No ano em que ultrapassou Pelé, Neymar vive drama que ameaça até seu futuro na Seleção
Com grave lesão ligamento do joelho esquerdo, Neymar pode perder até mesmo a Copa América por causa da recuperação
Todos os companheiros de Seleção se acotovelavam ao redor de Neymar na sala de imprensa do Estádio Mangueirão, em Belém, enquanto o atacante recebia uma merecida homenagem do então presidente da CBF Ednaldo Rodrigues. Minutos antes, o camisa 10 marcava dois gols na goleada por 5 a 1 sobre a Bolívia, na estreia de Fernando Diniz, e ultrapassava Pelé para se isolar como o maior artilheiro da história da seleção brasileira.
E quisera o destino que justo no ano em que fez história com uma marca tão emblemática, Neymar deixasse uma última imagem bem mais preocupante com a amarelinha. Em seu último ato de um 2023 como de costume repleto de polêmicas, Neymar sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado e no menisco do joelho esquerdo. Um problema que, de tão sério, ameaça inclusive o seu futuro – tanto na Seleção, quanto na carreira.
Neymar encerra 2023 em meio a uma tortuosa recuperação de cirurgia de reconstrução de joelho. Um drama que o tirará dos gramados por pelo menos oito meses. O retorno, pelo Al-Hilal, que será cercado de incertezas por todos os lados. Hoje, é impossível dizer se ele conseguirá retomar o protagonismo, se retornará à Seleção, se jogará a Copa do Mundo de 2026. Se voltará a ser Neymar.
Volta à Seleção e recorde de Pelé
Em um de seus primeiros atos como técnico da seleção brasileira, Fernando Diniz entrou em contato com Neymar para saber se o camisa 10 ainda gostaria de atuar pela Seleção. A resposta foi tão positiva, que o treinador passou a desenhar a sua equipe ao entorno do atacante como grande protagonista – ou seja: como é já há três Copas do Mundo.
Admiração foi mútua e imediata. Enquanto Diniz dava liberdade para Neymar ser um camisa 10 que circula por todo o campo e participa ativamente do jogo, o atacante se encantava com a metodologia de trabalhos do treinador. A primeira Data Fifa foi esperançosa. Neymar marcou dois gols e ultrapassou Pelé como maior artilheiro da história da Seleção contra a Bolívia. E depois deu a assistência para o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Peru, em Lima.
“Muito feliz e sem palavras. Jamais imaginei alcançar este recorde. Desde já, quero dizer que alcancei o Pelé, mas não quero dizer que sou melhor que ele ou melhor do que qualquer outro jogador da seleção. Sempre quis fazer minha história e escrever meu nome na história do futebol brasileiro. Hoje, fiz isso. É agradecer minha família e a todos os meus companheiros”. (Neymar)
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Polêmica com pipoca e a fatídica lesão
Neymar estava novamente feliz em sua volta para “casa” na Seleção. E o ambiente indicava que essa felicidade era compartilhada por todos… Até virem os problemas na segunda Data Fifa sob o comando de Fernando Diniz. O camisa 10, verdade seja dita, seguiu com o mesmo comprometimento dos dois primeiros jogos. Até mesmo no empate traumático em 1 a 1 com a Venezuela, na Arena Pantanal, ele participou de todos os momentos de perigo que a equipe criou na partida.
Mas claro, não foi o suficiente para aplacar o sentimento de frustração que tomou conta das arquibancadas, com um resultado tão vexatório. Na saída de campo, Neymar foi acertado por um pacote de pipocas. Revoltado, ele teve de ser contido por Marquinhos e levado ao vestiário. Lá, o clima seguiu ainda pior. A irritação o perseguiu durante todo o caminho. O atacante proferiu xingamentos e chegou a se direcionar ao então presidente da CBF Ednaldo Rodrigues em tom exaltado.
Neymar falou sobre o torcedor que atingiu com um balde de pipoca:
“Um cara que faz esse tipo de coisa não é educado. Não vai conseguir educar seus filhos da melhor maneira possível. E se ele reclama tanto, deveria ter treinado melhor para estar em campo” pic.twitter.com/LCzXDcDDSS
— Eduardo Deconto (@eduardodeconto) October 13, 2023
Seria preciso dar uma resposta imediata à torcida já no jogo seguinte, contra o Uruguai, no Estádio Centenário. A Seleção perdeu por 2 a 0 ao natural fora de casa. Mas além de uma derrota que não acontecia há 22 anos, o Brasil ainda saiu de Montevidéu com uma notícia ainda mais trágica.
Neymar saiu de campo às lágrimas ainda antes do intervalo da partida. O camisa 10 se machucou aos 44 minutos do primeiro tempo, logo após Darwin Nuñez abrir o placar para o Uruguai. Ao tentar arrancar com a bola no meio-campo, o atacante disputou uma bola com De la Cruz, mas perdeu o equilíbrio e pisou de mau jeito no gramado.
Neymar deixa o Centenario de muletas e com a perna esquerda imobilizada pic.twitter.com/4DY1Ylj9Mz
— Eduardo Deconto (@eduardodeconto) October 18, 2023
Ao cair, a estrela brasileira desabou e logo vieram as lágrimas. A dor foi tão forte, que deixou companheiros preocupados e espantados. O atacante foi imediatamente substituído por Richarlison.
Depois da partida, Neymar deixou o estádio Centenário com a perna esquerda imobilizada já com a suspeita de que a lesão sofrida era grave. O que se confirmou em um exame já no dia seguinte. Desde então, Neymar passou por cirurgia e iniciou não apenas a sua recuperação, mas o calvário para provar que ainda pode ser o mesmo Neymar.
? Neymar disputou apenas 56% dos jogos possíveis por clubes e Brasil desde a temporada 2017/18.
17/18 – 43 jogos (60%)
18/19 – 35 jogos (49%)
19/20 – 31 jogos (56%)
20/21 – 41 jogos (59%)
21/22 – 36 jogos (57%)
22/23 – 34 jogos (57%)
23/24 – 9 jogos (60%)Boa recuperação! ??? pic.twitter.com/F9OIl1s3ec
— Sofascore Brazil (@SofascoreBR) October 18, 2023
Quando a Seleção volta a jogar?
A Seleção só volta a jogar em março do ano que vem. No dia 23, o Brasil enfrenta a Inglaterra em um amistoso em Wembley, em Londres. Está previsto ainda outro duelo com a Espanha, no Santiago Bernabéu. Mas até agora, esta partida não foi oficializada pela CBF. Estes serão os últimos dois compromissos sob o comando do técnico Fernando Diniz e antes da disputa da Copa América, em junho, (supostamente) já com Carlo Ancelotti.



