Brasileirão Série A

R$ 150 milhões e desafio logístico: Como o Remo se prepara para o Brasileirão 2026

Clube volta a disputar a primeira divisão depois de 32 anos e enfrentará desafio logístico em busca de permanência

O Remo disputará em 2026 o Brasileirão pela primeira vez em 32 anos. De Belém, no Pará, a equipe se prepara para sua temporada mais desafiadora e exigente neste século: além da primeira divisão, está garantido na quinta fase da Copa do Brasil e Copa Verde, além do Campeonato Paraense e Supercopa Grão-Pará.

Será também a primeira vez desde 2005 que um time do Norte disputará a primeira divisão do país. O rebaixamento de três equipes da região Nordeste em 2025 (Sport, Fortaleza e Ceará) aumentou a distância que o Remo deverá percorrer para disputar suas partidas fora de casa na próxima temporada. Das 20 equipes na primeira divisão, 17 se encontram no Sul ou Sudeste.

“Os outros clubes vão precisar viajar para Belém, mas apenas uma vez. Nós teremos de nos deslocar 19 vezes ao longo do campeonato”, reconhece à Trivela Antônio Carlos Teixeira, o “Tonhão”, presidente do Remo. Veterano no futebol, o dirigente não está habituado aos holofotes, mas atendeu a reportagem por telefone, do seu escritório na sede do clube.

Tonhão, presidente do Remo (Foto: Divulgação/Remo)

Remo terá desafios no Brasileirão 2026

Para 2026, o Remo prevê um orçamento de R$ 150 milhões. Esse número é três vezes superior àquele com o qual o clube precisou trabalhar na temporada de acesso. No cálculo, estão consideradas as receitas com direitos de transmissão que, apesar das críticas do Remo ao modelo da Libra — bloco de clubes do qual faz parte e negociou a venda de forma conjunta —, impulsionará os ganhos a partir de janeiro.

No acordo celebrado junto à “TV Globo”, estava previsto uma redução nos ganhos das equipes caso houvesse menos de 10 clubes do bloco na Série A em 2026. Com o Remo, o número de clubes subiu para 11, mas o montante a ser dividido entre os clubes continuará igual. Portanto, cada associação receberá uma fatia menor ao longo do ano.

Esse dinheiro é importante justamente pelo número de viagens que o Remo deverá fazer em 2026. Na Série B, o clube fretou dois voos específicos, para confrontos com Novorizontino e Avaí. Para isso, houve um acordo junto a Leila Pereira, presidente do Palmeiras, no valor de R$ 300 mil, para o empréstimo da aeronave. Um trajeto de 10 horas, até o interior de São Paulo, foi feito em três.

“Pelo rebaixamento de alguns clubes do Nordeste, esse problema se agravou”, afirma o mandatário. Não há condição financeiras para que o Remo consiga fretar voos para todas as partidas da Série A na próxima temporada — que já se inicia na última semana de janeiro. Entretanto, o clube irá trabalhar com situações pontuais, para diminuir problemas de logística para o elenco.

O Remo já teve reuniões com a CBF para que sejam designados ao elenco voos com menor duração e mais acessíveis, quando possível — dado o problema logístico ao qual o clube está submetido. Cerca de 3 mil quilômetros separam Belém de São Paulo, por exemplo. E o clube terá de enfrentar cinco clubes do estado ao longo do próximo ano.

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Novo treinador e elenco

Além de precisar lidar com as competições e viagens, o Remo também corre contra o tempo para montar o seu elenco. Pedro Rocha, um dos destaques da campanha de acesso, não renovou com o clube para a próxima temporada e acertou com o Coritiba. Por outro lado, Alef Manga chegou como substituto.

As novidades também estão na área técnica. O Remo buscava um treinador reativo, mas acabou fechando Juan Carlos Osorio, ex-São Paulo e Athletico-PR. “Não vou dizer que tem de ser propositivo, porque vamos enfrentar grandes clubes, com uma estrutura bem maior do que a nossa. Dentro dessa realidade, vamos buscar um técnico que tenha esse perfil”, pontuou Tonhão antes do anúncio de Osorio.

Entre as renovações, o clube estendeu o vínculo com Marcelo Rangel, goleiro titular do Remo na campanha da Série B. Agora com o técnico colombiano, a tendência é que o clube passe a anunciar novos acertos — alinhados com o que pensa a nova comissão técnica.

Venda de mando?

É comum que clubes recém-promovidos à Série A optem por vender seus mandos em confrontos contra clubes de maior torcida. Nesse primeiro momento, no entanto, Tonhão é enfático: tirar uma partida de Belém, seja no Mangueirão ou no reformado Baenão, seria uma traição com o torcedor do Remo.

“Eu seria traidor com a minha torcida”, diz. “Ela foi fundamental para tudo que está acontecendo no clube do Remo. Na hora do filé, não posso levar, por causa de uma condição financeira melhor, o jogo para uma outra cidade, para outro estado. Essa possibilidade é muito remota, pelo menos enquanto eu for o presidente do clube.”

É com essa torcida, aliás, que o Remo sonha grande em 2026: classificação para uma competição continental, como a Copa Sul-Americana, e semelhante ao que ocorreu com o Mirassol, que disputará a Libertadores na próxima temporada.

— Não posso pensar em só me manter na Série A, porque aí acaba sendo rebaixado. O Remo sempre pensou grande e eu também, particularmente, penso dessa maneira. O sarrafo é muito alto, muito grande, mas vamos trabalhar para isso — afirma Tonhão.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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