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Precisar da saída de Pavón para a entrada de Alisson explica bem como o Atlético-MG não sabe tratar a base

Fala de Felipão deixou claro que Alisson só ganhou sua tão exigida oportunidade porque Pavón está indisponível, e isso explicar a relação do Atlético com a base

O Atlético-MG só não saiu de campo derrotado pelo Tombense na última quarta-feira (14) por conta da entrada de Alisson Santana, que mudou o jogo e marcou um golaço de empate. O jovem, que sempre pediu passagem, não tinha oportunidades e, aparentemente, só recebeu uma (que abraçou como nunca) porque Felipão não tinha (e não terá) mais à disposição Pavón. Isso explica muito sobre o tratamento do Galo com a sua base.

A não utilização da base é algo muito criticado no Atlético há anos, antes de Felipão ou até da atual gestão da diretoria/SAF. Mas, em 2023, as críticas passaram a ser mais constantes por Scolari não dar nenhuma oportunidade real chance aos crias do Galo. Em 2024, a promessa era de mais minutos para eles, no entanto, isso só aconteceu porque Pavón está de saída para o Grêmio.

Na coletiva pós-jogo, Felipão deixou claro que Alisson teve chance por ele não poder contar com Pavón, que já ficou de fora da partida por conta das negociações avançadas com o Grêmio.

– Eu não vou pedir (reforço) para a diretoria. Provavelmente eles já estejam dentro de um cronograma trabalhando com alguma coisa. Algumas coisas devem acontecer e aos poucos vamos reformulando o grupo. Se o Pavón sair, estamos ganhando o Alisson.

Scolari ainda citou que Alisson foi uma “contratação” agora que o argentino saiu. Mas Alisson não pode ser visto como uma contratação. Ele já estava no time e dando sinais de que poderia ser útil. Era o próprio Felipão que não permitia isso. Ter Pavón ou qualquer outro jogador não deveria ser impeditivo para o jovem meia ganhar uma chance – e isso vale para todas as posições. Essa ideia só reforça como o Galo vê a sua base: sem confiança para dar oportunidades independente da situação ou mesmo com os experientes não rendendo nada.

Jovens do Atlético vão seguir sem oportunidades?

O Atlético tem em seu elenco alguns jogadores que não conseguiram, até o momento, demonstrar que valem o que ganham ou que mereçam oportunidades, como Alan Kardec, Vargas e o próprio Pavón, que apesar de não ter tido uma passagem ruim pelo clube, não ficou perto de ter rendido metade do esperado. Com esses jogadores sem render, Scolari poderia tranquilamente (principalmente no estadual) dar chances a jovens da base como Issac, Cadu e Alisson. Ao invés disso, ele preferiu (e deve seguir preferindo) continuar apostando nos “medalhões”.

O que deixa claro que Felipão deve seguir com foco na utilização dos medalhões está no próprio jogo contra o Tombense. Além da questão de Alisson, que só entrou pois Pavón não estava disponível, há ainda o fato dele ter preferido colocar Alan Kardec, que com uma temporada e meia no Galo nunca rendeu nada, do que Isaac, artilheiro do Sub-20. Ou seja, seguindo a lógica usada no caso Alisson, Isaac deve ter uma chance real só se o veterano centroavante não estiver disponível.

Em outras coletivas (e também nessa), Felipão sempre fez questão de afirmar que só iria colocar os jovens se entendesse que eles estavam treinando melhor do que os jogadores que já atuam. É um pensamento que até poderia fazer sentido, mas não adianta um jogador treinar bem o mês inteiro e, em todas as partidas que for acionado, for muito mal – que é o caso de alguns no Galo.

– Se ele (jovem) for melhor, dentro do treino, ele vai ser colocado. Eu tinha cinco (da base) no banco hoje. Vou aos poucos tendo oportunidades. Não é porque saiu um, tem que ser melhor do que o que está jogando — esbravejou o treinador.

Rodrigo Caetano confirma saída de Pavón e reforça (em partes) fala de Felipão

Depois da coletiva de Felipão, quem foi aos microfones foi o ainda diretor de futebol Rodrigo Caetano. Ele confirmou as negociações pela saída de Pavón, confirmando que ele ficou de fora do jogo por conta disso, e disse que haverá uma definição oficial até esta sexta.

Diante da saída de Pavón, Rodrigo Caetano preferiu ver o “copo meio cheio” e reforçou que, se ela está acontecendo, é porque eles (diretoria e comissão) confiam em Alisson, por exemplo. Mas, se já confiavam mesmo, por que ele não jogava antes?

– Como eu sempre falo: a gente tem que chegar em um acordo. O Galo é muito cobrado por não dar oportunidades para os jovens, e quando às vezes reduz o elenco também visando isso, somos cobrados. O que é o apelo, o desejo de melhor para o Galo? Na nossa visão, os jovens vão ter espaço desde que mostrem sua qualidade. Mas é obrigação do clube oportunizar esse espaço — disse o diretor que, apesar de fala parecida com a de Felipão, destacou que Alisson não jogou porque Pavón está de saída.

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Não importa o que digam, importa o que fazem

Felipão, Rodrigo Caetano ou qualquer outro membro do Atlético pode esbravejar, como fez o treinador, ou tentar explicar vendo o “copo meio cheio”, como fez o diretor, sobre a utilização da base no clube, no entanto, o que vale mesmo é o que vemos em campo, e não estamos vendo os jovens.

Não adianta afirmar que vai usar mais, que vai dar oportunidades, que quer colocar, que está evoluindo, que os jovens estão treinando com o time principal, que eles estão indo para o banco ou o que for, o que importa é o que fazem. E, nesse sentido, o Galo ainda está muito mal no quesito utilização da base.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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