Copa América 2024

Raphinha encerra jejum de cinco anos do Brasil, mas Colômbia domina Seleção em empate

Brasil sai na frente, mas cede empate e até escapa de perder da Colômbia pela Copa América

Com uma cobrança perfeita e indefensável, Raphinha acertou o ângulo de Camilo Vargas para fazer bem mais do que abrir o placar para a seleção brasileira contra a Colômbia nesta terça-feira (2), em Santa Clara, pela última rodada do Grupo D da Copa América. O atacante encerrou um longo jejum do Brasil sem marcar gols de falta.

Raphinha acabou com uma escrita de quase cinco anos sem gols em cobranças diretas.

Mas não foi suficiente. Muñoz marcou no final do primeiro tempo, e o Brasil amargou um empate em 1 a 1 com a Colômbia que o deixou na segunda colocação da chave.

Novidade na escalação de Dorival Júnior, o atacante do Barcelona deu uma resposta às críticas sobre a sua presença não apenas no time titular, como na convocação para a Copa América. Inclusive, deste que vos escreve.

Isso, porque a atuação de Raphinha vai além do gol. Aberto pela direita, o jogador foi uma das válvulas de escape do Brasil na partida e tem sido perseguido por faltas dos adversários.

Qual foi o último gol de falta da seleção brasileira?

O último gol de falta da Seleção havia sido marcado por Phillipe Coutinho na vitória por 3 a 0 sobre a Coreia do Sul em 19 de novembro de 2019. Eram exatos 1.687 dias de jejum.

Antes de Coutinho era necessário voltar até 2014 para ver o último gol de falta da Seleção. Curiosamente, contra a mesma Colômbia. Naquela oportunidade, Neymar fez o único gol de uma vitória por 1 a 0 contra os Cafeteros.

>Gols de falta da Seleção nos últimos 10 anos

  • 2014 – David Luiz  — Brasil 2 x 1 Colômbia
  • 2014 – Neymar — Brasil 1 x 0 Colômbia
  • 2019 – Philippe Coutinho — Brasil 3 x 0  Coreia do Sul
  • 2024 – Raphinha — Brasil 1 x 1 Colômbia

Brasil enfrentará o Uruguai e sem Vini Jr

Com o empate, o Brasil chega a cinco pontos e avança como segundo colocado do Grupo D. A Seleção terá pela frente o Uruguai nas quartas de final. A partida está marcada para o sábado (6), às 22h (horário de Brasília), em Las Vegas.

A seleção uruguaia é o adversário mais difícil, e a seleção brasileira não terá Vini Jr. O atacante recebeu o terceiro amarelo contra a Colômbia e está suspenso. Do outro lado, a Colômbia enfrentará o Panamá.

Vinicius Jr comanda vitória do Brasil sobre o Paraguai
Vini Jr desfalca a Seleção contra o Uruguai (IconSport)

A arbitragem prejudicou o Brasil, mas a Colômbia foi melhor

Além do golaço de falta de Raphinha, o primeiro tempo ficou marcado por uma arbitragem no mínimo atrapalhada do venezuelano Jesús Valenzuela e dos responsáveis pelo VAR.

Primeiro houve, demora na checagem do impedimento em gol anulado de Sánchez. A infração foi bem assinalada, mas até mesmo a transmissão oficial errou ao traçar a linha em outro jogador da Colômbia que estava impedido.

Depois, a grande polêmica do jogo. O Brasil ainda vencia por 1 a 0 quando Muñoz derrubou Vini Jr. dentro da área. O toque do colombiano para desequilibrar o atacante ficou evidente. Um pênalti claríssimo. Mas o árbitro Jesús Valenzuela não marcou pênalti, e pior: os responsáveis pelo VAR sequer recomendaram  a revisão.

É possível dizer que a arbitragem prejudicou o Brasil. Mas é verdade também que a seleção colombiana foi superior durante quase toda a partida.

Pois a Seleção pouco fez além do gol e do lance do pênalti. Foi a Colômbia que assumiu o controle do jogo e pressionou bastante para buscar o empate e depois a virada — sempre comandada por James Rodríguez.

Os colombianos tiveram superioridade na posse de bola e nas finalizações. O gol de empate marcado por Muñoz às costas de Éder Militão e Wendell não foi por acaso.

Do outro lado, a equipe de Dorival Júnior se limitava a tentar jogadas de ligação direta para explorar a velocidade do ataque em espaços por trás da defesa rival. Sem sucesso algum.

E Dorival ainda mexe mal

Para completar, Dorival deixou a seleção brasileira ainda mais inofensiva com suas mudanças. O técnico só mexeu no time aos 27 do segundo tempo. As trocas? Éderson e Savinho nas vagas de João Gomes e Rodrygo. Sem alterações táticas.

O Brasil perdeu força no ataque e ainda ficou desprotegido na defesa. Tanto que a Colômbia só não virou o jogo, porque Borré isolou uma chance dentro da área. Endrick só foi a campo aos 40 do segundo tempo. Em vão.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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