Copa América ainda tem muito a aprender com a Euro
Polêmicas como dimensões dos gramados e horários de jogos mostram que Conmebol ainda come poeira da Uefa

A disputa simultânea de Copa América e Euro oferece diversas oportunidades de avaliação comparativa. Desde qualidade de jogo, aplicação tática e capacidade física, até detalhes de organização dos eventos.
Economicamente, a comparação é injusta. A Euro só tem a Copa do Mundo acima dela. A Uefa capricha, embora também cometa erros. Em 2012, por exemplo, o estádio de Gdansk, Polônia, estava inacabado para a disputa. Mas, geralmente, há gramados perfeitos e ótima infraestrutura.
A Conmebol tenta nova investida na união das Américas em torno do futebol, pensando no potencial econômico dos Estados Unidos. Mas existem mancadas monumentais. A principal delas diz respeito aos gramados. Sempre há problemas, em todos os países, e não está sendo diferente nos Estados Unidos.

Desta vez, a polêmica envolve as dimensões dos campos de jogo nos Estados Unidos. A padronização da medida de 100mx64m, quando a medida oficial ideal é de 105mx68m, foi a solução encontrada para não trombar com os donos dos estádios. A medida do campo de futebol americano é de 91,44 x 48,76 metros. Mas há necessidades específicas como áreas laterais para abrigar os jogadores reservas e comissões técnicas, uma área de escape atrás das traves, entre outras particularidades.
Como muitos gramados do futebol americano são sintéticos, para montar campos de grama natural o método utilizado é o da instalação de rolos de grama pré-cultivada, que são compactados com máquinas. Ainda que o aspecto visual seja bonito, a bola não rola como deveria, e há emendas entre os rolos que prejudicam o bom desempenho técnico.

Mesmo recebendo pelo aluguel das arenas, os donos dos estádios de futebol americano não aceitam grandes modificações na estrutura, porque não estão nem aí para os problemas do “soccer”. A Conmebol se dobra ao interesse financeiro e prejudica o aspecto técnico do jogo.
Nada que seja de outro mundo, porque até mesmo na Premier League, o campeonato considerado modelo entre os torneios nacionais, existem campos com dimensões diferentes e algumas reduzidas.
Outro problema está nos horários dos jogos. O verão norte-americano é severo em diversas localidades. Como Kansas City, no Missouri, onde o árbitro assistente Humberto Panjoj da Guatemala, sucumbiu ao calor de 37 graus durante Peru e Canadá, desmaiando no gramado.
Jogos realizados na Flórida expõe atletas e público a temperaturas de 33 graus por volta das nove horas da noite, com umidade relativa do ar elevada.
Por fim, é curioso ver o espetáculo das torcidas na Copa América, uma demonstração da presença da cultura latina nos Estados Unidos. Como no citado jogo Peru e Canadá, com muito mais peruanos que os canadenses, vizinhos dos Estados Unidos.
Na Europa vimos a recorrente questão étnica envolvendo torcedores e jogadores de países da região dos Bálcãs. Além das onipresentes e condenáveis brigas entre torcedores radicais, os hoolingans de triste fama.
Um elemento facilitador é a logística. Graças à imensa malha ferroviária, viajar pela Europa é muito mais fácil do que se deslocar pelos Estados Unidos ou pela América do Sul. Dependendo dos países, é possível para um torcedor europeu sair de sua casa em seu país pela manhã, torcer por sua seleção em outro país à tarde e voltar para dormir em sua casa à noite.

