Copa América 2024

Brasil precisa descer do pedestal após novo desastre da seleção, mas nem tudo está perdido

Há muito que não temos mais o melhor futebol do mundo e isso tem ficado provado nas últimas grandes competições

O primeiro passo para solucionar um problema é reconhecer que ele existe. Enquanto o futebol brasileiro não descer do pedestal e reconhecer que não é mais o melhor do mundo – e faz tempo – não haverá como trabalhar pela recuperação.

Pode parecer bobagem, mas muito do que vimos no bate-boca virtual entre Andreas Pereira e Luís Suárez traz embutida essa postura do jogador brasileiro. Andreas Pereira tem 28 anos, não viu e muito menos participou dos anos de glória do futebol brasileiro. Embora peça respeito a essa história apenas por vestir a camisa que a construiu. Suárez respondeu na lata e com fina ironia, lembrando que Andreas era reserva de Arrascaeta quando jogou no Flamengo.

Um extrato do que existe por trás da postura enraizada em boa parte da comunidade do futebol brasileiro.

Antes de enfrentarmos e perdermos da Bélgica e da Croácia em Copas foi assim. Bélgica? Vamos atropelar. Croácia? Idem.

O Brasil ficou para trás. Estacionou nas quartas-de-final da Copa do Mundo – nem contemos 2014. Perdeu a Copa América de 2021 em casa e disse adeus à de 2024 nas quartas. Está em sexto lugar nas Eliminatórias Sul-americanas para a Copa de 2026.

Isso tudo seria suficiente para desencadear um exercício de humildade mais do que necessário. Um dos grandes artilheiros do futebol brasileiro nos últimos anos é um argentino, German Cano. O melhor zagueiro dos últimos anos na América do Sul é um paraguaio que joga no Brasil, Gustavo Gómez. Os dois melhores laterais pela esquerda dos últimos anos em nosso futebol são uruguaios, Viña e Piquerez. Os dois melhores meias do Flamengo são uruguaios, De La Cruz e Arrascaeta. Os treinadores citados como os melhores a atuar no Brasil nos últimos anos são dois portugueses, Jorge Jesus e Abel Ferreira, e um argentino, Juan Pablo Vojvoda.

Apenas Vini Júnior como protagonista não basta?

Além de Vini Júnior, qual é o jogador brasileiro protagonista de um grande time do futebol mundial atualmente? Nada contra o sucesso em equipes de segundo escalão da Premier League, mas esse é o parâmetro? A nota de corte passa por isso, necessariamente?

Esqueça o Neymar das festas e redes sociais e pergunte a você mesmo se tem algum jogador brasileiro que jogue bola como ele? Por que ninguém consegue convencer Neymar de sua importância para o futebol brasileiro e a Seleção? Mas de Neymar jogador, não a celebridade.

Nem tudo está perdido. Há uma nova geração de jogadores que parece mais conectada com a essência do nosso jogo do que essa que fez carreira na Europa, alguns em times medianos e sem protagonismo. Estêvão, Endrick, Lorran, Vitor Roque. 

O Brasil precisa resgatar seu jeito de jogar futebol, de revelar jogadores. Sem deixar de adaptá-los às necessidades do jogo moderno, mas mantendo a essência que construiu a mística que está sendo destruída.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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