Futebol brasileiro

Em baixa no Real Madrid, Vini Jr. tem atuação ruim em amistoso e volta à versão pré-Copa com a Seleção

Camisa 7 sofre em primeiro amistoso desde o Mundial, contra a Austrália

Assim que soou o apito final no MetLife Stadium para Brasil x Noruega, Vinícius Junior foi ao chão, estirado no gramado com a eliminação da Copa do Mundo. Mesmo em uma eliminação precoce, nas oitavas de final, o camisa 7 deixou os Estados Unidos prestigiado e como protagonista, em sua melhor versão com Carlo Ancelotti. Dois meses depois, ele volta à sua versão pré-Mundial, em mais uma atuação apagada com a Amarelinha.

Nesta sexta-feira (25), em amistoso com a Austrália, Vini Jr. teve uma de suas piores atuações pela seleção brasileira — assim como o restante do elenco de Ancelotti. O atacante esteve apagado durante os 65 minutos em que esteve em campo, preso à ponta-esquerda, no esquema adotado por Ancelotti.

O camisa 7 teve sua titularidade defendida pelo treinador antes da partida, mesmo em um momento em que se tornou alvo de críticas no Real Madrid. Contra a Austrália, no entanto, mostrou que, mesmo depois de uma Copa do Mundo elogiada, passa por problemas dentro de campo que vão além de determinado ambiente.

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Vini teve raras oportunidades durante a partida na Austrália. Apenas duas finalizações e lances em que mostrou falta de sintonia com o quarteto ofensivo, formado por Endrick, Raphinha e Estêvão — que também mostraram dificuldades para se entender entre si. Em contra-ataque ainda no primeiro tempo, este desentendimento ficou ainda mais evidente, com o camisa 7 errando um passe na entrada da área que poderia abrir o placar para o Brasil.

Mesmo no lance em que foi às redes — marcado por Estêvão, mas que foi anulado por falta de Bruno Guimarães na origem da jogada —, a seleção brasileira não contou com a participação de Vini Jr, apagado durante o confronto. Também trocou poucos passes (26) para movimentar o ataque e dar alternativas em uma manhã com pouca criatividade.

Vini Jr. volta à versão negativa com a seleção brasileira

Antes da Copa do Mundo, Vini Jr. era uma incógnita com a seleção brasileira. Mesmo com boas atuações pelo Real Madrid, o camisa 7 não conseguia imprimir o mesmo protagonismo sob o comando de Carlo Ancelotti — com quem trabalhou nos Galácticos. O mesmo cenário se repetiu com Fernando Diniz e Dorival Júnior, durante o ciclo até 2026.

Nos Estados Unidos, com quatro gols em cinco partidas, ele se recuperou e assumiu a artilharia da seleção brasileira na era Ancelotti. Em uma equipe que não pôde contar com Neymar, o camisa 7 mostrou que poderia se tornar o protagonista da Amarelinha, se adaptando a um estilo de jogo em que era capaz de flutuar no ataque.

— Sou atacante, mas jogo também pelo lado, não costumo fazer tantos gols. Nesta Copa, o mister mudou minha posição, onde consigo me adaptar muito bem, fazer os gols e ajudar a equipe, que é o mais importante — afirmou o atacante, à “CazéTV”, após a vitória sobre a Escócia, na Copa do Mundo.

Vini Jr. em duelo entre Austrália e Brasil
Vini Jr. em duelo entre Austrália e Brasil (Foto: Matt Taylor/AAP, via Imago)

Na Austrália, em Townsville, Vini Jr. chegou impulsionado pelas suas atuações durante a Copa do Mundo. Mas não conseguiu manter sua versão positiva pela seleção brasileira, voltando àquele período em que era coadjuvante no ataque — e não tinha de carregar o peso de decidir as partidas no esquema de Ancelotti. Também sofreu com a marcação australiana, sem conseguir criar jogadas pelos dribles.

Vini não foi o único jogador abaixo nesta sexta-feira. Raphinha, que vive temporada dos sonhos pelo Barcelona, não foi capaz de ajudar a seleção brasileira a evitar o empate por 1 a 1. Somente Rayan, já nos acréscimos do segundo tempo, marcou o gol solitário da pentacampeã mundial, no primeiro amistoso pós-Copa do Mundo.

— O momento dos dois é diferente. Raphinha está fazendo uma coisa espetacular em uma posição que não era sua, mas parece que agora é sua também. E o Vini pode ser que não esteja em seu melhor momento, mas a convicção que temos dos dois é que vão ser jogadores fundamentais para o futuro — afirmou Ancelotti, antes do duelo com a Austrália.

Vini Jr. também sofre em início de temporada pelo Real Madrid

Com o contrato renovado junto ao Real Madrid até 2032, Vini Jr. ainda não se adaptou ao Real Madrid nesta temporada. Sob o comando de José Mourinho, o camisa 7 tem se mostrado apagado no ataque merengue, com o protagonismo de Mbappé. Além disso, o posicionamento da dupla em campo tem atrapalhado o brasileiro até o momento.

Além de ficar preso à ponta-esquerda, o atacante também tem de concorrer com Mbappé. Na derrota diante do Atlético de Madrid, por 2 a 1, o camisa 10 ficou próximo a Vini Jr. no ataque. Sem conseguir flutuar pelo ataque, o brasileiro não tem conseguido repetir as exibições que teve com a equipe merengue nos últimos anos. São muitos erros técnicos e de tomadas de decisão.

Nos oito primeiros jogos disputados pelo Real Madrid nesta temporada, Vini Jr. marcou apenas um gol. Deu três assistências, mas passou em branco, sem participações para gol, nas duas últimas partidas, contra Elche e Atlético de Madrid. Desde que assumiu os Galácticos, Mourinho afirmou publicamente seu desejo em recuperar o atacante.

— O melhor é fazer gols. Dar assistências é importante, trabalhar pela equipe é muito importante, o trabalho diário é importante e ele faz isso muito bem… Mas existe outro Vinícius. Um Vinícius que chegou ao Benfica no ano passado e que tem uma chance, marca um gol e volta para casa — afirmou Mourinho na última semana.

Além disso, Vini Jr. foi vaiado pela torcida no Santigao Bernabéu apesar das assistências, destacadas pelo treinador do Real Madrid. A expectativa é de que, após a Data Fifa com a seleção brasileira, ele possa voltar a se destacar pelo clube merengue, que entra em campo novamente em 10 de outubro, diante do Villarreal, pela LaLiga.

Próximos jogos da seleção brasileira

  • 29/9 – Austrália x Brasil
  • 3/10 – Índia x Brasil
Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduando pela Cásper Líbero, com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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