‘Quero ganhar a terceira estrela no último jogo de Messi em Copas, sinto muito ódio deles’
Ex-atacante francês revela mágoa com final do Mundial de 2022 e projeta revanche contra seleção albiceleste
Djibril Cissé voltou a tocar em uma ferida que segue aberta no futebol francês desde a final da Copa do Mundo de 2022. Três anos após a decisão no Catar, o ex-atacante não esconde que a derrota para a Argentina ainda provoca incômodo, frustração e um sentimento que vai além da simples rivalidade esportiva.
Ao rever as imagens do jogo durante um programa especial do “L’Équipe”, Cissé deixou claro que aquela decisão não foi apenas perdida no placar, mas também marcou uma ruptura emocional na forma como ele enxerga a Albiceleste.
Segundo o ex-jogador, a lembrança da partida desperta uma raiva difícil de controlar. A atuação argentina, o desfecho nos pênaltis e o contexto simbólico da decisão fizeram com que a seleção sul-americana passasse a ocupar um lugar central na lista de antagonistas da França.
Para Cissé, não se trata de um ressentimento pontual, mas de um sentimento que se consolidou com o tempo: hoje, a Argentina representa o principal inimigo esportivo dos franceses.
— Depois de ver as imagens, fiquei furioso. Sinto muito ódio deles. Claramente, hoje eles são o nosso principal inimigo.
Esse incômodo, no entanto, vem acompanhado de um desejo claro de revanche. Cissé projeta esse acerto de contas para um cenário específico e carregado de significado: a última Copa do Mundo de Lionel Messi. Na visão do ex-atacante, vencer a Argentina nesse momento fecharia um ciclo, apagaria cicatrizes recentes e adicionaria uma terceira estrela ao escudo francês em um contexto histórico.
— Quero ganhar a terceira estrela na última partida de Messi em Copas do Mundo. Temos duas ou três contas a acertar com a Argentina.
Cissé não esquece preconceito de Enzo Fernández

A mágoa de Djibril Cissé com a Argentina não se limita ao desfecho esportivo da Copa do Mundo de 2022. Para o ex-atacante, episódios recentes reforçam a sensação de que o confronto entre as seleções extrapolou o campo e passou a carregar um peso moral difícil de ignorar.
Um deles envolve Enzo Fernández, meio-campista argentino e companheiro de franceses no Chelsea, citado por Cissé como símbolo de um comportamento que ele considera inaceitável.
O ex-jogador relembrou a polêmica ocorrida após a conquista argentina da Copa América de 2024, quando Enzo participou de uma celebração marcada por um cântico de cunho racista. A música, entoada no ônibus da seleção e transmitida ao vivo nas redes sociais, fazia referência ofensiva à origem de jogadores franceses, associando nacionalidade a estereótipos raciais.
“Jogam pela França, mas vêm de Angola (…), seu pai é cambojano, mas seu passaporte é francês”, diz trecho da música. O episódio ganhou repercussão internacional e reacendeu debates sobre preconceito no futebol.
Cissé foi direto ao comentar a postura do argentino e, sobretudo, a reação do entorno. Para ele, o silêncio e a convivência normalizada dentro do clube inglês causam estranhamento e indignação.
— Não consigo entender como seus companheiros franceses no Chelsea o perdoaram — afirmou.



