Por que versão centroavante de Raphinha pode ser fácil de encaixar na seleção brasileira
Atacante saiu da ponta e tem atuado como camisa 9 no Barcelona, algo que Ancelotti deve observar de perto
A temporada de 2026/27 trouxe uma nova versão de Raphinha. Após ter atuado como ponta dos dois lados e camisa 10 nos últimos anos pelo Barcelona, o atacante desbloqueou a função de camisa 9. E se mostrou uma ideia tão interessante e certeira que pode muito bem ser pensada para ser utilizada por Carlo Ancelotti na seleção brasileira.
O camisa 11, agora capitão dos Culés, é muito provavelmente o melhor jogador do futebol europeu neste momento. Em apenas oito jogos, marcou 14 gols e distribuiu três assistências. Bateu recordes de Lionel Messi e Neymar em LaLiga nessa posição de centroavante, que o coloca como artilheiro à frente, por exemplo, de Kylian Mbappé, um dos favoritos para receber a próxima Bola de Ouro.
Ele participou de gols dos Culés em todas as partidas da temporada — sete pelo Campeonato Espanhol e uma pela Champions League. Só não fez gol contra o Levante, quando distribuiu duas assistências. É absolutamente o auge da carreira do jogador de 29 anos e pode ser uma oportunidade para a Seleção se aproveitar.
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Como Raphinha tem jogado no Barcelona
Como camisa 9 no Barça, Raphinha mostra o que já era visto nos momentos dele como um ponta que atacava por dentro: ótimo entendimento de quando atacar as costas da defesa adversária.
Um gol que ilustra isso com perfeição veio contra o Athletic Bilbao, ao ver Pedri livre com a bola por dentro e fazer o “gato”, movimento que significa ameaçar receber no pé antes de romper em velocidade no espaço atrás dos zagueiros. Essa ação tem virado uma marca registrada dele, repetida nas vitórias sobre Feyenoord e Sevilla.
TRES goles en DOS jornadas.
— LALIGA (@LaLiga) August 29, 2026
🔥 ¡Raphinha ESTÁ ON FIRE!
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Além da velocidade e da leitura dos momentos de usá-la, maiores características do atacante, o Raphinha mostrou muita qualidade no mano a mano. Quando teve um marcador só pela frente na área, soube usar sua superioridade técnica para passar pelo oponente.
Sem tocar na bola, deixou dois no chão frente ao Feyenoord. Arouna Sangante pela frente, cortou sem dificuldades para a perna ruim. Assim também sofreu pênalti com o Elche, na estreia na temporada.
A finalização, óbvio, tem sido um destaque. Teve gol driblando o goleiro, com um só toque na área, sendo frio na cara do goleiro e até com a perna direita, ilustrando seu repertório. Claro que ainda faltou cacoete em algumas oportunidades, em especial quando teve que se posicionar na área para cruzamentos entre os zagueiros.
A função do capitão também permite flutuar para se associar com o meia Fermín López e os pontas Anthony Gordon e Lamine Yamal, mas menos do que quando partia do lado do campo.
El primero de Raphinha en el BarçaRayo. 🔥@FCBarcelona_es | LALIGAHighlights | VUELVELALIGA pic.twitter.com/uCapSoCesI
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Encaixá-lo na seleção brasileira pode ser simples
Carlo Ancelotti, pelo menos no último jogo de Raphinha pela Seleção, parece ter encontrado um caminho muito natural para tentar potencializar tanto o jogador do Barcelona como Vinícius Junior. Depois de uma estreia ruim com Marrocos, eles atuaram juntos no ataque contra o Haiti e viram um festival de bolas lançadas nas costas da defesa.
Com Matheus Cunha como falso nove, muitas vezes pareciam uma dupla de ataque em uma formação próxima de um losango. Para se aproveitar da velocidade e leitura da dupla, o técnico italiano instruiu que o Brasil não poupasse os lançamentos e passes em profundidade assim que recuperasse a bola.
E, contra um adversário tão fraco, deu muito certo. Só o craque do Barça teve três oportunidades atacando o espaço que os haitianos deixavam. Como a fase do atacante pela Seleção era ruim, o único gol que fez estava impedido. As outras duas chances foram desperdiçadas de forma incomum pelo jogador, substituído aos 39 minutos por lesão e fora pelo restante da campanha, que acabou com a eliminação para a Noruega.
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Para a Data Fifa deste final de setembro, Ancelotti decidiu não chamar Cunha. João Pedro, do Chelsea, seria o titular natural como centroavante, mas foi cortado por lesão. O substituto foi o volante Matheus Martinelli, deixando apenas Pedro, do Flamengo, e Endrick, do Real Madrid, como opções para a posição.
Ou seja, parece até simples que Raphinha entre de camisa 9, Vini Jr atue pela esquerda (com liberdade para flutuar para dentro caso tenha um lateral-esquerdo ocupando o corredor) e um outro ponta pela direita, possivelmente Estêvão ou Rayan.
No momento defensivo, também seria fácil deixar que Raphinha e Vinicius “sobrem” na frente para fechar um 4-4-2, exigindo, porém, a capacidade de um terceiro meio-campista de recompor pelo lado esquerdo.
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Raphinha já foi usado como 9 por Ancelotti
Raphinha de camisa 9 não seria uma novidade na Seleção. No amistoso pré-Copa, contra o Panamá, o atacante atuou assim por 45 minutos. Mas, diferente do que tem sido agora, ele foi mais um falso nove, com mais liberdade para sair da posição porque tinha Matheus Cunha como meio-campista para avançar e ocupar o espaço central.
O jogador do Barça até se colocou em condições de marcar nesse jogo, finalizado em 6 a 2, mas falhou em todas. Uma delas mostrou claramente o que se espera dele, ao explorar a marcação nas costas da defesa em lançamento de Casemiro antes de errar o domínio e, com a falha da defesa, perder o gol de frente para o goleiro panamenho.
Um lance que serve para ilustrar que Raphinha não tem sido o mesmo na Seleção. A confiança vista na Catalunha não é repetida quando veste a amarelinha recentemente. Na Copa do Mundo, repetiu-se, seja como meia ou na ponta direita. Ancelotti conseguiu tornar Vinícius Junior o protagonista, mas ainda não o craque dos Culés.
É um trabalho decisivo para o próximo ciclo. O treinador italiano também deveria buscar se aproveitar do aspecto liderança de Raphinha, que virou o capitão do Barça e tem sido elogiado por Flick sobre como sua dedicação serve de exemplo aos demais. Ainda mais porque Casemiro, Danilo e outros veteranos encerraram sua passagem com a Amarelinha.
🇧🇷 'Raphinha é perfeito'
— Trivela (@trivela) August 28, 2026
Flick não crava nova função, mas explica por que brasileiro é tão decisivohttps://t.co/jJEBoFgn6X
— Rafa é o jogador que, para mim, é um bom exemplo de intensidade. Quando ele pressiona, o resto do elenco segue o exemplo. Isso é um capitão. Ele é um capitão — elogiou o técnico culé após a estreia em LaLiga.
— O brasileiro é uma referência, ajuda a todos. Queremos um capitão assim, temos muito respeito por ele — reiterou o colega Marc Bernal após a vitória sobre o Rayo Vallecano.
A ideia de Raphinha como centroavante ainda é nova, está nos primeiros passos. A seleção brasileira pode se aproveitar disso para uma posição que nem sempre tem uma unanimidade. A ver se Ancelotti irá se aproveitar disso nos amistosos após a eliminação no Mundial contra a Austrália, nos dias 25 e 29 de setembro, e Índia, em 3 de outubro.