. Sinaliza os problemas internos, mas nunca os aborda publicamente. É assim que fortaleces os seus jogadores ao invés de enfraquecê-los.
— É o treinador mais popular do Bayern em muito tempo — concluiu Hoeness.



