Sul-Americana

‘Gol dos caras’: Leifert explica bordão e antecipa como vai narrar Atlético na final da Sul-Americana

À Trivela, narrador conta expectativas para narração da decisão do Galo contra o Lanús

O SBT será uma das opções para assistir à decisão da Copa Sul-Americana entre Atlético Mineiro e Lanús neste sábado (22), a partir das 17h (horário de Brasília). Quem já se acostumou a acompanhar os jogos na tradicional emissora neste ano certamente ouviu um bordão diferenciado do narrador Tiago Leifert: “Gol dos caras”.

A frase é dita sempre quando uma equipe dos vizinhos sul-americanos balança as redes contra algum clube brasileiro. O narrador explicou à Trivela em entrevista exclusiva que não teve nenhuma preparação especial. O bordão simplesmente surgiu pelo sentimento de nunca torcer contra um time do Brasil.

— [O bordão] Foi meio que na hora, não foi um negócio planejado. Era um jogo do Corinthians, o primeiro que a gente transmitiu de Sul-Americana. E eu nunca comemoro gol contra time brasileiro. Eu entendo o ‘anti’, eu sei que todo mundo torce contra, mas, nós da imprensa, a gente tem que torcer para o futebol brasileiro ir cada vez mais longe, para prosperar, sabe? — disse o jornalista à reportagem em videoconferência na última semana.

Ele garante que, se o Galo sofrer um gol dos argentinos no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, capital do Paraguai, narrará do mesmo jeito.

— Não acho que seja uma linguagem tão absurda. Se você for ouvir rádio web de vários clubes, os caras também não narram gol do adversário. E a gente está claramente torcendo para o brasileiro, seja para Corinthians, Fluminense, Vasco ou Atlético Mineiro. Na final, a mesma coisa. Gol do Lanús, se acontecer essa tragédia, eu não vou conseguir comemorar isso aí, não — antecipou Leifert.

Hulk em ação pelo Atlético Mineiro
Hulk em ação pelo Atlético Mineiro (Foto: Imago)

Como qualquer bordão que foge dos padrões do futebol, um esporte conservador em tudo que seja diferente, há quem critique o “gol dos caras”, em especial nas redes sociais. O narrador citou o histórico de como outros profissionais da função, como Galvão Bueno, evitavam narrar gols dos adversários do Brasil e criticou que as reclamações vêm, normalmente, de quem nem está torcendo para o time brasileiro.

— Ninguém narrava [gol do adversário brasileiro]. O Galvão era igual: ‘gol da Alemanha’, ‘olha, o gol da França’. Era a mesma coisa. A gente não dá para empolgar. É uma coisa muito natural, muito espontânea. Você não consegue ficar empolgado com o gol da França, com o quinto gol da Alemanha — disse.

— É engraçado que quem reclama não é o torcedor do time que está jogando. Quem reclama geralmente é o torcedor de outro time qualquer. E aí fica sempre a pergunta: ‘Por que você não está vendo uma série? Por que você não está no cinema? Que diabos você está fazendo assistindo ao time dos outros no SBT e ainda reclamando da narração? Você não era nem para estar aqui, pô. Está torcendo contra e ainda está reclamando da narração’ — brincou, aos risos.

Leifert só voltou para TV pelo sonho de narrar

Desde janeiro deste ano no SBT, Leifert, conhecido pelos vários anos na TV Globo, primeiro como apresentador do programa “Globo Esporte” e depois dos realities shows The Voice e Big Brother Brasil, disse à Trivela que só retornaria para TV aberta para ser narrador.

— Foi o que eu sempre conversei com todo mundo, eu voltaria para narrar. Eu nunca tive pretensão de ter um programa de auditório, nada disso. Minha vida foi acontecendo, nunca nem planejei ser apresentador de reality, nem sabia que ia acontecer também. Quando eu resolvi fazer jornalismo com 14 anos, lá vendo a Copa do Mundo de 94, eu queria ser narrador, a minha vontade era narrar futebol, era o que eu mais queria fazer — contou.

O sonho da narração de adolescente, porém, demorou até ser realizado. Só aconteceu em 2022, pelo streaming Amazon Prime Video, e depois também no Globoplay. Antes disso, sua experiência narrando era virtual, no então game eletrônico Fifa, hoje chamado de EA Sports FC.

Comandar uma transmissão no videogame trouxe ensinamentos a Tiago Leifert, mas ele vê como situações muito diferentes.

O Fifa me ensinou bastante, tem bastante coisa que dá para reaproveitar, mas o jogo é mais previsível, porque você não tem nele todas as situações da vida real, tem a maioria, você tenta prever o que vai acontecer e você grava uma linha tentando prever as situações comuns de jogo. O futebol ao vivo acontece de tudo. Então, tem muita coisa que o Fifa não tinha e que tenho que fazer na hora.

Equipe de transmissão do SBT na final da Champions League
Equipe de transmissão do SBT na final da Champions League (Foto: Divulgação/SBT)

Agora fixo no SBT, narrar a Sul-Americana dá ao jornalista a oportunidade de ter um contato próximo com o público brasileiro, o que ele tem aproveitado.

— Poder narrar essa quantidade de times brasileiros grandes tem sido muito especial, porque tem mais contato com o torcedor, ganha elogios, toma hate, mas é do jogo, às vezes eles ficam chateados com alguma coisa que você fala, ou ficam felizes quando o time ganha. Estou me divertindo bastante. Eu vou falar para você que eu torci demais para ter um brasileiro na final da Sula para a gente poder contar essa história lá no SBT. E eu estou muito contente que o Galo conseguiu.

Além da América do Sul, o jornalista também comanda transmissões da Champions League na emissora da família Abravanel, outro sonho realizado. “É algo que eu tenho muito carinho. Quando eu casei, a música que tocou na hora de entrar no altar para esperar minha esposa foi o hino da Liga dos Campeões. É um torneio que eu gosto pra caramba”, disse.

Ele ainda pode relembrar os tempos de apresentador de reality, pois o SBT, em parceria com o streaming “Disney+”, começou a exibir o The Voice Brasil, atração que ele comanda toda segunda-feira, às 22h30. Do BBB, porém, ele não tem saudade porque, como definiu, “não acaba, não tinha começo, meio e fim“.

— O The Voice eu adorava fazer, porque é fácil, é tranquilo, gostoso. Ouvir música, chegar lá no palco e falar: ‘fulano, sua opinião, agora sua decisão’, beijo e tchau. É muito mole. E está gostoso de fazer. Então foi um ano bom. Foi muito legal — .

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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