Desastre na Copa América mostra que Brasil ainda não encontrou caminho a seguir após Tite
Queda na Copa América é consequência de decisões da CBF desde a Copa do Mundo de 2022
Os jogadores do Brasil ainda deixavam o campo desolados com a eliminação nos pênaltis para o Uruguai na Copa América, neste sábado (6), quando Danilo fez o que todo o capitão deveria fazer.
Um dos jogadores mais experientes desta seleção brasileira, o lateral-direito assumiu a responsabilidade de falar pelo grupo. Ele blindou os jogadores mais novos do elenco e pediu um voto de confiança para o “futuro” sob o comando de Dorival Júnior.
— Essa equipe jovem demonstrou que pode fazer grandes coisas. Peço que o pessoal tenha um pouco de paciência com esses jovens. Não tem prêmio de consolação, mas demonstra que existe um futuro — Danilo.
O futuro citado por Danilo já parecia distante antes da Copa América. E a sensação é de que o caminho ficou ainda maior após a queda na competição.
https://www.youtube.com/watch?v=OPl6vK3Qkp4
Decepções são consequências de decisões da CBF
Esta não é uma lógica atrelada apenas aos resultados. E até poderia ser. O Brasil hoje é sexto colocado nas Eliminatórias da Copa do Mundo, vem de sua pior temporada no século XXI e acaba de amargar uma eliminação precoce.
A palavra que mais se ouve sobre a Seleção desde a Copa do Mundo de 2022 é “reconstrução”. E até agora o que se viu é uma reconstrução “ao contrário”.
O problema não é que o Brasil parou de evoluir desde a saída de Tite. O problema é que o Brasil retrocedeu desde a saída de Tite.
Seleção Brasileira desde 2023:
⚔️17 jogos
🚥6V – 6E – 5D
📊 47.1% apv.
⚽️28 gols
🚫22 gols sofridos
👟7.6 finalizações p/ marcar
⚠️8.1 finalizações p/ sofrer• 6ª colocada nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026.
• Eliminada nas quartas da Copa América 2024.— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) July 7, 2024
Consequência de uma série de más decisões do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues no atual ciclo da seleção brasileira. Para além da crise institucional recente, a falta de comando só atrasou a vida da Seleção.
Primeiro, veio o comando interino de Ramon Menezes. Depois, a contratação de Fernando Diniz à espera de um Carlo Ancelotti que nunca chegou. Um longo ano passou e foi desperdiçado até a efetivação de Dorival Júnior.
A Seleção teve três técnicos desde a Copa de 2022. Dois deles, mais interinos do que técnicos. A eliminação na Copa América e o sexto lugar nas Eliminatórias não são por acaso. E nem deve ser creditadas a Dorival.
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Copa América deixa mais problemas do que legado a Dorival
A eliminação para o Uruguai na Copa América foi apenas o oitavo jogo de Dorival em sete meses no comando da Seleção. Era natural que a seleção oscilasse de desempenho logo na primeira competição com o treinador.
Mas é verdade que também se esperava uma equipe com padrão de jogo mais definido e atuações mais consistentes. Se esperava mais também de Vini Jr., candidato a Bola de Ouro apenas pelo que faz pelo Real Madrid.
Os campos com dimensões reduzidas sempre foram citados como um fator que complicava a vida da Seleção contra rivais fechados. Mas a equipe em momento algum apresentou repertório ofensivo para contornar estes problemas.
Dorival no comando da Seleção Brasileira:
⚔️ 8 jogos
🚥 3V – 5E – 0D
📊 58.3% aproveitamento
⚽️ 13 gols
🚫 8 gols sofridos
🛠 26 grandes chances
🔓 13 grandes chances cedidas
👟 110 finalizações realizadas
⚠️ 99 finalizações sofridas
⏳ 55.5% posse de bolaOpiniões? 🤔🤔 pic.twitter.com/YL77TFpypV
— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) July 7, 2024
Após uma estreia frustrante com empate em 0 a 0 diante da Costa Rica, o Brasil até deu uma resposta ao golear o Paraguai por 4 a 1. Mas o restante da competição mostrou que a goleada foi fato isolado.
E pior. Os enfrentamentos com Colômbia e Uruguai são provas de que a Seleção hoje está em um nível inferior ao dos adversários. Especialmente a seleção colombiana, a melhor da Copa América, como o próprio Dorival Júnior admitiu.
— Tudo é um processo. Nós saímos de uma Copa do Mundo com dois anos de trabalhos e aproximando-se de uma nova competição. A primeira competição oficial foi essa. Realmente um pouco distante daquilo que queríamos.
— O chaveamento muito pesado, equipes que infelizmente para nós estão num momento, eu falo isso tecnicamente. Inclusive com volume de trabalho um pouco diferente, um pouco maior do que nós.
— O detalhe importante, você sai invicto de uma competição, mas não satisfeito ou até porque poderíamos ter tido coisas melhores talvez, por tudo aquilo que nós treinamos e trabalhamos a expectativa era um pouco acima — Dorival Júnior
Mesmo invicto, o Brasil não escapou de decepcionar. Dorival precisará buscar soluções especialmente para o meio-campo, setor que menos funcionou durante a competição.
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Os próximos jogos da Seleção
Eliminado da Copa América, o Brasil só volta a campo em setembro, para a retomada das Eliminatórias da Copa do Mundo. A Seleção enfrentará o Equador no dia 5, em casa, e depois terá o Paraguai fora, no dia 10.

