Copa América 2024

Brasil cai nos pênaltis para o Uruguai e dá um merecido adeus à Copa América

Seleção é mais do mesmo, joga pouco no tempo normal e paga preço nos pênaltis

seleção brasileira viveu mais 90 minutos de pobreza de futebol na Copa América para levar a decisão da vaga na semifinal contra o Uruguai aos pênaltis — e foram os últimos. Pois o Brasil que nunca convenceu na competição conseguiu no máximo adiar uma eliminação que desde o início parecia questão de tempo.

E foi. Após o empate em 0 a 0 no tempo normal, a Seleção dá adeus à competição com derrota por 4 a 2 nos pênaltis para o Uruguai. Alisson até defendeu uma cobrança, mas Éder Militão e Douglas Luiz desperdiçaram as suas penalidades.

A primeira vez de Endrick

Sem Vini Jr., suspenso, Dorival Júnior enfim recorreu a Endrick, o artilheiro da Seleção sob seu comando. O camisa 9 fez sua estreia como titular do Brasil.

O garoto de 17 anos deixou o campo sem lá muitas boas recordações de um momento tão emblemático na carreira.

Sempre bem marcado, Endrick não conseguiu levar vantagem em nenhum dos duelos com a sólida defesa uruguaia. Acabou preso aos implacáveis Araújo, Giménez e Oliveira.

É bem verdade que o centroavante foi pouquíssimo abastecido, ilhado em meio a uma seleção brasileira que é deserto de criatividade.

Mas Endrick também não foi bem na única chance que teve, ainda no primeiro tempo. Após receber um presente da defesa do Uruguai e sair na cara de Rochet, o atacante preferiu rolar para trás, em vez de finalizar.

Endrick, em ação pela Seleção contra o Uruguai
Endrick teve atuação apagada em sua estreia como titular da Seleção (Foto: Fábio Giannelli/Digital Sports Press/Gazeta Press)

Um duelo em que o “não futebol” falou mais alto

As presenças de Dorival Júnior e Marcelo Bielsa (especialmente) à beira do campo até indicavam um confronto entre equipes que buscariam incessantemente o ataque. Não foi o que aconteceu.

A tensão de um duelo eliminatório entre dois rivais tão históricos prevaleceu às vocações ofensivas dos dois técnicos. Tanto que foram 90 minutos de “não futebol” em Las Vegas.

Nada de lances de plasticidade, jogadas bem construídas ou chances claríssimas de gol. E sim, muitos erros de passe, divididas duras e faltas. Nem o jogo do Brasil, nem o jogo do Uruguai fluíram.

As estatísticas estão aí para provar. No primeiro tempo, a posse de bola ficou dividida — 50% para cada lado. A Seleção teve apenas 70% de precisão nos passes, contra 73% da Celeste.  Um jogo tão igual, que cada centroavante teve uma chance. E desperdiçou.

Mas já que estamos falando em números, é possível dizer ao menos que o Brasil tentou jogar mais. Tanto que Sergio Rochet fez duas defesas em finalizações cara a cara de Raphinha. Do outro lado, o Uruguai distribuiu 13 faltas em 45 minutos.

Nem expulsão de Nández destrava jogo para o Brasil

As equipes voltaram para o segundo tempo como se nos técnicos não tivessem passado orientações para mudar o jogo. A tônica foi semelhante à da primeira etapa.

O Uruguai até teve mais a bola e ensaiou uma pressão inicial, sem muito efeito. Mas as entradas duras prevaleceram ao bom futebol, enquanto o meio-campo do Brasil não funcionou em momento algum.

Nández que o diga. O uruguaio foi expulso aos 28 da segunda etapa após um carrinho por trás em Rodrygo. Um vermelho óbvio, mas não para a arbitragem. O jogo ficou quatro minutos parado para consulta ao VAR.

Mas nem mesmo a expulsão de Nández destravou a partida para o Brasil. O Uruguai se fechou ainda mais em seu campo de defesa, e as trocas de Dorival Júnior não surtiram efeito algum.

Primeiro, o técnico sacou João Gomes, Lucas Paquetá e Raphinha para as entradas de Andreas Pereira, Douglas Luiz e Savinho. Depois, Martinelli e Evanílson entraram nos lugares de Rodrygo e Bruno Guimarães.

> As semifinais da Copa América

  • Argentina x Canadá — terça-feira, 9 de julho, às 21h (horário de Brasília) — Nova Jersey
  • Colômbia x Uruguai — quarta-feira, 10 de julho, às 21h (horário de Brasília) — Charlotte
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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