Brasileirão Série A

Atlético-MG x Flamengo gera menos expectativa que o habitual, e a culpa é da CBF

Atlético e Flamengo fazem clássico recheados de desfalques, muito por conta da CBF e seu calendário

Atlético-MG e Flamengo fazem nesta quarta-feira (3) um dos maiores clássicos interestaduais do futebol brasileiro. Sempre recheado de histórias e emoções, dessa vez, ele tem gerado menos expectativa, e boa parte dessa culpa está na conta da CBF.

O clássico nacional desta quarta acontece em meio a disputa da Copa América, torneio que tirou três jogadores do Atlético-MG e cinco do Flamengo. E não são quaisquer, são todos extremamente importantes para os times.

No Galo, Guilherme Arana (Brasil) e Alan Franco (Equador) são duas das principais peças do time de Gabriel Milito. No Flamengo, Arrascaeta, De La Cruz e Varela, todos do Uruguai, são titulares absolutos de Tite, enquanto Viña, também uruguaio, reveza sempre na lateral com Ayrton Lucas.

A lista de desfalques poderia ser ainda maior, mas o Chile foi eliminado da Copa América no fim de semana, e Vargas, o primeiro reserva do ataque atleticano, e Pulgar, titular do rubro-negro, vão para o jogo.

Vargas e Pulgar juntos pelo Chile durante a Copa América (Icon Sport)

As convocações, além de desfalcarem os times, também fizeram com que os treinadores tivessem que fazer improvisações e “forçassem” outros atletas, o que ocasionou algumas lesões.

Vale destacar que, além da CBF, os próprios clubes têm culpa ao aprovarem o calendário da entidade para a temporada. Galo e Fla até fizeram parte de um grupo de clubes que pediu a entidade, em fevereiro de 2024, a paralisação do Brasileiro, mas o pedido foi negado.

Atlético vive drama com desfalques

As convocações geraram uma série de mudanças no Atlético. A principal delas foi em Gustavo Scarpa, que, sem Arana, precisa fazer a lateral/ala esquerda, já que Rubens, reserva da posição, está lesionado. Ele sair do lado direito, onde atua melhor, foi tema em várias coletivas de Milito, mas é, definitivamente, a melhor opção que ele tem.

Milito é questionado sempre sobre onde escala Scarpa (AGIF/Icon Sport)

Antes da Copa América, o Galo já tinha perdido Otávio por lesão. Com Alan Franco convocado, o time perdeu mais um volante no meio-campo, o que fez com que Milito tivesse que voltar Battaglia para o meio, já que o argentino atuava (e muito bem) como zagueiro.

Por fim, a convocação de Vargas parece ter vindo no pior momento. O Atlético viu Hulk se lesionar, depois ele e Paulinho serem expulsos, perdendo seus atacantes por alguns jogos. Vargas era o primeiro reserva do ataque. Sem ele, o jovem Cadu ganhou mais chances, mas sem conseguir dar o retorno esperado.

As convocações também fizeram o Atlético, que já tem um elenco curto, não ter a possibilidade de poupar alguns atletas, o que levou a lesões. Zaracho joga com problema no púbis há 10 jogos e Saravia se lesionou por desgaste.

Milito consolou Zaracho ao tirá-lo do campo ainda no primeiro tempo contra o Inter (Pedro Souza / Atlético)

Além disso, gerou também suspensões. Scarpa, por exemplo, não tinha levado nenhum cartão quando atuava pela direita. Na esquerda, com obrigações mais defensivas, levou três em seis jogos, ficando suspenso do último jogo, em que, inclusive, o Galo só teve três titulares à disposição e cinco atletas na reserva.

Baixas diminuem, mas seguem como sina do Flamengo

Assim como Milito, Tite também precisou remendar o time para tentar manter o alto nível durante o período da Copa América. Foram três improvisos mais notáveis, envolvendo os xarás Ortiz e Pereira, além do jovem Victor Hugo. 

Léo Ortiz foi quem mais esteve em campo, diante da convocação de Pulgar e das lesões de Allan e Igor Jesus, tendo disputado cinco dos seis jogos da sequência como o primeiro volante titular da equipe. Não foi exatamente uma novidade para o atleta, mas o bom nível surpreendeu até o mais pessimista dos torcedores. O zagueiro, inclusive, foi eleito o melhor em campo na posição contra o Athletico Paranaense, em Curitiba.

O meio-campo, inclusive, foi quem mais sofreu com os desfalques. Lorran até conseguiu substituir Arrascaeta de maneira interessante, mas a volância clamou por mudanças. Além de Léo Ortiz, Gerson precisou voltar ao setor para cobrir a ausência de Nico De La Cruz.

Tite precisou de muita força para manter o Flamengo competitivo na Copa América (Foto: Marcelo Cortes/CRF)

Léo Pereira foi lançado na lateral esquerda, já que Viña foi convocado e Ayrton Lucas ficou cerca de 20 dias fora por lesão, sofrida no fim de maio. O zagueiro também deu conta do recado, muito pela tranquilidade de ser canhoto. A zaga até teve problemas, como a suspensão de Fabrício Bruno, contra o Bahia, e as dores no joelho de David Luiz, fora diante do Juventude, mas não o suficiente para mexer no esquema.

Garoto do Ninho, Victor Hugo também precisou jogar improvisado, somente na derrota no Alfredo Jaconi. Sem Bruno Henrique e Cebolinha, lesionados, Tite lançou o meia de origem na ponta esquerda, mas não teve o mesmo resultado dos defensores. Uma atuação apagada fez com que a promessa perdesse espaço.

O elenco do Flamengo se uniu para conquistar 13 dos 18 pontos nesse período desfalques por Copa América (Foto: Gilvan de Souza/CRF)

Quem jogou teve que se desdobrar fisicamente, e o jogo contra o Atlético-MG pode cobrar o seu preço. A Trivela apurou que existe a possibilidade de Tite poupar nomes importantes, como Gerson e Pedro, que correm risco de lesões musculares. Eles serão reavaliados em Belo Horizonte, para saber se terão condições de entrar em campo ou não.

Relembre os desfalques

Atlético Mineiro:

  • Everson (lesão)
  • Mauricio Lemos (lesão)
  • Arana (seleção)
  • Rubens (lesão)
  • Saravia (lesão)
  • Alan Franco (seleção)
  • Zaracho (lesão)
  • Alisson (lesão)

Flamengo:

  • Arrascaeta
  • De La Cruz
  • Varela
  • Viña
  • Igor Jesus
  • Cebolinha
  • Gabigol
  • Pedro*
  • Gerson*
  • Lorran*
    *Serão reavaliados e podem estar à disposição
Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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