Brasil

Léo Ortiz revela como Tite e lições da base o ajudaram em improviso que salvou o Flamengo

Zagueiro foi lançado no meio-campo durante período de desfalques na Copa América e deu conta do recado com atuações seguras

Léo Ortiz é um dos principais responsáveis pela manutenção da liderança do Brasileirão. O zagueiro se tornou volante por necessidade no período de Copa América e deu conta do recado, recebendo elogios e até prêmio de melhor em campo pelo Flamengo.

Em boa fase, o defensor topou falar exclusivamente com a Trivela através de videoconferência, na última segunda-feira (1).

Na conversa, Ortiz revelou como o passado nas categorias de base e a comissão técnica de Tite o ajudaram nessa adaptação à (velha) nova função. Confira:

Lembrou os velhos tempos

Ainda que seja um improviso, os cacoetes da posição não são uma novidade para Léo Ortiz. Tite foi o primeiro a revelar que o defensor iniciou nas categorias de base do Internacional como volante, acompanhado pelo próprio atleta em seguida. Foi como andar de bicicleta nesse retorno.

Acho que foi a primeira coisa que aprendi no campo, vindo do futsal, foi esse posicionamento como volante. Então isso fez com que eu recordasse algumas coisas que aprendi lá atrás no tempo da base, atuando nessa posição. Também consigo trazer a parte de zagueiro no posicionamento, como a cobertura do outro volante e a construção também um pouco mais perto do goleiro — analisou, em entrevista exclusiva à reportagem. 

Léo Ortiz
Léo Ortiz em ação pelo Internacional (Foto: Ricardo Duarte/SCI)

Ao lado de David Luiz, Ortiz é um dos jogadores mais técnicos da defesa do Flamengo e sabe que essas valências ajudaram bastante na readaptação à função no meio-campo.

— Eu sou um cara que gosta de construir com a bola como zagueiro, e como o volante acaba ficando mais perto do gol, podendo achar meus companheiros num passe que vá mais para uma finalização. Fico muito feliz de estar conseguindo dar conta do recado. Acho que o mais importante são os resultados que a equipe vem tendo, e eu estar ajudando nessa parte — completou.

Mudanças sutis

O período como volante foi muito interessante e rendeu elogios da torcida. A precisão no passe foi o que mais chamou atenção, muito pela técnica citada, deixando o Flamengo com uma saída de bola tranquila.

As médias superaram os 70% no campo de ataque e defesa, com destaque para a geral, que bateu os 85%.

O jogador também não deixou a desejar na defesa, seu ponto forte. Léo Ortiz não cometeu nenhum erro que resultou em gol, nem mesmo em uma finalização certa dos adversários. A quantidade de desarmes superou a marca dos três por partida.

O mapa de calor, cedido pela plataforma SofaScore, mostra como ele soube dosar bem os dois lados do campo.

Léo Ortiz atuou mais pela direita, com boas chegadas ao ataque (Foto: Reprodução/SofaScore)

Nenhuma adaptação prévia faz com que Léo Ortiz seja o melhor em campo contra o Athletico Paranaense, fora de casa. Ciente da pré-disposição, a comissão técnica de Tite realizou trabalhos específicos nos bastidores para deixar o defensor confortável no meio-campo.

A relação com o treinador e demais funcionários fez toda a diferença para a tranquilidade e chegada do zagueiro ao Ninho do Urubu.

— Eles sempre me passaram muito confiança para fazer essa função. Os trabalhos específicos foram mais durante os treinos mesmo, em alguns treinos mais posicionais. O que foi pedido foi que eu fizesse essa função mais posicional na frente da zaga para dar sustentação, até por ser uma improvisação, que eu fizesse o básico, que eu fizesse o simples, que eu desse sustentação e facilitasse o trabalho dos meus companheiros de frente. Acredito que foi por isso que eles quiseram que eu viesse para cá e me deram muita confiança para fazer esses grandes jogos — explicou.

Versatilidade salvou o Flamengo

O retorno de Pulgar da Copa América, além da consolidação de Allan após período de lesões, deve fazer com que Léo Ortiz atue menos como volante e volte a ser opção na defesa.

O próprio zagueiro confirmou que não quer voltar ao meio-campo de maneira definitiva, mas fez questão de exaltar a versatilidade como trunfo por mais oportunidades.

— Bom, não é uma coisa que eu penso em tornar fixo, mas é sempre bom você ter essa versatilidade e você ajudar em outras posições, porque em momentos em que o clube vai precisar, por conta de lesão ou por conta de alguma convocação, ainda mais estando no Flamengo que isso acontece mais recorrente, é bom você poder fortalecer o grupo em algum momento que ele precise — revelou.

Léo Ortiz comemora seu gol contra o Palestino, pela Libertadores (Foto: Divulgação/Flamengo)

Apesar disso, Léo Ortiz frisou que está à disposição do Flamengo para o que for necessário.

— Não pensava mais que pudesse jogar tantos jogos como o volante quanto eu joguei agora. Mas por uma necessidade da equipe eu fui lá e dei conta do recado, acho que isso é o mais importante. Melhor que a função fique mais para quem é da posição e se em algum momento do jogo o professor achar que é oportuno, que seria melhor eu entrar, eu vou estar pronto para também dar conta do recado — finalizou.

O zagueiro treinou normalmente ao longo do ciclo de preparação para o próximo compromisso do Flamengo, que será diante do Atlético-MG, nesta quarta-feira (03). Léo Ortiz deve iniciar o confronto no banco de reservas.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
Botão Voltar ao topo