Alemanha

Era evidente que Thomas Tuchel ia cair no Bayern de Munique, e te mostramos os motivos

Bayern de Munique anunciou o desligamento do treinador na manhã desta quarta-feira

Balançou, balançou… E caiu. Thomas Tuchel não é mais treinador do Bayern de Munique. Longe de qualquer chance de título da Bundesliga e por um fio na Champions League, os maus resultados e o desempenho abaixo da média levaram à diretoria da equipe à decisão. O treinador fica no comando da equipe somente até o final da temporada.

Tuchel corre sério risco de ficar marcado negativamente na história do Bayern de Munique como o único treinador a não conquistar um título pelo clube em 12 anos. Após 11 canecos nacionais seguidos, hegemonia no cenário nacional e consistência dentro das competições europeias, o clube que parecia uma locomotiva, passando por cima de todos os adversários sem mostrar que se perderia pelo caminho, se perdeu. Após a saída um tanto polêmica de Julian Nagelsmann, atualmente na seleção da Alemanha, tudo começou a dar errado pelos lados da Baviera.

Problemas de gestão, escalações no mínimo questionáveis e, principalmente, a falta de competitividade, tanto na Bundesliga, como na Champions League, fizeram com que o Bayern de Munique perdesse sua força de maneira descomunal. Criticado pela mídia, pela torcida, e agora sem o apoio da diretoria do clube, Tuchel demonstrou nervosismo, falta de controle emocional e muito despreparo para um treinador que, até pouco tempo, dominou a Europa com o Chelsea.

Saída de Nagelsmann teria sido prenúncio da tragédia?

No meio da temporada passada, Julian Nagelsmann foi o nome escolhido a dedo pela diretoria do Bayern de Munique para substituir Hansi Flick, que foi assumir a seleção da Alemanha. Menos de dois anos após a sua contratação, o jovem e promissor treinador saiu “pela porta dos fundos” da Allianz Arena, de forma misteriosa e sem muitas explicações pelos mandatários do clube. Derrotado pelo Bayer Leverkusen por 2 a 1 na ocasião, resultado que fez o clube Bávaro perder a liderança da Bundesliga, a alta cúpula decidiu pelo desligamento do técnico, pegando todos de surpresa em meio a uma Data Fifa.

O que é mais estranho na demissão de Nagelsmann é que o Bayern de Munique estava jogando bem, vencendo 27 das 37 partidas que tinha disputado até aquele momento, com 100% de aproveitamento na Champions League e eliminado o PSG nas oitavas de final da competição. Tudo teria mudado a situação do treinador à frente do clube após a entrevista coletiva depois da derrota para o Leverkusen, quando afirmou que o time foi preguiçoso durante o jogo.

A fala foi endossada pelo diretor esportivo Hasan Salihamidzic, ex-jogador do Bayern de Munique, o que, naquele momento, parecia um apoio da diretoria ao trabalho de Nagelsmann, que havia conquistado a Bundesliga com certa facilidade na temporada 2021/2022. Mas o clima no vestiário ficou insustentável e a administração do clube optou pela saída do treinador.

Relatos da época afirmam que o técnico era uma pessoa de difícil relacionamento, o que teria feito com que a administração do clube optasse pela sua demissão e contratação de Tuchel, que havia conquistado recentemente a Champions League pelo Chelsea.

Bayern ousou na mudança de treinador e Tuchel se perdeu no comando do time

No primeiro ano de Tuchel no comando do Bayern de Munique, o clube Bávaro teve a “sorte” de conquistar a Bundesliga após um vexame quase inacreditável do Borussia Dortmund na última rodada. Bastava o time Aurinegro vencer o Mainz em casa para se sagrar campeão, não foi o que aconteceu. Eliminado para o Manchester City nas quartas de final da Champions League, a diretoria do time de Munique fez uma limpa em sua diretoria, com o presidente de honra Uli Hoeness tomando as rédias do clube, que parece sem direção até o momento.

Em um clima extremamente constrangedor, ao melhor estilo The Office, Hoeness desligou o CEO do clube, Oliver Kahn, ex-goleiro da equipe e da seleção da Alemanha, além de Salihamidzic do cargo de diretor esportivo poucas horas depois de conquistar a Bundesliga. Uli Hoeness revelou que precisou ter uma conversa séria com Karl-Heinz Rummeniegge para uma espécie de “choque de ordem dentro do clube” e não escondeu sua insatisfação com a demissão de Nagelsmann.

O presidente de honra do Bayern de Munique ainda afirmou que só deixaria as funções práticas no clube novamente quando as coisas estivessem dentro dos trilhos novamente, o que parece estar longe de acontecer.

Declarações do técnico e rendimento em campo determinaram a demissão

Dentro de campo, o time Bávaro parece descoordenado e fora dele o clima entre jogadores e Thomas Tuchel não é nada bom. Thomas Müller, um dos jogadores mais experientes do elenco, declarou que faltava coragem aos jogadores do Bayern de Munique após a derrota por 3 x 0 diante do Leverkusen. O clima ficou ainda mais pesado quando Tuchel criticou o nível dos jogadores após a derrota para o Bochum por 3 x 2 no último final de semana.

Enfrentando críticas pesadas e sob uma forte pressão da diretoria, torcida e da própria mídia, Thomas Tuchel demonstrou visível desequilíbrio emocional nos dias que antecederam o anúncio de seu desligamento. Confundindo o nome dos jogadores do seu próprio time e se esquecendo de outros, como Gnabry, em entrevista concedida antes do jogo diante da Lazio pelas oitavas de final da Champions League desta temporada.

Diante deste cenário complicado, a diretoria do clube não encontrou outra alternativa que não fosse a demissão do treinador, que sai do time em junho deste ano. Em 44 jogos disputados no comando do Bayern de Munique, Thomas Tuchel venceu 28, empatou apenas cinco vezes e perdeu 11. Neste ano o clube bávaro perdeu o título da Supercopa da Alemanha para o RB Leipzig, pelo placar de 3 x 0 e foi eliminado da Copa da Alemanha pelo Saarbrücken, da terceira divisão nacional.

Acostumado a títulos, as escolhas equivocadas da diretoria do Bayern de Munique cobraram um alto preço e podem se tornar um desastre completo com a confirmação da eliminação do clube na Champions League e a perda do título da Bundesliga. Resta saber se a partir da próxima temporada a diretoria do clube acertará na contratação do próximo técnico, que pode ser Xabi Alonso, sonho antigo dos Bávaros e se a administração da equipe conseguirá retomar o caminho da organização dentro e fora do campo.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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