Brasil

Endrick resolve, e Dorival dá cartão de visitas em estreia na Seleção

Na estreia de Dorival, Brasil vence a Inglaterra por 1 a 0 em Wembley e apresenta Endrick ao mundo

No Estádio de Wembley, berço do futebol mundial, um garoto de 17 anos entra em campo e precisa de apenas para marcar o gol da vitória por 1 a 0 da Seleção sobre a Inglaterra, neste sábado (23). Dorival Júnior não poderia pedir um início mais promissor e emblemático do que este que escreveu na história a sua estreia no comando do Brasil. Coube a Endrick – aquele que carrega o futuro de uma nação às costas – escrever uma história ainda mais especial ao marcar pela primeira vez em verde e amarelo.

De volta, Paquetá dita o ritmo do Brasil…

O primeiro Brasil de Dorival Júnior teve cinco estreantes no time titular – Bento, Fabrício Bruno, Lucas Beraldo, Wendell e João Gomes. Todos eles fizeram uma primeira etapa segura, mas foi um velho conhecido na Seleção que fez a equipe jogar nos 45 minutos inicias. De volta após um hiato devido à investigação de um suposto envolvimento em caso de apostas, Lucas Paquetá foi a alma da seleção brasileira em Wembley.

Numa formação com três atacantes de mobilidade, o meia tinha um prato cheio à sua frente para cartear as jogadas ofensivas. Sempre que a bola passava por seus pés, chegava em boas condições a Vini Jr, Rodrygo e Raphinha. Primeiro, Paquetá deixou Vinicius livre na cara de Pickford com um lançamento às costas da zaga – Walker salvou praticamente em cima da linha. Depois, ele pifou o Rayo, que veste a camisa 10, mas não conseguiu finalizar. E meio-campista ainda foi protagonista do lance de maior perigo da primeira etapa, com uma finalização que parou na trave.

…Mas defesa sofre em primeiro tempo lá e cá

Tudo muito bem na frente – fora a falta de precisão nas finalizações –, mas tudo um tanto complicado atrás. O Brasil teve dificuldades esperadas na saída de bola, diante da pressão exercida pela Inglaterra. Mas o sofrimento, mesmo, veio sempre que os ingleses conseguiram escapar pelos lados, ora para tentar cruzamentos, ora para tentar entrar na área.

A Seleção passou apuros para conter essas duas jogadas. Conseguiu, mas a duras penas. Em mais de uma oportunidade, a Inglaterra esteve perto de marcar. Na chance mais clara, Watkins dominou na entrada da área, mas isolou a finalização. Gordon foi outro que ameaçou, já na reta final do primeiro tempo. Ele entrou pela esquerda e chutou cruzado, para boa defesa de Bento.

Brasil sofre sem centroavante até Endrick resolver

Os brasileiros que ocuparam um espaço considerável de um dos cantos das arquibancadas de Wembley aqueceram a noite gelada em Londres com gritos de “olé” nos minutos finais do segundo tempo. Uma festa mais do que merecida, mas que quando descrita assim, sozinha, é ilusória. Pois não houve tamanha superioridade assim do Brasil. Aliás, a Seleção que foi, de fato, muito bem na primeira etapa, caiu de rendimento depois do intervalo.

A equipe de Dorival Júnior sentiu falta de uma referência para dar profundidade no ataque. O trio móvel que infernizou a defesa inglesa nos 45 minutos iniciais foi bem neutralizada e não conseguiu as infiltrações esperadas. Enquanto isso, a Inglaterra até ameaçou em chute de Gordon, logo aos quatro minutos, mas não fez lá muita coisa além de neutralizar as investidas brasileiras.

Parecia um jogo destinado a um zero a zero que seria justo… Até a entrada de Endrick com a estrela daqueles que são destinados a escrever história pela Seleção. O atacante de 17 anos foi a campo aos 24 do segundo tempo. Dez minutos mais tarde, ele deslizava pelo tapete do gramado de Wembley para celebrar o seu primeiro gol com a camisa da seleção brasileira. O primeiro gol da era Dorival Júnior. Um gol emblemático.

Aos 34, Vini Júnior recebeu em velocidade no ataque. Ele foi até a área e chutou sobre Pickford. A bola sobrou no pé predestinado de Endrick, com o trabalho de empurrar apenas para as redes. E foi o que ele fez para dar a vitória à seleção brasileira. Para fazer história.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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