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Os erros de Felipão que o próximo técnico do Atlético-MG não pode cometer

Independente de quem será o novo treinador do Atlético, há detalhes da passagem de Felipão que precisam ser estudados para não serem repetidos

O Atlético-MG optou por demitir Felipão nesta quarta-feira (20) e agora precisa correr atrás de um novo nome. O perfil do próximo treinador já está definido pelo clube, e é completamente diferente do de Scolari. Mas, independente do nome escolhido, quem chegar precisa estudar algumas coisas que o agora ex-treinador alvinegro fez e para não repeti-las.

Felipão passou longe de ter uma passagem animadora pelo Atlético, pelo contrário, foram meses que não agregaram em nada para os dois lados. Nesse período, o treinador tomou algumas decisões, dentro e fora de campo, que claramente ajudaram a minar o desempenho do time e a relação dele com a torcida.

A Trivela traz essas atitudes e decisões que se mostraram erradas por parte de Felipão, que o próximo treinador precisa estudar para não fazer igual e assim buscar uma vida mais tranquila (ou menos agitada) no comando do Galo.

Paulinho e Hulk precisam jogar juntos

De todas as decisões de Felipão em campo, a que mais chamou atenção e irritou o torcedor foi a insistência em afastar Hulk e Paulinho. Os atacantes se tornaram a melhor dupla do Brasil em 2023, primeiro sob o comando de Coudet, que montava o time no esquema com dois atacantes.

Quando chegou, Felipão tentou colocar o seu estilo, com três atacantes, abrindo assim Paulinho em uma das pontas e centralizando Hulk. Isso fez o Atlético ir muito mal, então ele entendeu que, já que o time foi montado por e para Coudet, era preciso usar algumas ideias do argentino. Dessa forma, ele voltou a utilizar Paulinho e Hulk como dupla, o que fez total diferença para o time melhorar e os dois jogadores terminarem o ano com 61 gols somados.

No entanto, em 2024, Felipão voltou a insistir em usar a formação que mais gosta, voltando a utilizar três atacantes, colocando Paulinho novamente como ponta. Isso afetou, mais uma vez, o rendimento do time e do próprio jogador, que claramente se sai melhor quando joga mais centralizado e próximo do gol. Prova disso é que, nos dois gols que marcou no ano, ele apareceu pelo meio e não pela ponta.

Ou seja, o básico que o próximo treinador tem que fazer é usar Hulk e Paulinho como dupla. E isso não impede que ele utilize três atacantes, pois dá para fazer isso e ainda, sim, manter o camisa 10 e o camisa 7 mais próximos. A dupla é a maior e melhor arma ofensiva do Atlético, então não pode ser descartada.

Colocar os melhores em campo – e na posição certa

Outro ponto em que Felipão foi muito criticado é pelo fato dele, por muitas vezes, não escalar quem estava melhor. O principal caso é o de Rubens. O cria da base do Atlético vem pedindo passagem no time desde o fim de 2023, quando até recebeu oportunidades, mas foi tirado do time.

Em 2024, ele só foi titular em um jogo, justamente quando Felipão optou por um time reserva. Mesmo assim, foi acionado em quase todos os outros jogos, e sempre correspondeu muito bem, até mudando as atitudes da equipe e do jogo, como quando marcou o gol de empate contra o América na primeira fase do Mineiro.

No último jogo, Rubens entrou e foi muito bem de novo, mas Felipão preferiu afirmar que não podia colocar em campo um jogador “só porque está em bom momento”, algo que não faz sentido. Outro jovem, Alisson, é mais um que merece cada vez mais oportunidades, e até recebeu algumas, tendo grandes atuações, mas nem saiu do banco no último jogo e também causou irritação no torcedor.

Além de dar oportunidades, Felipão foi muito cobrado também por não colocar os jogadores nas posições que eles atuam melhor. Fora o caso já citado de Paulinho, que não é ponta e estava jogando assim, outro que atuou fora de posição é Gustavo Scarpa. Melhor do país em 2022 atuando pela direita no Palmeiras, ele começou jogando pela esquerda no Galo, depois mais centralizado, e pouco jogou pelo lado direito. Até por isso, esse é um dos motivos apontados para ele ainda não ter rendido o esperado até o momento.

Mais oportunidades para os crias do Atlético

Como nos casos de Rubens e Alisson já citados, o próximo treinador do Atlético precisa dar cada vez mais oportunidades para a base. Essa foi uma das maiores cobranças em toda a passagem de Felipão, que só foi colocar o meia-atacante para jogo quando perdeu Pavón para o Grêmio. O que o torcedor espera é ver os garotos destaques da base com mais oportunidades reais, entrando em jogos com condições de demonstrarem o que podem.

Alisson comeu a bola nos jogos que foi utilizado, tanto que virou titular na sequência. Cadu jogou, pois Vargas estava de saída (mas não saiu), e também se destacou. O lateral-direito Vitinho é outro sempre pedido, principalmente pela oscilação de Saravia e Mariano, mas pouco jogou. O zagueiro Rômulo, muito promissor, jogador de seleção de base, não teve nenhuma chance ainda. E o atacante Isaac, que quase saiu do clube justamente por falta de chances, também segue sem oportunidades reais.

Oportunidades reais para esses jovens serem testados, já que podem acabar virando solução (como foi com Alisson) em alguns jogos, é o que se espera do próximo treinador.

Fora de campo, o básico: respeitar a torcida

Dentro de campo, Felipão teve seus problemas no time, que desempenhou muito mal, mas, o que mais pesou para a relação dele com o Atlético não andar foram as atitudes dele com a torcida. Além de rebater as atitudes da torcida quando questionado nas coletivas, ele chegou a xingar dois torcedores, um fora e outro dentro do estádio, o que causou uma revolta enorme do torcedor, que passou a xingá-lo em todos os jogos depois desses episódios.

Depois desses problemas com Felipão, tudo que a torcida quer (e precisa) é um treinador que respeite os torcedores, que estão sempre no seu direito de reclamar e protestar quando quiserem – desde que façam isso dentro da lei. Principal alvo do Atlético, Gabriel Milito é um técnico que já demonstrou várias vezes como respeita o torcedor, até ouvindo um deles durante um jogo na beirada do campo.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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