Sul-Americana

São Paulo repete cenário em mata-mata, mas tem motivos para acreditar em mais uma virada

São Paulo terá novamente que reverter uma vantagem na Copa Sul-Americana

O São Paulo sofreu dois gols em 25 minutos, esteve à beira de sofrer uma goleada e ainda assim tem motivos para sorrir após a derrota por 2 a 1 para a LDU nesta quinta-feira (24), no Estádio Casa Blanca, pelo duelo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. A equipe viveu uma atuação tão ruim, que até mesmo o técnico Dorival Júnior admitiu o rendimento abaixo da média. E mesmo com tudo isso, a noite tenebrosa terminou com sinais de esperança para o Tricolor.

Isso, porque o São Paulo conseguiu o que pretendia: sair vivo da temida altitude de 2,8 mil metros de Quito. E agora, a equipe volta a viver um cenário que virou rotina em mata-matas nesta temporada. Como foi contra o San Lorenzo na própria Sul-Americana e contra o Corinthians na Copa do Brasil, o Tricolor novamente se vê na obrigação de reverter uma desvantagem dentro do Morumbi.

As situações são idênticas. Tanto na Argentina quanto na Neo Química Arena, o São Paulo abriu a série de mata-mata com uma derrota por um gol de diferença. Depois, no Morumbi, vieram duas vitórias por 2 a 0 em menos de uma semana. Assim, o Tricolor avançou às quartas de final da Sul-Americana e está de volta à final da Copa do Brasil após 23 anos. Mas apesar da expertise, o técnico Dorival Júnior alerta para as dificuldades que ele espera no segundo duelo com a LDU, em casa.

– De maneira nenhuma. Não existe derrota que te deixe tranquilo. Sou muito sincero em falar, viemos tentando o melhor resultado possível. Enfrentamos um grande adversário que construiu o resultado e mereceu. Não temos que sair daqui achando que as coisas estão resolvidas em São Paulo. Temos que trabalhar muito. É um jogo de 180 minutos. E temos capacidade para que possamos fazer muito melhor – analisa o treinador.

Dorival sabe bem como reverter um mata-mata

Dorival fala com a propriedade de quem é um especialista em mata-mata. Muito além das duas viradas recentes, ou das seis vitórias em confrontos eliminatórios pelo São Paulo. Para começar, o técnico é o atual campeão da Libertadores e da Copa do Brasil pelo Flamengo, em 2022.

E o treinador defende uma invencibilidade ainda mais longa em jogos de ida e volta. A série invicta começou pelo Athletico-PR, em 2019, com uma passagem também pelo Ceará no ano passado. Ao todo, são 17 confrontos de mata-mata seguidos com vitória de uma equipe comandada por Dorival Júnior.

Depois de tudo, sair vivo é lucro

Após um primeiro tempo desastroso, o São Paulo mais do que nunca sabia que precisava jogar para sair vivo do Estádio Casa Blanca. Luciano, especialmente. Ele saiu do banco de reservas e deu uma assistência milimétrica para Lucas Moura marcar o gol salvador em Quito. O camisa 10, acostumado com momentos decisivos pelo Tricolor, depositou suas esperanças no “fator Morumbi” para sair com a classificação à semifinal.

Até porque o retrospecto recente do São Paulo como visitante já servia de alerta antes da partida. O Tricolor não vence um jogo longe do Morumbi desde 13 de junho, na vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras, no Allianz Parque, pela Copa do Brasil. São quatro derrotas e um empate em cinco partidas desde então.

– Partida difícil, a gente conseguiu fazer um gol. Com nosso torcedor, a gente vai sair classificado. Sem dúvida. Depois do 2 a 0, a gente sabia que precisava do gol. Mas agora, a gente com certeza consegue resolver – disse o atacante.

Histórico contra LDU ajuda

Se serve de combustível extra, o São Paulo pode se apegar também ao retrospecto contra a LDU. A história do confronto mostra que a equipe que atua em casa sempre vence as partidas. Foi assim na última quinta-feira (24) e é assim desde 2004.

O São Paulo de Rogério Ceni, Luis Fabiano e Grafite perdeu por 3 a 0 em Quito na fase de grupos da Libertadores. Depois, no Morumbi, vitória por 1 a 0. Depois veio mais um confronto, em 2020, também pela fase de grupos da Libertadores. O Tricolor até venceu a LDU no Morumbi por 3 a 0. Mas no Equador, veio uma derrota por 4 a 2 que praticamente decretou a eliminação são-paulina na competição.

Do que o São Paulo precisa?

Com a derrota por 2 a 1 em Quito, o São Paulo revive um cenário que virou rotina para a equipe em 2023. O Tricolor precisa de uma vitória por 2 a 0 no duelo da volta para avançar à semifinal, ou de uma vitória simples para levar a decisão aos pênaltis. As duas equipes voltam a se enfrentar na próxima quinta-feira (31), às 19h (horário de Brasília), no Morumbi.

Antes, porém, o Tricolor prolonga a sua estadia no Equador. O elenco treina no CT do Independiente del Valle nesta sexta-feira (25) e só volta ao Brasil no sábado, quando embarca direto para Belo Horizonte. No domingo (27), às 16h (horário de Brasília), o São Paulo enfrenta o América-MG no Independência, pela 20ª rodada do Brasileirão.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
Botão Voltar ao topo