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Alisson Santana, o ‘reforço’ do Atlético-MG que todo mundo via, menos Felipão

Ao citar que jovem do Atlético é como uma contratação, Felipão deixa claro que não olhava para Alisson como parte do grupo preparado contribuir

O Atlético-MG apenas empatou em 1 a 1 contra o Tombense na Arena MRV. O Galo mais uma vez jogou mal, mas foi salvo da derrota pela joia da base Alisson Santana, que mostrou em campo os motivos de tanta cobrança (da torcida e da imprensa) a Felipão para dar oportunidades para ele. Só que Scolari deixou claro que não olhava para o garoto como deveria (ou que talvez nem olhasse) ao chamá-lo de reforço.

Alisson é um garoto de apenas 18 anos que foi destaque na base do Atlético e começou a treinar com o profissional em 2023. Em julho do mesmo ano, estreou no time principal na derrota atleticana para o Corinthians. Mesmo com o revés do Galo, ele se destacou. Dois jogos depois, com o Alvinegro perdendo fora de casa para o Grêmio foi acionado de novo, e novamente se destacou, chegando a dar assistência para o gol de empate de Alan Kardec, posteriormente anulado (sob muita contestação) por impedimento.

Com dois jogos de destaque mesmo com o time em péssima fase e só perdendo, era esperado que Alisson jogasse cada vez mais. Mas o que aconteceu foi o contrário, ele “sumiu” sem explicações e foi acionado só em mais dois jogos já nos acréscimos, sem tempo para produzir nada.

As cobranças em cima de Felipão ficaram cada vez maiores, não só sobre Alisson, mas da base em geral. Em 2024, era esperado (e prometido por Scolari e pela diretoria) que os jovens jogariam mais. Mas isso não aconteceu (mesmo com Alisson se destacando na pré-temporada) … isso até um situação praticamente “obrigar” o treinador a colocar o garoto no campo: a saída de Pavón.

Em negociação avançada para deixar o Atlético rumo ao Grêmio, Pavón ficou de fora do banco de reservas, o que abriu espaço para Alisson, que ganhou uma chance real ao entrar em campo, novamente, com o time perdendo – algo que Felipão havia dito em 2023 que não iria fazer. E ele não desperdiçou essa oportunidade, pelo contrário.

Muito prazer, Felipão: Alisson Santana

Entrando no intervalo contra o Tombense, Alisson teve minutos e um bom gramado para jogar. Em 52 minutos jogados, fez de tudo um pouco: iniciou jogadas com passes diferentes, criou situações reais de gol, driblou muito e, claro, deixou a marca dele. E não foi qualquer marca, foi um golaço com tudo isso citado.

Na saída de campo, não escondeu o enorme sorriso no rosto e disse estar muito feliz, que o gol representa não só ele, mas todos os jovens da base que subiram com ele ao profissional: “Não acreditei (no gol). Fiquei com a mão no rosto, sem acreditar. Um gol com o estádio lotado, todo mundo gritando, parece cena de filme”.

Elogios (errados) de Felipão a Alisson

Felipão obviamente foi questionado na coletiva sobre a entrada e a atuação de Alisson no jogo. Ao elogiar o garoto, ele demonstrou que não o via como uma peça do grupo, já que chamou ele de reforço, dando a entender que a saída de Pavón possibilitou a “chegada” do jovem.

– É uma situação boa, tenho que olhar o lado bom. Ganhamos mais uma contratação sem fazer uma contratação. Eu tive a oportunidade, por uma situação que está evoluindo (saída do Pavón) de colocar mais um menino. É um jogador que está fazendo por merecer, mas ainda tínhamos no grupo uma outra situação que agora poderemos não ter. Estamos ganhando essa contratação — disse Scolari.

Em outra resposta, Felipão voltou a afirmar que o time perder algumas peças, como Pavón, faz com que traga outras, e que essas outras podem ser os jovens da base. Novamente, ele demonstrou não entender que esses garotos já são parte do time e podem ser utilizados independente de saídas ou chegadas.

O mais uma vez nervoso Felipão sobre a base

Como deu a entender (praticamente deixou claro) que Alisson só jogou pois ele não tinha (e não terá) mais Pavón, Felipão foi questionado mais a frente na coletiva porque ele precisou perder uma peça “de peso” do time para dar espaço a um jovem. No entanto, ele se irritou ao responder, voltando a destacar que o jogador precisa ser melhor no treino e esbravejando que tinha cinco da base no banco.

– Se ele (jovem) for melhor, dentro do treino, ele vai ser colocado. Já disse e volto a repetir. Já fui criticado por estar cerceando, se vocês olharem, os outros treinadores não deram nenhuma chance, mas vocês não levantaram a voz uma vez. Não fizeram nenhuma pesquisa. Eu tinha cinco no banco hoje. Vou aos poucos tendo oportunidades, não é porque saiu um, tem que ser melhor do que o que está jogando — esbravejou o treinador.

Felipão quis se fazer de vítima ao dizer que só ele é questionado sobre a utilização da base e outros treinadores não. No entanto, a Trivela sempre aponta, como fez no texto da última semana, que não é só Scolari que não usa os jovens, é algo do Atlético, independente do comando. Outro ponto a destacar é que não adianta ele se gabar de colocar os meninos no banco ou treinando com o profissional como fez, o questionamento é sobre oportunidades de jogo. Em 2023, por exemplo, os meninos tiveram mais minutos (não muitos, mas mais) com Coudet do que com Felipão.

Os próximos passos de Alisson no Atlético

Alisson sempre correspondeu nas poucas vezes que foi acionado com tempo de jogo no Atlético. Apesar disso, foi escanteado e agora voltou a jogar (e brilhar) em 2024. Não é por conta desse jogo contra o Tombense que ele é o melhor meia/ala do planeta, e não será em uma eventual partida ruim que ele será um “flop”. Jovem ainda, ele certamente ainda terá altos e baixos até se estabelecer. Mas isso quem tem que entender são os jogadores, a imprensa e o técnico Felipão, que precisa também entender que o garoto só vai evoluir se seguir ganhando chances reais, e não se for deixado de lado apenas treinando.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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