Copa América 2024

Copa América ainda tem muito a aprender com a Euro

Polêmicas como dimensões dos gramados e horários de jogos mostram que Conmebol ainda come poeira da Uefa

A disputa simultânea de Copa América e Euro oferece diversas oportunidades de avaliação comparativa. Desde qualidade de jogo, aplicação tática e capacidade física, até detalhes de organização dos eventos.

Economicamente, a comparação é injusta. A Euro só tem a Copa do Mundo acima dela. A Uefa capricha, embora também cometa erros. Em 2012, por exemplo, o estádio de Gdansk, Polônia, estava inacabado para a disputa. Mas, geralmente, há gramados perfeitos e ótima infraestrutura.

A Conmebol tenta nova investida na união das Américas em torno do futebol, pensando no potencial econômico dos Estados Unidos. Mas existem mancadas monumentais. A principal delas diz respeito aos gramados. Sempre há problemas, em todos os países, e não está sendo diferente nos Estados Unidos.

Foto: (IconSport) - Gramado na Copa América deixa a desejar
Foto: (IconSport) – Gramado na Copa América deixa a desejar

Desta vez, a polêmica envolve as dimensões dos campos de jogo nos Estados Unidos. A padronização da medida de 100mx64m, quando a medida oficial ideal é de 105mx68m, foi a solução encontrada para não trombar com os donos dos estádios. A medida do campo de futebol americano é de 91,44 x 48,76 metros. Mas há necessidades específicas como áreas laterais para abrigar os jogadores reservas e comissões técnicas, uma área de escape atrás das traves, entre outras particularidades.

Como muitos gramados do futebol americano são sintéticos, para montar campos de grama natural o método utilizado é o da instalação de rolos de grama pré-cultivada, que são compactados com máquinas. Ainda que o aspecto visual seja bonito, a bola não rola como deveria, e há emendas entre os rolos que prejudicam o bom desempenho técnico.

Kansas City recebe jogo entre Canadá e Peru (Foto: Conmebol)

Mesmo recebendo pelo aluguel das arenas, os donos dos estádios de futebol americano não aceitam grandes modificações na estrutura, porque não estão nem aí para os problemas do “soccer”. A Conmebol se dobra ao interesse financeiro e prejudica o aspecto técnico do jogo.

Nada que seja de outro mundo, porque até mesmo na Premier League, o campeonato considerado modelo entre os torneios nacionais, existem campos com dimensões diferentes e algumas reduzidas.

Outro problema está nos horários dos jogos. O verão norte-americano é severo em diversas localidades. Como Kansas City, no Missouri, onde o árbitro assistente Humberto Panjoj da Guatemala, sucumbiu ao calor de 37 graus durante Peru e Canadá, desmaiando no gramado.

Jogos realizados na Flórida expõe atletas e público a temperaturas de 33 graus por volta das nove horas da noite, com umidade relativa do ar elevada.

Por fim, é curioso ver o espetáculo das torcidas na Copa América, uma demonstração da presença da cultura latina nos Estados Unidos. Como no citado jogo Peru e Canadá, com muito mais peruanos que os canadenses, vizinhos dos Estados Unidos.

Na Europa vimos a recorrente questão étnica envolvendo torcedores e jogadores de países da região dos Bálcãs. Além das onipresentes e condenáveis brigas entre torcedores radicais, os hoolingans de triste fama.

Um elemento facilitador é a logística. Graças à imensa malha ferroviária, viajar pela Europa é muito mais fácil do que se deslocar pelos Estados Unidos ou pela América do Sul. Dependendo dos países, é possível para um torcedor europeu sair de sua casa em seu país pela manhã, torcer por sua seleção em outro país à tarde e voltar para dormir em sua casa à noite.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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