Copa do Mundo

A chuva de pipocas em Neymar é um problema para Diniz. Será que ele é capaz de resolver?

Diniz tem diante de pipocas e vaias para Neymar seu primeiro problema na Seleção -- e de cara, já é um problema peso-pesado

A Seleção deixou o gramado da Arena Pantanal sob uma trilha sonora que não costuma ouvir nesta quinta-feira (12). As vaias ecoaram logo após o apito final para o empate em 1 a 1 com a Venezuela, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. E elas só não são mais emblemáticas para simbolizar a frustração do torcedor do que a cena que veio a seguir. Tão acostumado a ouvir seu nome gritado pelos torcedores, Neymar foi atingido por um balde de pipocas no caminho ao vestiário.

Este é o pano de fundo do primeiro tropeço de Fernando Diniz no comando da seleção brasileira. Um tropeço que deixa uma marca histórica: o empate foi a segunda vez que o Brasil não venceu a Venezuela em um total de 19 jogos válidos pelas Eliminatórias. E tudo isso gera um ambiente de que aumenta a necessidade de um bom resultado no primeiro grande teste do treinador.

A Seleção embarca rumo a Montevidéu com a obrigação de arrancar um bom resultado do Uruguai na próxima terça-feira (17), no Estádio Centenário, pela quarta rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Em uma disputa em que sobram vagas para o Mundial, vencer é muito mais importante para solidificar o trabalho de Diniz do que pela tabela de classificação.

Tropeço redobra atenção para série de pedreiras

O tropeço tão raro na história da Seleção também é amplificado pelo caminho que vem pela frente. Além do Uruguai, o Brasil tem mais dois jogos em 2023. A próxima Data Fifa, em novembro, reserva ao Brasil um duro duelo com a Colômbia em Barranquilha e “apenas” o clássico com a Argentina no Maracanã. Por isso, dar uma resposta contra o Uruguai é tão essencial para consolidar o Dinizismo na Seleção. Do contrário, um resultado negativo pode transformar em tempestade o que hoje é um mar tranquilo para Diniz.

Apesar de tudo isso e da frustração que emanou das arquibancadas, jogadores e comissão técnica assimilaram bem o golpe de um empate tão incomum com a Venezuela. A postura em campo trouxe – por incrível que pareça – alguns pontos de evolução naquilo que o técnico pretende. Mas a execução mostrou também o que ainda precisa melhorar.

Ainda antes do jogo, Casemiro e Ederson criticaram as condições do gamado da Arena Pantanal. Isso influenciou, claro, para alguns erros que aconteceram e se repetiram ao longo da partida. O mal acabamento das jogadas foi o principal ponto elencado por Diniz em sua entrevista coletiva.

– Eu acho que a gente pecou em dois aspectos principais. O término das jogadas. A gente criou para fazer segundo, terceiro, quarto gols. E a gente cedeu contra-ataques que não devia. E o gol da Venezuela, a gente falhou em coisas que não devia ter falhado. A gente podia ter ajustado a marcação e não oferecer chance de finalizar. A equipe não fez partida ruim. Mas a gente terminou mal as jogadas. A gente teve outras possibilidades de fazer o gol. A gente fez o goleiro deles trabalhar. É difícil jogar contra times recuados como a Venezuela. O volume que a gente teve, com a qualidade que a gente tem, a gente não conseguiu aproveitar. Eles tiveram a chance do gol e mais uma bola de cabeça, e eles aproveitaram e foram felizes – disse o treinador.

Movimentação é consolo em empate vexatório

A execução na hora de finalizar as jogadas transformou uma vitória confortável em um empate com ares de vexame. Mas houve algumas movimentações que são uma espécie de prêmio de consolação para Diniz. O seu trio dos sonhos com Vini Jr, Neymar e Rodrygo não decidiu como esperado. Mas os três pareceram se entender bem.

Vini ficou mais preso à esquerda. Mas Neymar seguiu sendo a referência que Diniz pede. Comandou a Seleção nas principais jogadas e foram justamente seus erros em passes decisivos que impediram mais gols – apesar de sua assistência para Gabriel Magalhães abrir o placar.

Além disso, Rodrygo se mostrou bem mais à vontade no esquema de Diniz. O atacante saía da direita e se movimentava com muita liberdade pelo centro e pelo meio. Abria espaço para Danilo virar um extrema e para Marquinhos se transformar em lateral. Foi assim, povoando a esquerda e criando brechas do outro lado que o Brasil conseguiu atacar pelas pontas.

– Eu não acho que a gente jogou mal a partida. Tentamos, buscamos, tentamos criar oportunidades. Conseguimos algumas. Infelizmente, eles acharam uma bola e acharam o empate. Esses detalhes que a gente tem que buscar consertar para não ser surpreendido como foi hoje – disse Neymar antes de deixar o estádio.

Seleção é vice-líder e se prepara para clássico

A Seleção perde a liderança das Eliminatórias para a Argentina, única equipe com 100% de aproveitamento até agora. O Brasil agora é vice-líder, com sete pontos. A equipe agora tem pela frente um clássico do continente. Será contra o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu, na próxima terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), pela quarta rodada.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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