Alemanha

‘Ser o cara que eu nunca tive’: O diretor Klopp olha para o futuro na Red Bull

Alemão explica trabalho exercido nos times da companhia austríaca e diz estar feliz com nova fase fora das quatro linhas

Muitas dúvidas surgiram quando Jürgen Klopp foi anunciado no posto de diretor global de futebol do Grupo Red Bull. A informação era de que o alemão seria responsável por gerir a rede internacional de clubes da companhia, que inclui Red Bull Bragantino, RB Leipzig, RB Omiya Ardija e New York Red Bulls. Mas o que isso significa na prática?

O ex-técnico do Liverpool deu detalhes das atribuições do cargo que ocupa na empresa austríaca em entrevista ao “The Athletic”. Klopp exerce papel importante em questões de recrutamento, adaptação e dia a dia de atletas e ajuda os técnicos, por exemplo.

Minha ideia com nossos treinadores é ser o cara que eu nunca tive. Que ninguém teve no ramo — declarou o dirigente.

Isso não quer dizer que Klopp vai dar palpites em escalações, sugerir um determinado sistema ou aparecer ocasionalmente nos bastidores como uma forma de “aumentar a pressão”.

Ele afirmou que o trabalho como técnico exige tomar decisões difíceis com certa frequência e, geralmente, sozinho. Sua intenção seria se tornar uma figura presente para momentos como esses.

— Muita gente te dá conselhos e tem ótimas ideias, mas não é fácil tomar a decisão final. Isso sempre foi um problema. Agora, em momentos que o treinador se sentir sozinho, eu quero estar lá. Me fale sobre isso, não vou julgar. O treinador precisa ser o único a sempre ter a resposta. Eu quero ajudar a encontrar — enfatizou.

‘Consultor’ Klopp ajuda Red Bull a mirar no futuro

A premissa “inovadora” adotada pela Red Bull com Klopp e os treinadores reflete outro aspecto do trabalho do alemão: olhar atento ao futuro.

Ele somou a um grupo conhecido por atrair e lançar jovens talentos no futebol e colabora no recrutamento de novas joias para manter a sina. Johan Bakayoko, inclusive, comentou sobre como o envolvimento mais humano do diretor fez a diferença para que se transferisse ao RB Leipzig na janela do meio do ano passado.

Contudo, mais do que com jogadores, Klopp tenta se manter atento às promessas da beira do campo. “Nos próximos dois anos, provavelmente vamos precisar de quatro, cinco ou até seis novos técnicos nos clubes que estamos envolvidos. Não por sacar todos, mas porque, se eles se saírem bem, vão a outro lugar. Não somos o nível final (no futebol)”, declarou.

— Quero dar oportunidade aos jovens. O melhor diretor esportivo de 2035 já está por aí. Os próximos melhores treinadores também estão por aí. Há tanto potencial.

Klopp e Ole Werner, técnico do RB Leipzig, conversam durante treino
Klopp e Ole Werner, técnico do RB Leipzig, conversam durante treino (Foto: Imago)

Além dos clubes com a marca RB no nome, a empresa tem fatia do Paris FC (França), do Leeds (Inglaterra) e do FC Liefering (Áustria).

O diretor, com um ano recém-completado na função, passou os primeiros meses em viagens para conhecer as estruturas e o modelo de negócio dos times no portfólio. Ele também desembarcou no Brasil no processo para visitar o Red Bull Bragantino.

— É um cargo de consultoria, mas com poder. Isso significa que eu ouço e confio muito nas pessoas nos clubes. Acalmo as coisas em alguns momentos e tomo a decisão em outros — disse o diretor ao jornal.

Aos 58 anos, Klopp reconheceu que ainda tem condições de treinar novamente um time de futebol, “mas isso não significa que tenha que fazer isso até o último dia”. O alemão, que teve o nome vinculado ao Real Madrid, ressaltou estar muito feliz com o posto que ocupa na Red Bull atualmente e a nova fase fora das quatro linhas.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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