Dorival herdou trabalho ruim de Diniz e se despede com Seleção pior do que recebeu
CBF anuncia a saída do técnico, e a demissão tem mais motivos além do vexame sofrido na goleada por 4 a 1 para a Argentina
A era Dorival Júnior como técnico da seleção brasileira chegou ao fim após exatos 443 dias desde o anúncio de seu nome para o cargo, em janeiro de 2024. A saída foi formalizada nesta sexta-feira (27) em uma reunião com o presidente Ednaldo Rodrigues na sede da CBF.
A demissão do treinador era mera questão de tempo depois do vexame dado pelo Brasil na goleada por 4 a 1 sofrida para a Argentina na última terça-feira (25), no Monumental de Núñez.
Prova disso é que a diretoria da CBF já abriu conversas com os dois candidatos a substituir Dorival antes mesmo de oficializar a sua saída. O alvo preferido de Ednaldo Rodrigues é Carlo Ancelotti, do Real Madrid. Mas a entidade também conversa com Jorge Jesus para o cargo.
Indefinição à parte, o substituto — seja ele quem for — assumirá uma seleção brasileira que ainda não encontrou seu rumo no ciclo para a Copa do Mundo de 2026. Dorival herdou um trabalho que era ruim de Fernando Diniz. E a sensação é de que ele deixa o Brasil em situação pior do que a que ele recebeu.
Dorival Júnior pela Seleção
- 16 jogos
- 7 vitórias
- 7 empates
- 2 derrotas
- 25 gols marcados
- 17 gols sofridos
- 58% de aproveitamento
Início até foi promissor
Dorival deixa o cargo dias após um dos maiores vexames da história da Seleção. Mas a verdade é que seu início no comando do Brasil foi esperançoso.
O treinador estreou com vitória por 1 a 0 sobre a Inglaterra em Wembley e depois engatou um empate em 3 a 3 com a Espanha no Santiago Bernabéu.
A Seleção com muitas caras novas e Endrick como destaque parecia iniciar, de fato, uma nova era sob o comando de Dorival Júnior.

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Copa América foi primeira decepção
Mas só parecia. Com apenas mais dois jogos de preparação, Dorival Júnior chegou à Copa América ainda sem conseguir definir uma identidade para a sua equipe — uma constante no trabalho do treinador na Seleção.
O Brasil correu riscos de não se classificar em um grupo com Colômbia, Costa Rica e Paraguai. E depois foi eliminada nos pênaltis para o Uruguai em uma péssima atuação coletiva.
Nesta mesma Copa América, Dorival afirmou categoricamente que a Seleção estaria na final da Copa do Mundo. Se estiver, não será sob o seu comando. E esta “profecia” hoje soa como piada de mau gosto.

Falta de critério e convicção minaram trabalho
Os protagonistas da Seleção nunca conseguiram render como esperado — casos de Vinicius Júnior, Rodrygo e Raphinha. Mas as escolhas de Dorival Júnior para a Seleção também apontam para um trabalho que não tinha lá muita convicção — e nem muito critério.
No sistema ofensivo, Dorival variava muito entre um esquema com quatro atacantes de mobilidade e outro com um centroavante de referência. Ele se despede sem saber qual é o seu favorito.
O técnico, por exemplo, convocou Igor Jesus porque afirmou que as suas equipes precisavam ter um camisa 9 de referência. O atacante resolveu para a Seleção em uma Data Fifa em que Dorival estava pressionado e depois ficou fora da última lista — que sequer teve um centroavante de origem convocado.
Endrick é prova de que Dorival não deixa legado
Dorival chegou sob a premissa de conduzir uma renovação na seleção brasileira para a Copa de 2026. O treinador, de fato, convocou caras novas e deu oportunidades a jogadores que antes pouco haviam jogado ou sequer estavam no radar da Seleção.
Nenhum deles, porém, chegou para ficar ou se destacou a ponto de ganhar uma vaga na equipe titular. Dorival não conseguiu implementar a reformulação esperada e sequer foi capaz de dar mais espaço aos garotos de quem se espera ser o futuro da Seleção.
Estevão, convocado pela primeira vez pelo técnico, é um deles. Mas o caso mais emblemático é o de Endrick. O atacante do Real Madrid marcou três gols em 14 jogos e um total de apenas 385 minutos em campo com o treinador.
O atacante do Real Madrid nunca convenceu o técnico, que caía até em contradição. Quando insistia que a Seleção precisava de um nove, Dorival não usava Endrick. Depois, nesta última Data Fifa, convocou o atacante como substituto de Neymar, após não tê-lo convocado porque ele era reserva do Real Madrid.

Dorival conduz Seleção à vaga “culposa” na Copa
Mesmo com tanta instabilidade e atuações ruins, Dorival Júnior se despede do cargo com a Seleção perto da classificação à Copa de 2026. Mas isso, verdade seja dita, não é exatamente um mérito.
As Eliminatórias da Conmebol têm seis vagas diretas e uma de repescagem em disputa por dez seleções. O fato de o Brasil ainda não ter se garantido no Mundial diz muito sobre as dificuldades dos trabalhos — tanto de Dorival quanto de Diniz.
Hoje, a Seleção ocupa a quarta colocação, com 21 pontos. Tem seis a mais que a Venezuela que hoje iria para a repescagem.



