Futebol espanhol

Otimismo do Barcelona em utilizar Raphinha como camisa 9 se justifica? Entenda cenário para Flick

Atacante se destaca na primeira vitória da temporada em nova função, mas problemas da última temporada devem ser avaliados

O Barcelona está, desde a abertura da janela de transferências, em busca de um novo camisa 9. Julián Alvarez, prioridade do clube, teve diversas propostas recusadas pelo Atlético de Madrid e, a uma semana para o fechamento do mercado, deve permanecer na capital espanhola apesar do interesse catalão. Além disso, Hansi Flick tem se mostrado “satisfeito” pelo elenco blaugrana.

Alvarez, que tem um preço superior a 150 milhões de euros (R$ 900 milhões), criou um problema para o Atlético de Madrid. Mesmo vaiado pelos torcedores na estreia da equipe em LaLiga em casa, o atacante não deve ser negociado pelo clube — apesar de ter se mostrado insatisfeito no banco de reservas. O Barcelona, por outro lado, busca alternativas para o argentino.

Joan Laporta, presidente do Barcelona, chegou a afirmar durante a Copa do Mundo que Alvarez era uma prioridade da equipe no mercado de transferências e que, apesar das negativas do Atlético de Madrid, continuaria em busca de efetuar a negociação. Agora, a uma semana do fim do período de transferências em LaLiga, Flick tem indicado soluções.

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Na estreia do Campeonato Espanhol, na goleada por 5 a 0 sobre Elche, o treinador alemão utilizou Raphinha como um falso 9, atuando na função que pertencia a Robert Lewandowski e Ferran Torres, que deixaram o clube antes do início desta temporada.

Na vitória por 5 a 0, o atacante brasileiro marcou duas vezes. De acordo com o “Marca”, este desempenho do brasileiro, somado à pré-temporada do elenco, faz com que Flick esteja satisfeito com os nomes de momento.

Não é esperado que o Barcelona insista pela contratação de Alvarez — apesar do desejo mútuo para que a negociação seja concretizada. Por outro lado, com uma semana para o fim da janela, o clube pode acertar contratações pontuais para a posição de centroavante, caso surjam oportunidades ao longo dos próximos dias.

Flick precisa compensar ausência de centroavantes no Barcelona

Fato é que, mesmo que tenha se dado por satisfeito com o elenco — diante das consequentes negativas e recusas do Barcelona —, Flick tem um problema para solucionar. Especificamente os 40 gols marcados por Torres e Lewandowski na última temporada, somados.

Este foi o objetivo do clube quando se mostrou interessado em Alvarez. No último ano, pelo Atlético de Madrid, o atacante marcou 20 gols em 49 jogos — números semelhantes aos de Lewandowski e Torres, com 21 e 19, respectivamente. A venda do espanhol ao Paris Saint-Germain, por cerca de 50 milhões de euros (R$ 300 milhões), permitiria ao clube fazer novos investimentos.

Hansi Flick, técnico do Barcelona (Foto: Imago/Ball Raw Images)
Hansi Flick, técnico do Barcelona (Foto: Imago/Ball Raw Images)

Além de Alvarez, João Pedro e Luis Suárez, de Chelsea e Sporting, respectivamente, foram alguns dos nomes que circularam nos bastidores do Barcelona para suprir a ausência dos centroavantes nesta temporada. Sem o centroavante de origem, a tendência é que Lamine Yamal e Raphinha assumam, ainda mais, o protagonismo no ataque do Barcelona.

Na última temporada, a dupla era titular com Flick, enquanto Lewandowski e Torres dividiam a posição à frente no ataque. O atacante polonês deixou o clube sem custos em direção ao Chicago Fire, da Major League Soccer (MLS), enquanto o autor do título espanhol na Copa do Mundo, insatisfeito com seu papel com Flick, aceitou a proposta do PSG.

Raphinha não deve ser tomado como resposta definitiva no Barcelona

Assim que chegou ao Barcelona, Flick pediu a Deco, diretor de futebol do clube, que Raphinha não fosse negociado. Depois de duas temporada, o atacante se destacou nas conquistas de LaLiga e nas campanhas na Champions League. No entanto, apesar do bom desempenho como camisa 9 diante do Elche, a sua condição física deve ser tratada com atenção.

Em 2025/26, Raphinha sofreu com lesões musculares que o afastaram de duelos decisivos na Champions League e LaLiga. Contra o Atlético de Madrid, nas quartas de final da competição europeia, ele ficou fora e não pôde evitar a eliminação do Barcelona. Também se lesionou durante a Copa do Mundo, quando foi titular da equipe de Carlo Ancelotti no ataque da seleção brasileira.

Ao todo, Raphinha ficou 112 dias fora de combate, em função dos problemas na coxa. Em 2026/27, caso ainda sofra com as lesões, ele deve desfalcar o Barcelona, que não terá peças de reposição imediatas para a função de um falso 9. Nas pontas, as contratações de Anthony Gordon e Karim Adeyemi compensam uma eventual ausência do brasileiro.

Raphinha celebra gol do Barcelona contra o Elche
Raphinha celebra gol do Barcelona contra o Elche (Foto: IMAGO / AgenciaLOF)

Em maio, antes da Copa do Mundo, o atacante chegou a afirmar à “ESPN” que não estava recuperado para a reta final da temporada com o Barcelona, mas foi utilizado por Flick nas rodadas finais de LaLiga, para assegurar o título espanhol e ganhar ritmo para a disputa da Copa do Mundo.

Na última temporada, como um ponta e, por vezes, como meia-atacante, Raphinha marcou 21 gols em apenas 33 jogos — resultados das sucessivas lesões musculares. Individualmente, os números se assemelham àqueles que o Barcelona chegou a busca em Alvarez. E em 2026/27, o atacante ainda carrega a responsabilidade de ser um dos capitães e líderes dos culés.

Assim como Raphinha, outros jogadores de Flick sofrem com lesões. São os casos de Pedri, Gavi e Frenkie de Jong — este que, devido ao problema físico, forçou o Barcelona a buscar Rodri junto ao Manchester City.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduando pela Cásper Líbero, com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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